quarta-feira, 12 de agosto de 2026
JABUTI 2026

Jabuti Acadêmico premia 27 obras e destaca Centro-Oeste

Terceira edição reuniu 135 finalistas e 2.085 inscrições

Luana Avelarpor Luana Avelar em
Jabuti
Coletânea organizada por pesquisadoras de Goiás e Brasília chegou à decisão na categoria Artes

Depois de 2.085 inscrições e uma seleção que reduziu a disputa a 135 obras, o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 encerrou sua terceira edição na noite da última terça-feira (11), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Foram anunciados vencedores em 27 categorias, num retrato amplo da produção acadêmica brasileira que passou por áreas como medicina, comunicação, economia, história, artes e ciências. Entre os trabalhos que chegaram à etapa final estava uma pesquisa construída entre Goiás e Brasília.

Cada vencedor recebeu R$5 mil, e 25 casas editoriais saíram da cerimônia com ao menos uma estatueta. Perspectiva e Appris foram as únicas a conquistar dois prêmios. A edição também marcou o primeiro ano de Nina Beatriz Stocco Ranieri como curadora do Jabuti Acadêmico.

Na categoria Artes, venceu “Augusta Candiani: a prima-dona da época de D. Pedro II”, de Andrea Carvalho Stark, publicado pela Editora da Unicamp. Em Comunicação e Informação, o reconhecimento foi para “Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva”, de Juliana Dal Piva. “A loteria do nascimento”, de Fillipi Nascimento e Michael França, levou Economia, enquanto “Sinhás pretas, damas mercadoras”, de Sheila de Castro Faria, venceu em História e Arqueologia.

A cerimônia também reconheceu obras e trajetórias que ultrapassam a produção editorial recente. “História das mulheres no Brasil”, de Mary Del Priore, foi escolhido Livro Acadêmico Clássico de 2026, e José Goldemberg recebeu a homenagem de Personalidade Acadêmica do Ano por mais de sete décadas de atuação em áreas como física, energia, meio ambiente e educação.

Pesquisa do Centro-Oeste chega à final

Entre os cinco títulos selecionados em Artes estava “Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas”, organizado por Ceiça Ferreira e Edileuza Penha de Souza. Publicada pela Nau Editora em 2025, a coletânea nasceu de cinco anos de pesquisa e reúne mais de 20 artigos, ensaios e entrevistas sobre a produção audiovisual de mulheres negras brasileiras.

Ceiça é professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Edileuza atua como cineasta, pesquisadora, curadora e professora vinculada à Universidade de Brasília (UnB). A parceria das duas aproxima pesquisa acadêmica, cinema e formação de público a partir de uma perspectiva produzida no Centro-Oeste e conectada a realizadoras de diferentes regiões do país.

Para Ceiça, a indicação também chama atenção para as condições de produzir conhecimento fora dos centros que historicamente concentram parte da atividade acadêmica e editorial brasileira. “Estar aqui no Centro-Oeste, fazer uma pesquisa sobre cinema a partir de uma perspectiva interseccional, pensando gênero e raça, tem todos os desafios que a gente sabe de fazer pesquisa. Então, é muito importante. É um reconhecimento, sem dúvida, do trabalho que a gente tem desenvolvido”, afirma.

Os textos percorrem diferentes frentes do audiovisual, da direção à crítica, passando por curadoria, pesquisa e espaços de exibição. A coletânea também recupera trajetórias pioneiras e discute como mulheres negras têm construído personagens, linguagens e modos próprios de ocupar o cinema brasileiro.

Edileuza relaciona a chegada ao Jabuti à ampliação desse debate dentro e fora da universidade. “Sinto uma alegria em dose dupla com essa indicação, como pesquisadora e como cineasta. Ainda enfrentamos muitos desafios no mercado editorial e é fundamental termos mais publicações sobre como mulheres negras têm feito do cinema um espaço de invenção, resistência e memória”, afirma.

Lançado em outubro de 2025, durante encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, em Belém, “Cinema Negro no Feminino” já havia circulado por eventos acadêmicos, mostras e festivais. A presença entre os finalistas do Jabuti amplia esse percurso e coloca uma pesquisa feita entre Goiás e Brasília no mesmo palco de trabalhos de diferentes universidades, editoras e centros de produção intelectual do país.

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