Queda de cabelo: quando a perda dos fios deixa de ser normal?
Afinamento, redução de volume e falhas persistentes podem indicar alterações de saúde ou início da calvície
O primeiro aviso nem sempre é uma quantidade incomum de cabelos na escova. Às vezes, ele aparece no espelho: as entradas avançam, o topo da cabeça fica menos denso ou os fios parecem cada vez mais finos. Essas mudanças podem surgir antes de uma queda intensa e ajudam a separar a renovação natural do cabelo de situações relacionadas à calvície ou a alterações no organismo.
Existe uma perda diária considerada esperada. “É esperado perder entre 50 e 100 fios por dia. O sinal de alerta é quando essa queda se torna intensa e contínua, dura mais de dois ou três meses, há diminuição do volume do cabelo ou surgem áreas com rarefação e falhas”, explica o cirurgião plástico e especialista em transplante capilar Cléber Stuque.
O tempo de duração e a aparência dos fios ajudam a orientar a investigação. Coceira, descamação e vermelhidão no couro cabeludo também merecem atenção, especialmente quando aparecem junto de falhas ou redução de densidade.
Nem sempre, porém, o problema aponta para calvície. Períodos de estresse intenso, infecções, cirurgias, parto ou dietas muito restritivas podem provocar uma queda temporária, que tende a melhorar conforme o organismo se recupera. Já a perda associada à calvície segue outro ritmo.
“A queda temporária geralmente acontece após situações como estresse intenso, infecções, cirurgias, parto ou dietas muito restritivas e costuma melhorar quando o organismo se recupera. Já a calvície é um processo progressivo, caracterizado pelo afinamento dos fios e pela perda gradual da densidade capilar, sem recuperação espontânea”, explica.
O cabelo também responde ao organismo
A genética tem peso importante, mas não responde sozinha pelos episódios de queda. Alterações hormonais, doenças da tireoide, anemia, deficiência de vitaminas e minerais, estresse crônico, tabagismo, alimentação inadequada e alguns medicamentos também estão entre os fatores associados.
Por isso, recorrer diretamente a produtos ou tratamentos sem conhecer a origem da perda pode atrasar uma avaliação necessária. “Quanto antes identificarmos a causa da queda, maiores são as chances de preservar os fios e impedir a progressão do problema”, destaca Stuque.
A estratégia muda conforme o diagnóstico e o estágio da perda. Medicamentos, laser de baixa potência, microagulhamento, terapias regenerativas, bioestimuladores e transplante capilar estão entre as possibilidades citadas pelo especialista, mas a indicação depende de cada caso.
O erro mais comum é esperar até que a mudança esteja evidente. “Sem dúvida, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo iniciamos o tratamento, maiores são as chances de interromper a progressão da queda e preservar os folículos capilares”, diz o especialista.
Antes de se preocupar apenas com quantos fios caíram, portanto, vale acompanhar o que mudou ao longo dos meses. Afinamento, perda de volume, falhas e alterações no couro cabeludo podem transformar aquilo que parecia apenas uma questão estética em uma pista importante sobre a saúde.
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