Iniciativa privada cria os empregos que governo sem obras não induz
Goiânia, o Sul/Sudeste/Sudoeste e o Entorno de Brasília estão lotados de canteiros de construções particulares, pois os governos federal e estadual preferem transferência de renda direta para o eleitor, enquanto os municípios se contentam com shows
Quem atravessa o Estado da divisa com Minas Gerais até o paralelo 13, fronteira com o Tocantins, vê da própria BR-153 o Goiás que realmente dá certo e o Brasil que de fato está do lado do povo. Nada a ver com investimentos públicos, só recursos próprios erguendo prédios nas cidades cortadas, Itumbiara, Aparecida, Goiânia, Anápolis, Jaraguá, Uruaçu e Porangatu. Prédios residenciais e comerciais em profusão. E obras federais, estaduais e municipais? Nenhuma. São 10 anos de nada. Os grupos do MDB (1983-1998) e Marconi Perillo (1999-2018) eram obreiristas, o de Ronaldo Caiado (2019-2026) focou em programas sociais e segurança. Viu que está sendo feito um alicerce imenso, pode saber, vai ser um edifício residencial, a Havan, um supermercado ou centro de logística, nunca é fábrica ou equipamento público.
À margem da mesma BR-153, falta novidade nos diversos distritos industriais, como os de Morrinhos, Uruaçu, Rialma e Anápolis, que tem o Daia, uma joia do empreendedorismo nacional feito no Governo Irapuan há exatamente meio século, completamente fora da curva da preferência pelo assistencialismo estatal. O Daia está com nova montadora de veículos, mas foi seis por meia dúzia, a chinesa Changan entrou no lugar da sul-coreana Hyundai.
Empresários, produtores e donas de casas se cansaram
O motorista que transita pela rodovia federal ergue o olhar e aí, sim, se orgulha do empreendedorismo dos goianos. Três anos seguidos de safras ruins e prejuízos na pecuária, como o homem do campo reage? Investindo, apesar da agiotagem bancária e dos R$ 3 bilhões e 160 milhões tirados de suas economias para a Taxa do Agro, ainda não devolvida. A energia de Goiás era a pior do Brasil? Empresários, produtores e donas de casas se cansaram de reclamar e não ter resposta, eles mesmos tiraram do bolso e acabaram com o problema implantando placas solares. A Saneago não consegue fornecer sequer gotinhas para molhar sal de batizado? Os goianos se juntam e fazem poços artesianos, buscam água no córrego, recolhem a da chuva.
Em bordão da época em que o Daia foi inaugurado, a atriz norte-americana Kate Lyra, que hoje completa 77 anos, dizia no humorístico Praça da Alegria, da TV Globo: “O brasileiro é tão bonzinho!”. Os brasileiros goianos são muito mais. Várias vezes já foram canceladas as licitações para duplicar a citada BR-153. Algum goiano foi a Brasília reclamar? Nenhum, mesmo não se esquecendo das centenas de mortos em acidentes na rodovia todos os anos. Em 1987, o presidente José Sarney lançou a Ferrovia Norte-Sul, que levou mais de três décadas para ficar pronta e até hoje está subutilizada, até por ter erros gravíssimos de projeto e execução. Alguém aí reclamando dia e noite com os presidentes, de Sarney a Lula? Ninguém.
Região Metropolitana está repleta de canteiros de obras particulares
Em vez de promover manifestações, o goiano está muito ocupado fazendo a sua parte, que é trabalhar para que os cofres públicos fiquem lotados com os impostos. De qualquer lado que se observe, a Região Metropolitana de Goiânia está repleta de canteiros de obras particulares, residenciais e comerciais. Em Caldas Novas, Morrinhos, Goiatuba, Itumbiara, Bom Jesus e todo o Sul do Estado, as construções não param. No Sudeste inteiro, da avicultura em Pires do Rio à mineração em Catalão, o progresso é visível, sem depender de nada estatal. No Sudoeste, então, os produtores rurais equilibram a Balança Comercial Brasileira, mesmo à custa do próprio patrimônio quando há quebra de safra, e o governo pagando trilhões em juros para os bancos. E os políticos não conseguem sequer duplicar as rodovias do escoamento.
O Entorno de Brasília é uma potência nos serviços, aproveitando a incrível vocação empreendedora dos imigrantes e seus descendentes, daí o comércio movimentado e a construção civil incessante. A Grande Goiânia, com Anápolis inclusa, é um fenômeno de progresso, sem contar com governo para nada, mesmo ele beliscando com taxas, esmurrando com tributos e nocauteando com multas. O Vale do Araguaia tem o turismo do grande rio e a comercialização do gado, que os governos apenas prejudicam com suas políticas incertas que derrubam a arroba do boi com mais frequência do que os bois derrubam os peões nos muitos rodeios.
Nada que os Poderes Executivo e Legislativo pudessem proporcionar
O Oeste goiano nunca, n-u-n-c-a, NUNCA recebeu uma grande obra, uma grande indústria, um grande investimento, nada que os Poderes Executivo e Legislativo pudessem proporcionar. Mesmo assim, de Anicuns a Caiapônia, é evidente o tanto que as pessoas estão crescendo graças a seus próprios esforços, aos riscos que correm e apesar dos incentivos oficiais que se arrastam. O Vale do São Patrício e o Norte foram abençoados com a mineração e a fertilidade da terra, a única maldição é do próprio homem, mais precisamente dos homens que governam com as costas voltadas para tão ricas regiões. Mesmo assim, saltam à vista o polo têxtil de Jaraguá, a Jalles e tantas outras iniciativas privadas em Goianésia, as terras raras de Minaçu, o turismo e a agricultura em Uruaçu e Niquelândia, a grande produção em Porangatu, a medicina privada em Ceres.
Enquanto isso, o poder público recolhe a contribuição forçada via maior carga tributária do mundo e transfere a renda diretamente para o eleitor, frequentemente em forma de shows, tanto os de artistas com seus cachês milionários quanto os de horrores que acabam em escândalos. Mas os goianos não reclamam, um dos motivos é não ter tempo e outro é porque esperam alguma reação de alguém. Quem? Votar não tem adiantado e não votar é coisa de atrasado. Os governos, que deveriam ser indutores do desenvolvimento, optam por aproveitar esse tanto de suor derramado e molhar as mãos que vão digitar seus números nas urnas. (Especial para O HOJE)
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