quinta-feira, 25 de junho de 2026
TRABALHO E EDUCAÇÃO

Brasil tem 32,9 milhões de jovens; 12,8 milhões apenas estudam e 6,2 milhões estão fora da escola e do trabalho

Levantamento aponta avanço na permanência escolar, mas Paula Montagner defende ampliação das portas de entrada no mercado formal

Luma Silveirapor Luma Silveira em 25 de junho de 2026
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Entre estudos, desafios e novas oportunidades, juventude brasileira busca espaço no mercado de trabalho | Foto Canva

O Brasil tem atualmente 32,9 milhões de jovens, e os dados mais recentes sobre educação e empregabilidade mostram um cenário de avanços, mas também de desafios persistentes para a inserção profissional dessa parcela da população. Embora mais jovens estejam permanecendo na escola e o número de pessoas fora da educação e do mercado de trabalho tenha recuado, a transição para empregos formais e qualificados ainda segue como um dos principais gargalos.

Entre os jovens brasileiros, 12,8 milhões apenas estudam, um dos maiores patamares já registrados na série histórica. Outros 9,6 milhões apenas trabalham, enquanto 4,3 milhões conseguem conciliar estudo e trabalho. Ao mesmo tempo, 6,2 milhões permanecem fora tanto da escola quanto do mercado de trabalho, grupo que ainda concentra parte importante das preocupações das políticas públicas voltadas à juventude.

Para a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, os números mostram melhora em relação aos anos mais críticos da pandemia, mas evidenciam a necessidade de fortalecer mecanismos que aproximem jovens de oportunidades concretas de trabalho.

Um dos pontos destacados por Paula é a percepção, cada vez mais disseminada, de que a nova geração teria menos interesse em empregos formais. Na avaliação da subsecretária, essa leitura não reflete a realidade observada nos dados.

“As pessoas dizem que a formalização não é mais importante, mas isso não é verdade. Se há condições adequadas de trabalho, o jovem quer vir para uma situação formalizada porque sabe o que isso significa”, afirma.

Segundo Paula, a formalização continua sendo valorizada por oferecer estabilidade, previsibilidade de renda e acesso a direitos trabalhistas, fatores especialmente relevantes para quem está construindo autonomia financeira.

“São salários melhores, com regularidade. Quando você não tem um emprego formal, muitas vezes nem sabe em que dia o salário vai cair na conta”, pontua.

Entrada no mercado segue como desafio

Apesar dos avanços na permanência escolar, a entrada no mercado de trabalho ainda é vista como um dos principais desafios para a juventude brasileira. A dificuldade não está apenas na oferta de vagas, mas na criação de oportunidades que permitam experiência profissional e crescimento de carreira.

Na avaliação de Paula Montagner, educação continua sendo um fator essencial, mas, sozinha, não resolve o problema da empregabilidade. O desafio passa também por criar caminhos mais eficientes entre formação e inserção profissional, especialmente em um mercado em rápida transformação.

Esse cenário ganha ainda mais peso diante das mudanças tecnológicas que alteram perfis de contratação e exigem novas competências. A digitalização de processos e o avanço de novas ferramentas vêm elevando a demanda por qualificação técnica e adaptação profissional.

Debate sobre jovens “nem-nem” exige cautela

Apesar da atenção voltada aos 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, Paula Montagner avalia que esse grupo não pode ser analisado de forma simplificada.

Segundo ela, o conceito de jovens “nem-nem” frequentemente ignora uma realidade social importante: o trabalho de cuidado não remunerado, exercido majoritariamente por mulheres.

“Tem muita menina pequena e não tem creche para todas elas. Também não vamos demonizar essa situação. O cuidado também é trabalho, ainda que não remunerado, e ele é majoritariamente realizado por mulheres”, ressalta.

Para a subsecretária, essa leitura amplia a compreensão sobre a juventude brasileira e mostra que parte desses jovens está fora da escola e do mercado não por falta de interesse, mas por limitações estruturais, como ausência de rede de apoio e políticas públicas de cuidado.

Na avaliação de Paula, o desafio do país já não está apenas em gerar empregos, mas em construir pontes mais eficientes entre escola, qualificação e trabalho formal, garantindo que mais jovens consigam transformar formação educacional em oportunidades reais de crescimento profissional.

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