Lula e Flávio Bolsonaro transformam tarifaço dos EUA em batalha política
Enquanto o governo tenta evitar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, senador bolsonarista defende medidas que ligam negociação comercial ao cenário eleitoral
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A sobretaxa, que pode ser formalizada pelo governo de Donald Trump, é tratada pelo Palácio do Planalto como uma ameaça direta a setores estratégicos da economia nacional e pode impactar exportações brasileiras para um dos principais mercados do país.
Para tentar reverter o cenário, o governo brasileiro apresentou aos norte-americanos um plano com propostas de compensação e ajustes em áreas que vêm sendo questionadas por Washington. Entre os pontos levados à mesa estão mecanismos de controle e revisão em temas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
A estratégia de Brasília é demonstrar que as políticas brasileiras investigadas pelos EUA não provocam distorções comerciais suficientes para justificar a sobretaxa. Integrantes do governo também avaliam ampliar a entrada de produtos norte-americanos em segmentos específicos, como máquinas industriais, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação, numa tentativa de reduzir resistências e avançar nas tratativas antes do prazo final, marcado para 15 de julho.
Apesar da disposição para negociar, o governo mantém resistência em temas considerados sensíveis. O principal deles é o Pix. Auxiliares de Lula afirmam que o sistema de pagamentos brasileiro não está em negociação e rejeitam a narrativa de que a ferramenta prejudique empresas norte-americanas ou restrinja a concorrência no setor financeiro.
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Carta de Flávio Bolsonaro eleva pressão política
Em meio às negociações diplomáticas, o senador Flávio Bolsonaro ampliou a pressão política sobre o governo ao defender, em comunicação com autoridades norte-americanas, que a adoção, ou até a suspensão, das tarifas leve em consideração o cenário eleitoral brasileiro.
Na avaliação do parlamentar, uma sobretaxa imediata poderia favorecer politicamente Lula, permitindo ao presidente explorar o embate com os Estados Unidos como discurso de mobilização interna. Por isso, Flávio sustenta que qualquer decisão comercial também terá reflexos diretos sobre a disputa de poder no Brasil.
O senador ainda sinalizou que, em um eventual retorno do campo bolsonarista ao Planalto, haveria mudanças na política comercial brasileira, incluindo revisão de acordos regionais e maior alinhamento com os Estados Unidos. A sinalização foi interpretada por aliados do governo como uma tentativa de politizar uma negociação que, oficialmente, segue em âmbito técnico e diplomático.
Com isso, o tarifaço deixou de ser apenas um impasse econômico entre Brasil e Estados Unidos e passou a representar mais um capítulo da polarização política nacional. Enquanto Lula atua para evitar impactos sobre a balança comercial e preservar exportações, o bolsonarismo busca inserir o debate tarifário na disputa narrativa entre governo e oposição.