Entorno de Brasília concentra focos de alta demanda por CMEIs em Goiás
Santo Antônio do Descoberto apresenta mais alta carência do Entorno no setor, enquanto outras cidades precisam expandir a oferta de vagas
Os municípios do Entorno de Brasília continuam entre os que demandam ampliação da oferta de educação infantil em Goiás. Atualização do estudo “Retrato da Educação Infantil 2025”, do Ministério da Educação (MEC), utilizada pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), mostra que cidades da região ainda precisam construir novas creches ou ampliar estruturas já existentes para reduzir a fila de espera por vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Entre os municípios da região, Santo Antônio do Descoberto apresenta a situação mais preocupante. A cidade ocupa a quarta posição no ranking estadual de demanda por novas creches, com estimativa de necessidade de 23 unidades, ficando atrás apenas de Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia.
Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Cristalina, Flores de Goiás, Formosa e Luziânia também aparecem entre os municípios que necessitam de mais de dez salas para atender à demanda.
Os dados também mostram que a necessidade de expansão varia entre os municípios do Entorno. Água Fria de Goiás e Padre Bernardo demandam a construção de uma creche Tipo 1, com dez salas. Cabeceiras, São João d’Aliança e Vila Boa necessitam de unidades de médio porte, com cinco salas. Enquanto Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Planaltina e Vila Propício poderiam atender à demanda por meio da ampliação de módulos infantis em escolas já existentes.
Crescimento urbano
Para a pesquisadora do Observatório das Metrópoles – Núcleo Goiânia, Maria Ester de Souza, o acesso aos CMEIs está relacionado à forma como os municípios cresceram ao longo dos anos. Segundo a pesquisadora, em muitas cidades a expansão urbana ocorreu impulsionada pela criação de novos loteamentos, sem que o planejamento acompanhasse a implantação de equipamentos públicos essenciais, como escolas de educação infantil.
Na avaliação de Souza, ampliar o número de vagas não resolve, por si só, o problema do acesso. A localização das unidades também precisa ser considerada, especialmente em municípios onde o crescimento urbano ocorreu de forma dispersa. A especialista explica que uma vaga distante da residência da família pode dificultar o deslocamento diário de crianças pequenas e comprometer a utilização do serviço.
Maria Ester acrescenta que o planejamento urbano deveria ocorrer de forma integrada à implantação dos equipamentos públicos. Novos bairros precisam ser acompanhados da instalação de escolas, áreas comerciais, transporte coletivo e demais serviços essenciais. “O que a gente vê é uma expansão de lote, não uma expansão de cidade”, resume ao O HOJE.
O arquiteto e urbanista Fred Le Blue avalia que a própria dinâmica do Entorno ajuda a explicar a pressão sobre a rede de educação infantil. Segundo Le Blue, o crescimento populacional e o deslocamento diário de trabalhadores para Brasília exigem que o planejamento da rede considere não apenas a quantidade de vagas, mas também onde elas estão localizadas.
“Os municípios do Entorno do Distrito Federal apresentam características urbanas, sociais e demográficas ímpares, que impõem uma demanda maior por políticas públicas educacionais e por uma maior oferta de equipamentos públicos, como os CMEIs”, afirma ao O HOJE.
Santo Antônio do Descoberto
Em Santo Antônio do Descoberto, a prefeitura afirma que o principal desafio é ampliar a oferta de vagas sem deixar de atender integralmente as crianças da pré-escola. Em nota encaminhada à reportagem do O HOJE, o município informou que a condição de cidade do Entorno influencia diretamente a procura por creches em período integral.
“Sem oportunidade de trabalho no próprio município, as famílias precisam muito de creches em período integral para deixar as crianças”, informou.
Segundo a administração municipal, foi elaborado um Plano de Expansão de Vagas integrado ao Plano Municipal pela Primeira Infância. A proposta prevê a criação de mil novas vagas, priorizando bairros com maior vulnerabilidade social e regiões que tiveram creches fechadas em gestões anteriores.
Entre as medidas anunciadas estão a construção de quatro novos CMEIs, a conclusão de uma unidade do Proinfância que estava paralisada, a adaptação de outro espaço para funcionamento como creche e criação da Central Única de Vagas.
Leia mais:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.