terça-feira, 14 de julho de 2026
CAVERNAS EM GOIÁS

4 cavernas em Goiás que merecem entrar no seu próximo roteiro

Rios subterrâneos, cachoeiras escondidas e salões de pedra formam o cenário das cavernas em Goiás dentro do Parque Terra Ronca

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 14 de julho de 2026 às 07:49
cavernas em Goiás
Algumas cavernas em Goiás parecem surreais.(Foto: Tripadvisor)

As cavernas em Goiás escondem paisagens que parecem de outro planeta, cheias de rios, salões e formações raras. Elas ficam dentro do Parque Estadual de Terra Ronca, no nordeste goiano, perto da divisa com a Bahia.

Ali, quilômetros de galerias subterrâneas guardam cachoeiras, estalactites e histórias de milhões de anos. Se você gosta de aventura e natureza, prepare-se para conhecer quatro paradas desse roteiro subterrâneo.

Caverna Terra Ronca I e II

A caverna que deu nome ao parque é a primeira parada de quem visita as cavernas em Goiás. Sua boca de entrada tem 96 metros de altura por 120 metros de largura, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente do estado.

Um desmoronamento antigo dividiu a gruta em duas partes, chamadas Terra Ronca I e Terra Ronca II. Portanto, os visitantes cruzam o Rio da Lapa, com água na cintura, para passar de um lado ao outro.

Dentro dela, salões chegam a mais de 700 metros de comprimento por 100 metros de largura. Como resultado, o passeio impressiona até quem já visitou outras grutas do Brasil.

O Salão dos Namorados guarda colunas de estalactites e estalagmites, além de flores de aragonita que lembram porcelana. Uma dolina de 80 metros de altura, o Oco das Araras, funciona como abrigo natural para aves da região.

Todo ano, em 6 de agosto, a Festa do Bom Jesus da Lapa reúne moradores e romeiros dentro da caverna, tradição que atravessa gerações. Ou seja, o lugar guarda valor religioso, além do valor geológico.

Essa mistura de fé e ciência torna a visita ainda mais rica para quem explora as cavernas em Goiás pela primeira vez. A trilha até a boca da caverna sai do povoado São João, dentro do parque.

Caverna Terra Ronca I (Foto: Tripadvisor)

Lapa São Vicente

A Lapa São Vicente exige preparo físico logo na entrada. Em primeiro lugar, o acesso principal pede um rapel de 40 metros até o interior da caverna. Com mais de 13,5 quilômetros mapeados, ela está entre as seis mais longas do Brasil, conforme o Cadastro Nacional de Cavernas da Sociedade Brasileira de Espeleologia.

Certamente, poucos passeios no país entregam tamanha dose de adrenalina logo na chegada. O Rio São Vicente corre por dentro da gruta e forma doze cachoeiras internas, fenômeno raro em qualquer sistema de cavernas do mundo.

Por outro lado, boa parte do trajeto ainda guarda trechos desconhecidos, mesmo com pesquisas iniciadas em 1970. Espeleólogos continuam mapeando novas galerias todos os anos, e isso mostra o tamanho real desse labirinto subterrâneo.

Salões amplos, cobertos por espeleotemas variados, recebem o visitante depois da descida de rapel. Além disso, a paisagem externa, na saída da ressurgência do rio, mostra paredões e blocos de pedra empilhados pelo tempo. Para quem busca aventura de verdade entre as cavernas em Goiás, a São Vicente entrega um desafio raro no país inteiro.

Caverna Lapa São Vicente (Foto: Arquivo pessoal/Marcelo Peregrino/G1)

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Caverna Angélica

Com cerca de 17 quilômetros de extensão, a Angélica é considerada uma das dez maiores grutas do Brasil pela Sociedade Brasileira de Espeleologia. Em segundo lugar no roteiro, mas não em beleza, essa caverna reúne dez salões cobertos por estalactites e estalagmites.

A travessia completa dura um dia inteiro, e muitos grupos pernoitam dentro da gruta para concluir o percurso com calma. Um rio de águas calmas atravessa o interior da caverna e reflete as paredes rochosas como um espelho.

Da mesma forma que a Terra Ronca, a Angélica fica dentro de uma propriedade particular e cobra entrada paga, diferente das demais atrações do parque. A caminhada até a boca da gruta soma cerca de um quilômetro em meio à vegetação nativa do cerrado.

A Angélica também entrou para a história da televisão brasileira: cenas da minissérie “Grande Sertão: Veredas”, de 1985, foram gravadas em seu interior.

Na mesma linha de outras cavernas do parque, ela guarda formações raras de calcita e aragonita. Entre todas as cavernas em Goiás abertas à visitação, a Angélica costuma ser a preferida de famílias e grupos com crianças maiores.

Interior da caverna Angélica. (Foto: Tripadvisor)

Caverna São Bernardo

A caverna São Bernardo é, na prática, um complexo de três grutas conectadas. Entretanto, o acesso já começa exigindo atenção, com uma descida íngreme por corda logo na entrada. Os rios São Bernardo e Palmeira correm por dentro da caverna e se encontram em determinado trecho do percurso, que soma cerca de quatro quilômetros.

Boa parte do trajeto acontece dentro da água, em trechos que chegam à altura do peito. Posteriormente, o caminho leva ao Salão das Pérolas, um dos pontos altos da visita, com formações rochosas arredondadas que lembram pérolas naturais.

Depois disso, o grupo segue por galerias menores até a saída, sempre acompanhado por guia credenciado pelo parque.

Fora da gruta, a Cachoeira do Rio São Bernardo oferece água morna e uma pequena praia de areia, rara em quedas d’água do cerrado. Ainda mais interessante é observar como essas águas moldaram salões inteiros ao longo de milhões de anos.

Além do mais, o contraste entre o calor da cachoeira e o frio da caverna resume bem a experiência de conhecer as cavernas em Goiás.

Caverna São Bernardo (Foto: Tripadvisor)

Antes de fechar as malas

Todas as quatro cavernas ficam dentro do Parque Estadual de Terra Ronca, que soma 57 mil hectares entre os municípios de São Domingos e Guarani de Goiás. A visitação só acontece com guia credenciado, das 8h às 17h, e pede capacete, lanterna e calçado fechado. Para esclarecer: nem toda gruta do parque está aberta ao público, já que apenas cinco delas recebem turistas.

O acesso rodoviário sai de Brasília pela BR-020, cerca de 400 quilômetros, ou de Goiânia, cerca de 600 quilômetros. Em conclusão, quem busca aventura, história e paisagens raras encontra tudo isso reunido em um só parque, no coração do cerrado goiano. Resumindo, vale reservar ao menos três dias de viagem para sentir de perto a força das cavernas em Goiás.

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