Meningite bacteriana pode evoluir em horas; veja os sintomas que exigem atenção imediata
Forma mais grave da infecção preocupa médicos pela velocidade do quadro e pelo risco de atingir a corrente sanguínea
A morte da atriz norte-americana Daveigh Chase, conhecida pelo papel em “Lilo & Stitch”, aos 35 anos, voltou a chamar atenção para uma das infecções mais graves enfrentadas pela medicina: a meningite bacteriana. Os detalhes clínicos não foram confirmados oficialmente, mas o caso reabriu uma discussão que especialistas consideram permanentemente necessária.
A doença é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, mas é a forma bacteriana que mais preocupa pela velocidade com que se agrava. “Em alguns casos, a evolução pode acontecer em poucas horas, aumentando o risco de sequelas graves e até de morte”, afirma a infectologista Paula Pinhão.
Os sintomas mais comuns são febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e confusão mental. Manchas avermelhadas ou arroxeadas pelo corpo podem surgir nos casos mais graves, indicando que a infecção atingiu a corrente sanguínea. “A infecção pode desencadear um quadro de sepse, uma resposta inflamatória grave do organismo que pode comprometer diversos órgãos”, explica Pinhão. Em crianças pequenas, os sinais costumam ser diferentes: irritabilidade, dificuldade para se alimentar e choro persistente.
Não é só com crianças
Um equívoco comum é associar a meningite apenas ao público infantil. “Não existe uma faixa etária completamente protegida. O risco está relacionado a fatores como exposição ao agente infeccioso, imunidade e situação vacinal”, diz a infectologista. Adolescentes, adultos e idosos também estão sujeitos à infecção.
Outro mito recorrente é o de que toda dor de cabeça forte pode ser meningite. O sintoma isolado não caracteriza a doença. “O que chama atenção é a combinação de sintomas, especialmente febre, rigidez na nuca, mal-estar intenso e alterações neurológicas”, esclarece Pinhão. A transmissão também não é universal: depende do agente causador. Algumas bactérias se propagam por gotículas respiratórias e contato próximo prolongado, mas nem todas as formas seguem esse caminho.
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Vacina e tempo
O Brasil oferece vacinas contra os principais agentes da meningite bacteriana no calendário público. A cobertura reduziu expressivamente os casos graves nas últimas décadas, mas não eliminou o risco. Diante de sintomas suspeitos, a recomendação é não aguardar evolução espontânea. “Esperar para ver se os sintomas melhoram pode representar um risco importante”, alerta a médica. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são os fatores que mais influenciam as chances de recuperação sem sequelas.