quarta-feira, 1 de julho de 2026
Alerta

Goiás registra 19 casos de raiva em animais de produção

Mesmo com aumento das confirmações em 2026, Agrodefesa descarta impactos nas exportações e reforça que vacinação e notificação são as principais formas de prevenção

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 1 de julho de 2026
Goiás registra 19 casos de raiva em animais de produção
Divulgação

Goiás registrou 19 casos de raiva em animais de produção apenas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa). O número representa pouco mais da metade dos 34 casos confirmados durante todo o ano de 2025 e reforça a necessidade de manter a vigilância sobre a doença, considerada uma das zoonoses mais graves por atingir tanto animais quanto seres humanos.

No mesmo período, a Agrodefesa intensificou as ações de monitoramento em abrigos de morcegos hematófagos, principais transmissores da enfermidade aos herbívoros. Ao todo, foram realizadas mais de 60 inspeções, que resultaram na identificação e no controle de 19 focos da doença em diferentes regiões do Estado.

Apesar do aumento das confirmações, a gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, Denise Toledo, explica que os números não indicam um avanço descontrolado da doença. Segundo Denise, o cenário permanece estável e o crescimento das notificações já era esperado após mudanças na política de vacinação.

“A Agrodefesa confirmou 19 focos de raiva no primeiro semestre de 2026. O número representa um pouco mais da metade dos focos confirmados em 2025. Ou seja, o cenário é de relativa estabilidade. Com o fim da vacinação obrigatória contra a raiva dos herbívoros em 2025, já era esperado um aumento das notificações e, consequentemente, das confirmações. A Agência incentiva que qualquer suspeita seja comunicada ao Serviço Veterinário Oficial para garantir um monitoramento eficiente da circulação do vírus”, afirma.

Leia mais aqui:

Vacinação continua sendo a principal proteção

Desde julho de 2025, Goiás deixou de exigir a vacinação obrigatória de todos os herbívoros e adotou a chamada vacinação estratégica. Dessa forma, a imunização obrigatória passou a ocorrer apenas em regiões classificadas como de risco para ataques de morcegos hematófagos ou quando há confirmação de focos da doença.

Mesmo com a mudança, Denise Toledo destaca que a vacina continua sendo a forma mais eficiente de proteger os rebanhos. Quando um caso é confirmado, equipes da Agrodefesa realizam uma série de medidas sanitárias. Fiscais visitam a propriedade, coletam amostras para exames laboratoriais e, após a confirmação, determinam a vacinação obrigatória de todo o rebanho da fazenda. Além disso, propriedades localizadas em um raio de até 10 quilômetros recebem recomendação para também imunizar seus animais.

Paralelamente, equipes especializadas percorrem a região em busca de abrigos de morcegos hematófagos. O objetivo não é eliminar completamente as colônias, mas reduzir sua população para diminuir a transmissão do vírus, preservando o papel ambiental da espécie.

Morcegos são os principais transmissores

A raiva é uma doença viral causada por um vírus da família Rhabdoviridae, do gênero Lyssavirus. A doença acomete todos os mamíferos e possui letalidade próxima de 100% após o aparecimento dos sintomas.

Nos animais de produção, especialmente bovinos, equinos, caprinos e ovinos, a principal forma de transmissão ocorre por meio da mordida de morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue. O vírus presente na saliva penetra no organismo através da lesão causada pela mordida e atinge o sistema nervoso central.

Segundo a Agrodefesa, a participação dos produtores é fundamental para impedir a disseminação da doença. A recomendação é comunicar imediatamente qualquer animal que apresente sintomas compatíveis com a raiva ao Serviço Veterinário Oficial.

A partir da notificação, fiscais da Agência realizam inspeção na propriedade, coletam material para diagnóstico no Laboratório de Análise e Diagnóstico Veterinário (Labvet) e iniciam todas as medidas sanitárias necessárias para impedir que o vírus continue circulando.

Além das ações de fiscalização, a Agrodefesa mantém campanhas permanentes de orientação aos produtores sobre identificação precoce da doença, vacinação estratégica e controle dos morcegos hematófagos.

Não há impacto nas exportações

Apesar do aumento das notificações, Denise Toledo afirma que a ocorrência de casos de raiva não provoca restrições sanitárias ao comércio de animais nem afeta as exportações do agronegócio goiano.

Segundo Denise, diferentemente de doenças como a febre aftosa, a raiva não gera embargos comerciais. O principal prejuízo é econômico para o produtor, que perde animais infectados e precisa investir em medidas de controle e prevenção.

“A principal preocupação é evitar perdas no rebanho e proteger a saúde animal e humana, já que a raiva é uma zoonose grave. A prevenção, por meio da vacinação estratégica, da vigilância constante e da comunicação imediata de casos suspeitos, continua sendo a ferramenta mais importante para manter a doença sob controle em Goiás”, conclui.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também