quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Tecnologia

IA ganha força em Goiás com projetos, empresas e pesquisa

Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG já atraiu cerca de R$ 500 milhões em projetos e parcerias, com soluções usadas por empresas nacionais e internacionais

João César Almeidapor em
IA
Ceia-UFG reúne mais de 1,2 mil pesquisadores e conduz mais de 170 projetos em parceria com instituições e empresas do Brasil e do exterior - Foto: Reprodução

O avanço da inteligência artificial em Goiás deixou de ser uma aposta distante e passou a ocupar espaço concreto na pesquisa, nos serviços, na indústria e na formação de novos profissionais. No centro desse movimento está o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia-UFG), que já atraiu cerca de R$ 500 milhões em investimentos privados e se consolidou como uma das principais referências do País na criação de soluções baseadas em IA.

Criado em 2019, o Ceia-UFG reúne mais de 1,2 mil pesquisadores e conduz mais de 170 projetos em parceria com instituições e empresas nacionais e internacionais. O centro atua em áreas como energia, infraestrutura, saúde, comunicação, logística, mercado financeiro, tecnologia e serviços digitais, aproximando universidade e mercado e transformando conhecimento acadêmico em aplicações utilizadas em larga escala.

Com mais de 100 empresas clientes, entre elas Google, Vivo, WEG, Cemig, Positivo Tecnologia, Natura, iFood, Volkswagen Caminhões e Ônibus, TV Globo, Itaú e Falconi, o Ceia-UFG ampliou a presença de Goiás no mapa nacional da inovação. As tecnologias desenvolvidas pelo centro já são utilizadas por cerca de 150 milhões de pessoas no Brasil e também estão presentes em países como Canadá, Irlanda e Malásia.

Parcerias impulsionam inovação

Na TV Globo, o Ceia-UFG desenvolve dois projetos. Um deles contribui para a produção de conteúdos acessíveis, por meio de uma ferramenta de geração automática de audiodescrição de cenas. O outro atua na detecção de falhas em filmagens, como a presença de microfones ou fios na imagem, permitindo que a inteligência artificial identifique e corrija automaticamente o problema.

Outro exemplo vem da Cilia Tecnologia, empresa goiana que se tornou referência nacional em soluções digitais para o setor automotivo. Em parceria com o Ceia-UFG, a empresa desenvolveu o projeto “Aprendizado de Máquina com Imagens Sintéticas de Veículos”.

O crescimento do centro também passa pela formação de talentos e pelo incentivo a novos negócios. O Ceia-UFG participa da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial Aplicada, que nasceu como projeto-piloto em Goiás e ganhou dimensão nacional em 2026. No campo das startups, o programa Epicentro da IA recebeu 405 inscrições de empresas de 25 Estados brasileiros.

IA chega ao cotidiano das empresas

A inteligência artificial também avança no dia a dia das empresas goianas. Pesquisa da consultoria Ecossistema Great People & GPTW aponta que 48% das empresas do Estado já incorporaram IA em suas atividades, percentual superior ao registrado no Paraná, em Alagoas e em Sergipe. Entre os setores com maior adoção estão contabilidade, estética e beleza, seguros, jurídico e agências de mídia.

Na prática, o uso da tecnologia aparece em diferentes níveis. A Rápido Araguaia aplica inteligência artificial no monitoramento do consumo de combustível, na manutenção preditiva e no desenvolvimento de um copiloto de manutenção. Segundo Alex Silva, head de IA da empresa, as soluções têm contribuído para aumentar a eficiência e reduzir custos.

Multinacionais como a NVIDIA também mantêm parcerias com o Ceia-UFG em projetos de automação, análise climática, planejamento agrícola e modernização de maquinário.

Novos investimentos e expansão

A nova etapa de expansão do Ceia-UFG prevê investimentos de R$ 78 milhões entre 2026 e 2031. Desse total, R$ 40 milhões serão destinados à implantação de um AI Data Center e de um laboratório de veículos autônomos, ampliando a capacidade disponível para pesquisadores, estudantes, empresas e órgãos públicos parceiros.

Esse movimento acompanha a transformação da indústria goiana. O Mapa Estratégico da Indústria de Goiás 2025-2032, elaborado pela Fieg em parceria com a CNI, coloca a digitalização, a produtividade e a adoção de novas tecnologias entre os eixos de desenvolvimento do setor. A atuação do Senai também contribui para levar a inteligência artificial ao setor produtivo, com cerca de R$ 8 milhões em projetos de inovação voltados a micro e pequenas empresas industriais.

Inteligência artificial chega às empresas 

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Tecnologias desenvolvidas em Goiás já são aplicadas em áreas como comunicação, indústria, logística, mercado financeiro, saúde e serviços digitais – Foto: Adalberto Ruchelle e Walter Folador

O avanço da inteligência artificial em Goiás não se limita aos grandes centros de pesquisa. A tecnologia já faz parte do cotidiano de empresas locais, projetos industriais, serviços digitais e processos de gestão. Pesquisa da consultoria Ecossistema Great People & GPTW aponta que 48% das empresas goianas já incorporaram IA em suas atividades, percentual que coloca o Estado à frente do Paraná, de Alagoas e de Sergipe.

A adoção ocorre em setores variados. A contabilidade lidera o uso da tecnologia, com 80%, seguida por estética e beleza (75%), seguros (67%), jurídico (62%) e agências de mídia (62%). O levantamento mostra que a IA deixou de ser restrita às empresas de tecnologia e passou a integrar atividades administrativas, comerciais, industriais e de atendimento.

Produtividade e inovação

Na indústria, a transformação é apontada como um dos principais eixos de competitividade para os próximos anos. O Mapa Estratégico da Indústria de Goiás 2025-2032 coloca a digitalização, o aumento da produtividade e a adoção de novas tecnologias entre as prioridades do setor. A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o Sesi, o Senai e o IEL têm buscado aproximar empresas, centros de pesquisa e fontes de financiamento.

Segundo Weysller Matuzinhos, diretor da Faculdade Senai Fatesg, a inteligência artificial ocupa hoje papel semelhante ao de outras tecnologias que marcaram revoluções industriais anteriores. Matuzinhos afirma que empresas já aplicam IA em processos administrativos e em etapas centrais da produção. Em alguns casos, atividades administrativas podem registrar ganhos superiores a 60%, liberando profissionais para funções mais estratégicas.

Desafio é ampliar o acesso

Ainda assim, a democratização do acesso à inovação segue como um desafio. Para Rolando Vargas, gerente de Tecnologia e Inovação do Senai, muitas empresas ainda não conhecem ou não utilizam instrumentos disponíveis, como linhas de financiamento e incentivos à inovação.

Vargas afirma que o Senai tem atuado para ajudar na captação e na execução desses projetos, conectando empresas a universidades, startups e fontes de financiamento.

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