Poder público

Insegurança na Rua do Lazer preocupa MP e empresários em

Postura do poder municipal em relação a revitalização desagrada empresário da região

João Césarpor João César em 3 de julho de 2026
Rua do Lazer
Após denúncias, MP-GO recomendou a implementação de medidas destinadas a reforçar a segurança urbana e a proteção na região - Foto: Divulgação/SET

A Rua do Lazer se tornou um dos principais pontos de movimento cultural e de lazer de Goiânia. Porém, a falta de segurança, a violência e o tráfico impedem uma expansão. Por conta disso, o Ministério Público de Goiás (MP-GO), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, recomendou a implementação de medidas destinadas a reforçar a segurança urbana e a proteção na região.

Essa recomendação foi enviada à Prefeitura de Goiânia, à Agência da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (AGCM) e ao Comando do Policiamento da Capital (CPC), para que sejam adotadas medidas urgentes e articuladas voltadas ao fortalecimento da segurança urbana preventiva, do policiamento ostensivo, da presença estatal integrada e da proteção no local.

A medida foi motivada por informações encaminhadas ao Ministério Público que relatam aumento da violência na região, com ocorrências de tráfico de drogas, comercialização de produtos supostamente furtados ou roubados, utilização de barricadas para dificultar a ação policial, episódios de esfaqueamento, possível aliciamento de crianças e adolescentes para atividades ilícitas e crescente sensação de insegurança entre comerciantes e frequentadores.

Além disso, o MP-GO também pediu que as iniciativas de revitalização do Centro de Goiânia sejam integradas a políticas contínuas de segurança e de salvaguarda do patrimônio cultural.

As entidades que receberam a recomendação deverão encaminhar à Promotoria de Justiça, em até 20 dias úteis, um relatório com as providências adotadas, incluindo as ações realizadas, as equipes envolvidas, as ocorrências registradas, as medidas de segurança implementadas e os documentos comprobatórios.

A promotora de Justiça destaca, na recomendação, que a preservação da Rua do Lazer, reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município pela Lei Municipal nº 11.614/2026, depende não apenas da conservação do espaço físico, mas também da garantia de condições para sua utilização segura como espaço de convivência, cultura, lazer e desenvolvimento das atividades econômicas da região.

Comerciantes criticam narrativa de revitalização

Um ponto destacado por Áureo Rosa, proprietário dos bares Zé Latinhas e Maria Garrafinhas, é a apropriação dos esforços dos comerciantes por parte do poder municipal. O empresário afirma que a retomada da Rua do Lazer, que hoje conta com cerca de 15 bares nas imediações, é fruto da iniciativa privada.

“A prefeitura vem vendendo essa ideia de revitalização, de que ela fez esse movimento. Esse movimento não foi feito pela prefeitura, é um movimento privado dos bares”, afirma o empresário.

Apesar de dezenas de reuniões realizadas com secretários municipais, Áureo aponta que demandas básicas e específicas dos comerciantes são ignoradas há mais de um ano.

“A prefeitura usa isso como slogan, faz publicação no Instagram falando ‘estamos revitalizando o centro’, mas eles não fizeram nada pela gente até agora”, desabafa.

O empresário ainda relata que, quando os comerciantes denunciam os problemas à imprensa, a Prefeitura realiza fiscalizações direcionadas aos bares, e não voltadas para solucionar os problemas da região.

Ausência do poder público

Para Áureo Rosa, a escalada da violência e da sensação de insegurança são, na verdade, reflexos do abandono por parte da gestão municipal. Segundo o empresário, o problema começou com a ausência de ordenamento urbano e a falta de presença da Prefeitura.

Na visão de Áureo, o local foi tomado por um “comércio ilegal e informal muito forte”, que inclui desde a venda de bebidas adulteradas por adolescentes até a atuação do tráfico de drogas. Essa situação, somada à falta de ação do poder público, cria um ambiente propício para a criminalidade.

“Os atores que estão promovendo a violência […] se sentem livres justamente porque sabem que é um local seguro, entre aspas, porque o poder público não vai aparecer, não vai ter um policiamento preventivo”, comentou.

Para garantir o uso seguro do espaço, o comerciante defende uma atuação conjunta entre a Prefeitura e o Governo do Estado, envolvendo não apenas a segurança pública, mas também as secretarias de Cultura e de Urbanismo.

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