Republicanos adia decisão e mantém Flávio Bolsonaro à espera de apoio
Partido é considerado o aliado mais provável do PL, mas enfrenta resistências internas; em Goiás, sigla deve caminhar com Ronaldo Caiado
Bruno Goulart
O Republicanos deverá definir apenas em sua Convenção Nacional, marcada para 4 de agosto, se apoiará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Até lá, a legenda mantém distância da pré-campanha do senador e amplia as dúvidas sobre a capacidade do PL de formar uma aliança mais ampla com partidos de direita e centro-direita.
Questionada pelo O HOJE sobre a posição do partido, a assessoria do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, informou que “a definição será apenas no dia 4, na convenção nacional”. A legenda também divulgou nota na qual nega que já tenha fechado acordo com Flávio. “O Republicanos nega que tenha fechado apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República”, afirmou.
O partido ainda negou que uma eventual aliança estivesse condicionada à indicação de Marcos Pereira para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da negativa, o Republicanos continua a ser considerado pelo PL a sigla com maior possibilidade de integrar a coligação presidencial.
Em 2022, Republicanos e PP participaram da aliança que apoiou a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Agora, porém, a pouco mais de uma semana para a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, nenhum partido confirmou formalmente apoio a Flávio.
Inicialmente, o objetivo do PL era reunir diferentes legendas para ampliar o discurso da campanha além do eleitorado bolsonarista. A demora na formação das alianças, entretanto, mostra que o senador enfrenta dificuldades para repetir a coligação construída pelo pai. Nos bastidores, parlamentares do Republicanos avaliam que a candidatura ainda não conseguiu empolgar parte importante da legenda.
Além disso, a pré-campanha de Flávio enfrentou desgastes recentes, como a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a discussão pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e as críticas à forma como o senador tratou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Pesquisas eleitorais
As crises também atingiram o desempenho eleitoral do pré-candidato. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15) apontou aumento da distância entre Flávio e o presidente Lula da Silva (PT). Integrantes do próprio PL admitem, reservadamente, que os episódios dificultam a formação de alianças. “O sistema está demonizando o nosso campo”, declarou um dirigente.
No Republicanos, a decisão passa ainda pelos interesses estaduais. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirma que apoiará Flávio independentemente da posição nacional da legenda. Mesmo assim, a tendência é que adote cautela nas aparições ao lado do senador para evitar que os problemas da campanha presidencial afetem sua tentativa de reeleição.
Em outra direção, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), defende a neutralidade do Republicanos. Na Paraíba, Motta trabalha pela candidatura do pai, Nabor Wanderley, ao Senado, e mantém alianças que envolvem setores próximos ao governo Lula. Dessa forma, uma adesão formal a Flávio poderia prejudicar acordos locais.
Em Goiás
Em Goiás, a proximidade do Republicanos com o grupo de Ronaldo Caiado (PSD) também dificulta um apoio automático ao candidato do PL. O presidente estadual da legenda e o ex-prefeito de Anápolis Roberto Naves é aliado de Caiado e chegou a comandar a Goiás Turismo durante a gestão do ex-governador.
A mesma posição aparece entre parlamentares do partido. O deputado estadual Ricardo Quirino, que é pré-candidato a deputado federal, afirmou que a manifestação mais recente da direção nacional indica que o apoio ainda depende da condução política de Flávio. “A última manifestação do presidente do partido diz que depende do Flávio Bolsonaro”, declarou à reportagem.
Quirino, entretanto, antecipou que pretende permanecer ao lado de Caiado e do governador Daniel Vilela (MDB). “Sou da base de Daniel e Caiado, falo por mim, estarei com os dois. Colocarei para o partido o relacionamento que tenho com Caiado, que é pré-candidato à presidência. Irei apoiá-lo”, pontuou. (Especial para O HOJE)
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