sexta-feira, 19 de junho de 2026
POLÍTICA

Operação mira BRB, PicPay e Secretaria de Economia por suspeita de descontos ilegais em salários de servidores

PCDF e MPDFT cumprem 50 mandados de busca e apreensão em investigação que apura esquema de cobranças consideradas irregulares na folha de pagamento de funcionários públicos do DF.

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 19 de junho de 2026
Operação mira BRB, PicPay e Secretaria de Economia por suspeita de descontos ilegais em salários de servidores
Ministério Público do DF

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) colocou no centro das investigações o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev) e a fintech PicPay. Nesta sexta-feira (19), os investigadores cumpriram 50 mandados de busca e apreensão para apurar um suposto esquema de descontos indevidos aplicados nos contracheques de servidores públicos distritais.

As diligências foram realizadas em diversos endereços do Distrito Federal. Entre os alvos está uma funcionária do BRB residente no Gama, onde agentes apreenderam computadores e aparelhos celulares nas primeiras horas da manhã.

Segundo as investigações, o esquema teria sido viabilizado após a publicação de um decreto distrital, em agosto de 2024, que criou uma modalidade de desconto em folha relacionada à antecipação salarial. Dias depois da edição da norma, o PicPay manifestou interesse em operar a folha de pagamento dos servidores do Governo do Distrito Federal, até então administrada exclusivamente pelo BRB. A suspeita é de que cobranças apresentadas como simples “taxas de antecipação” escondessem, na prática, custos de crédito equivalentes à cobrança de juros.

Relatórios do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontaram que, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, mais de R$ 80 milhões foram descontados dos salários de servidores sob a rubrica de taxas. O órgão de controle identificou indícios de irregularidades e determinou a suspensão da operação após concluir que os valores cobrados possuíam natureza financeira semelhante à incidência de juros sobre empréstimos.

Entre os investigados estão o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz; o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e o diretor do PicPay Eduardo Chedid Simões. As defesas dos citados informaram que ainda não tiveram acesso aos autos da investigação.

A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 90 milhões em contas ligadas ao PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal. Os investigados poderão responder por crimes contra a economia popular, publicidade enganosa nas relações de consumo, inserção de dados falsos em sistemas da administração pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A nova ofensiva amplia a série de operações realizadas neste ano envolvendo suspeitas de corrupção, fraudes financeiras e irregularidades em instituições ligadas ao Distrito Federal. Nos últimos meses, o MPDFT e a PCDF já deflagraram ações para investigar esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias envolvendo operações milionárias no BRB e em órgãos públicos locais.

Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas e sustentou que seus produtos foram ofertados em conformidade com a legislação vigente. Já a Secretaria de Economia declarou que a investigação tem como foco a conduta de agentes públicos específicos, e não a atuação institucional da pasta, acrescentando que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração.

Já a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que a operação realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil teve como objetivo a apreensão de equipamentos utilizados por alguns servidores da pasta no âmbito da investigação. O órgão ressaltou que as apurações se concentram na eventual conduta de agentes públicos envolvidos nos acordos relacionados à concessão de empréstimos consignados e não na atuação institucional da secretaria. A pasta também afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades, disponibilizando acesso às instalações e fornecendo todo o suporte necessário para o cumprimento das diligências.

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