sexta-feira, 30 de outubro de 2026
irregularidades

Justiça de Goiás suspende “Pra Ter Onde Morar” e interrompe pagamentos à construtora

Decisão atende a pedido do MP-GO, que investiga contratos de R$ 254,7 milhões por suspeitas de favorecimento e aponta falhas estruturais que, segundo a apuração, podem comprometer a segurança das famílias beneficiadas

Anna Salgadopor em
pra ter onde morar
Legenda: Laudos apresentados pelo MP-GO apontam falhas em estruturas de contenção, drenagem e fundações, enquanto o Crea-GO será responsável por avaliar as condições dos empreendimentos Foto: Divulgação/Secom Goiás

A Justiça de Goiás determinou a suspensão imediata da entrega de unidades habitacionais do programa estadual Pra Ter Onde Morar – Casas a Custo Zero, um dos principais projetos da Agência Goiana de Habitação (Agehab). A decisão, proferida pelo Juízo da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, também determina a interrupção de todos os pagamentos à Excel Construtora e Incorporadora Ltda. e às suas 14 Sociedades de Propósito Específico (SPEs). A medida cautelar atende a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), que investiga possíveis irregularidades em contratos que somam R$ 254,7 milhões.

A investigação é conduzida pela 73ª Promotoria de Justiça e pelo Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP) e decorre da Operação Confrades e de inquéritos civis que apuram supostas fraudes em licitações e favorecimento indevido. De acordo com o MPGO, há indícios de conflito de interesses envolvendo o ex-vice-presidente da Agehab, Wendel Garcia da Silva. Segundo a apuração, a relação pessoal com familiares dos sócios da Excel Construtora coincidiu com um crescimento expressivo da participação da empresa nos contratos do programa. A fatia da construtora nos editais de chamamento público passou de 6,67% para 29,89% durante o período investigado.

Além das suspeitas de irregularidades na contratação, o Ministério Público apresentou laudos técnicos que apontam falhas estruturais em diversos empreendimentos. Conforme a investigação, os problemas identificados podem comprometer a segurança das famílias beneficiadas. Entre as principais irregularidades está a execução de muros de arrimo com estacas de fundação de apenas um metro de profundidade, embora os projetos de engenharia previssem, no mínimo, três metros.

A apuração também identificou a ausência dos sistemas de drenagem e impermeabilização previstos nas normas técnicas brasileiras, situação que, segundo o MPGO, pode favorecer infiltrações, processos erosivos e comprometimento estrutural em condições climáticas adversas. O órgão afirma ainda que a construtora deixou de atender dezenas de notificações emitidas por fiscais da própria Agehab. As investigações também apontam tentativa de reclassificação de muros de contenção como “muretas de divisa” e utilização do instituto do “As Built” para validar intervenções executadas em desacordo com os projetos.

Na decisão, o magistrado destacou que as irregularidades representam risco ao direito à moradia digna e segura. O juiz afirmou que eventual manutenção da entrega dos imóveis poderia provocar danos ao interesse público considerados “potencialmente catastróficos” e “irreversíveis em termos humanos” caso ocorresse um colapso estrutural com moradores já instalados nas unidades.

A decisão também determina a realização de perícia técnica pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO). A inspeção deverá verificar a conformidade das fundações, das estruturas de contenção e dos sistemas de drenagem dos empreendimentos. Os pagamentos à Excel Construtora permanecerão suspensos até que o conselho ateste a segurança das obras ou que as correções apontadas sejam executadas.

Entre as determinações judiciais, a construtora deverá realizar todos os reparos e reforços estruturais indicados pela perícia. Nos casos em que as intervenções não forem suficientes para garantir a segurança das estruturas, poderá ser determinada a demolição e reconstrução integral dos muros de contenção. O descumprimento das medidas poderá resultar em multa diária de, no mínimo, R$ 50 mil por canteiro de obras.

O programa Pra Ter Onde Morar – Casas a Custo Zero é destinado a famílias com renda de até um salário mínimo. A decisão judicial suspende a entrega das chaves e a emissão dos termos de recebimento definitivos referentes aos editais alcançados pela investigação.

O Crea-GO informou à reportagem, na quinta-feira (2), que ainda não havia sido oficialmente notificado sobre a decisão, mas afirmou que adotará todas as providências necessárias após o recebimento da documentação. Até a publicação desta reportagem, a Excel Construtora não havia se manifestado sobre o teor das investigações.

 

Leia mais:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Pra ter onde morar

Veja também

É MEI e recebeu aviso de perdão de dívida? Veja como conferir a mensagem e evitar golpes

O GOLPE TÁ AÍ!

É MEI e recebeu aviso de perdão de dívida? Veja como conferir a mensagem e evitar golpes

Ministério informa que notificações são enviadas pelo WhatsApp oficial do Gov.br. Benefício nã...
Goiânia aprova reajuste gradual para servidores administrativos da Educação

EDUCAÇÃO

Goiânia aprova reajuste gradual para servidores administrativos da Educação

Projeto estabelece salário inicial de R$ 1.640 para jornada de 30 horas e prevê recomposição das...
Sexta-feira (30) em Goiânia terá chance de chuva desde a manhã e trovoadas à tarde

PREVISÃO DO TEMPO

Sexta-feira (30) em Goiânia terá chance de chuva desde a manhã e trovoadas à tarde

Temperaturas devem variar de 21°C a 30°C nesta sexta-feira (30), com possibilidade de trovoadas à...
Seduc Goiás convoca mais 250 professores aprovados em concurso de 2022

Concurso Público

Seduc Goiás convoca mais 250 professores aprovados em concurso de 2022

As nomeações estão previstas para 28 de dezembro e posse para 7 de janeiro de 2027
Adolescente é apreendido suspeito de participar de estupro coletivo em Goiás

ato infracional

Adolescente é apreendido suspeito de participar de estupro coletivo em Goiás

Caso de estupro coletivo em Bela Vista de Goiás leva à apreensão de adolescente
Câmara de Goiânia aprova reajuste na carreira dos administrativos da Educação

EDUCAÇÃO

Câmara de Goiânia aprova reajuste na carreira dos administrativos da Educação

Projeto prevê salário-base inicial de R$ 1.640 para jornada de 30 horas semanais e amplia gradualm...
Polícia Militar apreende 216 kg de drogas e prende casal suspeito de tráfico em São Sebastião (DF)

Apreensão de drogas no DF

Polícia Militar apreende 216 kg de drogas e prende casal suspeito de tráfico em São Sebastião (DF)

Carga transportada em um Renault Kwid incluía cerca de 190 kg de substância semelhante à cocaína...
Motoboy é preso por tráfico de drogas em São Sebastião, no DF

Tráfico de drogas no DF

Motoboy é preso por tráfico de drogas em São Sebastião, no DF

Polícia encontrou cocaína, maconha, balanças de precisão e materiais para embalar entorpecentes ...