Temporada de férias acende alerta para afogamentos e acidentes domésticos em Goiás
Além do aumento dos afogamentos, dados do Hospital Estadual de Trindade apontam crescimento de 21% nos acidentes domésticos envolvendo crianças durante as férias escolares
A tentativa de salvar a vida de um sobrinho terminou em uma tragédia que comoveu Goiás. Um adolescente de 14 anos e a tia dele, de 54 anos, morreram afogados no Lago Corumbá, em Caldas Novas, após o jovem sofrer uma convulsão enquanto nadava. Ao perceber que o sobrinho estava se afogando, a mulher entrou na água para tentar resgatá-lo, mas também acabou submersa.
As buscas mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), que localizaram os dois corpos a cerca de cinco metros da margem, em um ponto com aproximadamente 3,5 metros de profundidade. A corporação utilizou a técnica de apneia livre durante a operação e reforçou, após o resgate, que tentativas de salvamento feitas por pessoas sem treinamento frequentemente resultam em novas vítimas.
A tragédia ocorre justamente no período de férias escolares, quando milhares de famílias procuram rios, lagos, cachoeiras, piscinas e clubes para aproveitar os dias de descanso. Com o aumento da circulação nesses locais, também cresce o número de acidentes, especialmente os afogamentos, que seguem entre as principais causas de mortes acidentais em ambientes aquáticos.
Afogamentos aumentam em Goiás e preocupam autoridades
Os números mostram que o problema tem se tornado cada vez mais frequente no estado. Dados do Corpo de Bombeiros apontam que o número de ocorrências vem crescendo desde 2024. Naquele ano, foram registrados 146 atendimentos relacionados a afogamentos. Em 2025, o total subiu para 157 casos. Somente entre janeiro e maio de 2026, a corporação já contabilizou 67 ocorrências.
A maior parte desses acidentes acontece justamente em locais utilizados para lazer. Rios, lagos e piscinas concentraram mais de 80% dos casos registrados ao longo de 2025. Em 2026, esse percentual chegou a 88%. Crianças e homens aparecem entre as principais vítimas atendidas pelos bombeiros.
A capital lidera o número de ocorrências neste ano, com seis registros, seguida por Itumbiara, Alexânia, Formosa e Niquelândia. Em 2025, Goiânia também ocupou o primeiro lugar no ranking estadual, seguida por Caldas Novas, Luziânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia.
Além do caso registrado em Caldas Novas, outras tragédias recentes também acenderam o alerta. Em uma delas, três pessoas morreram após uma canoa virar próximo ao vertedouro de uma barragem no Rio Caiapó. Em outra ocorrência, um advogado perdeu a vida durante uma pescaria na região de Cachoeira Dourada, após ser surpreendido por uma tromba d’água.
Férias também elevam risco de acidentes com crianças
Embora os afogamentos chamem atenção pela gravidade, eles não são os únicos acidentes que aumentam durante o período de férias. O Hospital Estadual de Trindade (Hetrin), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), alerta que julho costuma registrar crescimento significativo nas ocorrências envolvendo crianças.
Dados baseados em informações do Ministério da Saúde apontam aumento de 21% nos acidentes domésticos durante as férias escolares, período em que as crianças permanecem mais tempo em casa ou em atividades de lazer.
Entre os acidentes mais frequentes estão quedas de escadas, camas e móveis, queimaduras provocadas por líquidos quentes ou fogões, intoxicações por medicamentos e produtos de limpeza, cortes com objetos perfurantes, além de acidentes com bicicletas, patins e skates. Os afogamentos em piscinas, rios, chácaras e clubes também figuram entre as principais ocorrências atendidas pelas equipes de emergência.
Outro fator que preocupa os profissionais de saúde é a baixa umidade do ar, característica típica do inverno goiano. O tempo seco favorece quadros de desidratação, alergias, irritação nos olhos e doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos. A orientação é reforçar a hidratação, evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes e utilizar umidificadores ou recipientes com água dentro de casa.
CORRELATA
Bombeiros orientam como evitar tragédias
Segundo o Corpo de Bombeiros, grande parte dos acidentes poderia ser evitada com medidas simples de prevenção. A principal recomendação é nunca deixar crianças sozinhas próximas à água, mesmo que saibam nadar ou utilizem boias. A supervisão deve ser permanente, já que um afogamento pode acontecer de forma silenciosa e em poucos segundos.
Em rios, lagos e cachoeiras, a orientação é utilizar colete salva-vidas durante passeios de embarcação e evitar entrar em áreas desconhecidas ou com correnteza. Os bombeiros também alertam para o risco dos chamados bancos de areia, que transmitem falsa sensação de segurança, mas escondem mudanças bruscas de profundidade.
Outra recomendação importante é nunca consumir bebidas alcoólicas antes de entrar na água. O álcool reduz os reflexos, prejudica o equilíbrio e compromete a capacidade de avaliação dos riscos, aumentando significativamente as chances de afogamento.
Também é fundamental evitar mergulhos de cabeça em locais desconhecidos ou com pouca visibilidade, já que pedras, galhos e bancos de areia podem provocar lesões graves na coluna.
Nas piscinas, os cuidados incluem a instalação de cercas de proteção, portões com travamento automático e atenção aos ralos de sucção, que podem prender cabelos ou partes do corpo de crianças.
Como agir diante de um afogamento
Os bombeiros ressaltam que uma das principais causas de mortes em ocorrências desse tipo é a tentativa de resgate feita por pessoas sem treinamento. Em vez de entrar na água, a orientação é manter a calma, acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e tentar lançar à vítima algum objeto flutuante, como uma corda, um galho, uma boia ou até uma garrafa plástica vazia.
A corporação também orienta que as famílias preparem as viagens de férias com antecedência, observando as condições do local escolhido, respeitando as sinalizações e evitando áreas proibidas para banho.
Com o aumento da movimentação em clubes, rios, cachoeiras e lagos durante o recesso escolar, especialistas reforçam que diversão e segurança precisam caminhar juntas. Pequenos cuidados, como supervisão constante, uso de equipamentos adequados e respeito aos limites da água, podem evitar tragédias e garantir que as férias terminem apenas com boas lembranças.
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