Cobertura vacinal contra a gripe em Goiás segue longe da meta
Estado imunizou 43,07% do público prioritário, apesar da ampliação da campanha para toda a população acima de seis meses
A vacinação contra a gripe segue abaixo do esperado em Goiás, mesmo após a ampliação da campanha para toda a população acima de seis meses de idade. Dados atualizados até o último domingo (12) mostram que apenas 43,07% do público prioritário foi imunizado contra a Influenza, índice ainda distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para reduzir a circulação do vírus no estado.
Até o momento, foram aplicadas 718.741 doses entre os grupos prioritários. Desse total, 483.921 foram destinadas aos idosos, 197.034 às crianças e 37.786 às gestantes. Embora a campanha tenha sido ampliada em 1º de junho para toda a população a partir dos seis meses de idade, a adesão entre aqueles que apresentam maior risco de complicações permanece abaixo do esperado.
Cobertura segue abaixo da meta
Na avaliação da SES-GO, o cenário exige atenção. Em nota encaminhada à reportagem do O HOJE, a Secretaria informa que as coberturas vacinais contra a Influenza apresentam queda desde 2021. Apesar disso, a pasta observa uma pequena melhora em relação ao desempenho da campanha deste ano e afirma que existe a possibilidade de superar o índice alcançado em 2025, quando a cobertura ficou em aproximadamente 51%.
Entre os fatores apontados para a baixa adesão está a percepção reduzida de risco por parte da população. Segundo a Secretaria, muitas pessoas deixam de procurar a vacina porque acreditam que a diminuição de casos em determinados períodos significa que a doença deixou de representar uma ameaça.
A SES-GO informa que “a vacina contra a Influenza é segura, produzida com vírus inativado, e pode causar apenas reações leves, como dor no local da aplicação, indisposição por três dias ou febre baixa, não causando sintomas respiratórios”.
A Secretaria destaca ainda que crianças, gestantes e idosos continuam sendo o foco das estratégias de imunização, por integrarem os grupos mais suscetíveis ao desenvolvimento de complicações decorrentes da gripe. “O percentual permanece abaixo do ideal para garantir a proteção da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis”, afirma a nota.
Casos respiratórios mantêm alerta
A baixa cobertura vacinal ocorre em meio à circulação de vírus respiratórios em Goiás. Como o O HOJE mostrou em reportagem publicada em 29 de junho, o estado também enfrenta um aumento das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG). Em 15 de abril, o governo de Goiás decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias.
Dados do sistema InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam 4.996 casos da síndrome nos primeiros meses deste ano, a maioria relacionada à circulação dos vírus da Influenza e da Covid-19.
A pneumopediatra Camila Maiaque explicou ao O HOJE, em junho, que fatores como baixa umidade do ar, temperaturas mais amenas e a permanência das pessoas em ambientes fechados favorecem a circulação de vírus respiratórios e aumentam o risco de agravamento dos quadros, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas.
A SES-GO também ressalta que “o período seco, a baixa umidade relativa do ar e a ocorrência de queimadas, comuns a partir de agosto, contribuem para o agravamento dos quadros respiratórios e favorecem a circulação de vírus”.
Estratégias de vacinação
Para ampliar a cobertura vacinal, a SES-GO informa que os municípios têm intensificado ações fora das unidades de saúde, levando equipes de vacinação para escolas, parques, eventos e outros espaços públicos. O Estado também mantém as chamadas “vans da vacina”, utilizadas para ampliar a oferta do imunizante em locais de grande circulação de pessoas.
Além das ações de acesso, a Secretaria afirma que mantém campanhas de orientação para combater a desinformação e incentivar a imunização. Segundo a SES-GO, a vacina tem papel fundamental na prevenção das formas graves da doença, “com potencial para reduzir em mais de 70% as internações por doenças respiratórias”.
A dose disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra os vírus Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B.
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