O que causa a ‘barriga de cerveja’ e como evitar o acúmulo de gordura abdominal
Como referência para um consumo moderado, homens não devem ultrapassar cerca de 700 ml de cerveja por dia
Antes associada apenas ao consumo frequente de cerveja, a chamada “barriga de cerveja” é, na verdade, um acúmulo de gordura visceral na região abdominal, condição que vai além da questão estética e pode representar riscos importantes à saúde. Esse tipo de gordura se concentra ao redor dos órgãos internos, tornando o abdômen mais rígido e saliente, característica mais comum entre os homens.
Diferentemente da gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral ocupa o espaço entre os órgãos e exerce pressão sobre a parede abdominal, resultando no aspecto de uma barriga dura e proeminente. Além da aparência, esse acúmulo está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
Apesar do nome popular, a cerveja não é a única responsável pelo problema. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode favorecer o ganho de peso porque o álcool é altamente calórico e oferece pouco valor nutricional. Além disso, a combinação de diferentes bebidas em uma mesma ocasião pode elevar significativamente a ingestão calórica, contribuindo para o acúmulo de gordura abdominal ao longo do tempo.
O que ajuda a evitar a chamada “barriga de cerveja”
Evitar o acúmulo de gordura visceral não significa, necessariamente, eliminar a cerveja da rotina. Especialistas afirmam que o consumo moderado de bebidas alcoólicas pode fazer parte de um estilo de vida equilibrado, desde que seja acompanhado por uma alimentação saudável e hábitos adequados. Por outro lado, exagerar na quantidade consumida, mesmo que apenas em ocasiões específicas, pode contribuir para o ganho de peso.
Como referência para um consumo moderado, homens não devem ultrapassar cerca de 700 ml de cerveja por dia, o equivalente a aproximadamente duas latas, enquanto para as mulheres o limite é de cerca de 400 ml diários. A orientação leva em conta o valor energético da bebida: em média, 100 ml de cerveja contêm cerca de 40 calorias, e uma lata de 330 ml fornece aproximadamente 150 calorias.
No entanto, o teor calórico não é o único fator envolvido. Quando há ingestão de álcool, o fígado prioriza a metabolização da substância, reduzindo temporariamente sua capacidade de processar gorduras e outros nutrientes. Esse processo pode favorecer o armazenamento de gordura, especialmente quando o consumo de bebidas é acompanhado por petiscos ricos em gordura, como batatas fritas, salgadinhos e amendoins.
Por isso, especialistas recomendam atenção também aos alimentos consumidos durante a ingestão de álcool. Reduzir o consumo de ultraprocessados, fast food e frituras, além de priorizar opções como vegetais, frutas e oleaginosas sem sal, pode ajudar a diminuir o risco de acúmulo de gordura abdominal e contribuir para uma alimentação mais equilibrada.
Além da quantidade consumida e da alimentação, outro aspecto importante é o valor energético das diferentes bebidas. Muitas pessoas costumam comparar cerveja, vinho, destilados e até refrigerantes na tentativa de escolher a opção menos calórica, mas especialistas alertam que essas comparações só fazem sentido quando levam em consideração o volume ingerido.
Comparar calorias entre bebidas exige atenção ao volume consumido
Na tentativa de aproveitar momentos de lazer sem comprometer a dieta, muitas pessoas costumam comparar o número de calorias das bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Embora essa estratégia possa ajudar na escolha, especialistas alertam que a comparação só faz sentido quando considera o volume consumido, já que o valor energético varia de acordo com a quantidade ingerida e até mesmo entre diferentes marcas. Em caso de dúvida, a recomendação é consultar a informação nutricional presente no rótulo.
Um copo de 350 ml de refrigerante de cola, por exemplo, contém cerca de 210 calorias, quantidade superior à de uma cerveja no mesmo volume, que tem, em média, 143,5 calorias. Já uma taça de vinho de 150 ml fornece aproximadamente 124 calorias. Se o consumo fosse ampliado para 350 ml, o valor energético chegaria a cerca de 290 calorias.
O mesmo raciocínio vale para destilados, como a vodka. Uma dose tradicional de 50 ml possui cerca de 116 calorias, mas, se o consumo chegasse a 350 ml, a ingestão ultrapassaria 800 calorias. Dessa forma, além do tipo de bebida, a quantidade consumida exerce influência direta na ingestão calórica diária.
No entanto, especialistas reforçam que o risco de desenvolver a chamada “barriga de cerveja” depende menos de uma bebida específica e mais do conjunto de hábitos adotados ao longo do tempo.
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