AMEAÇAS

Equipe reforça segurança de Michelle Bolsonaro após explosão de ataques nas redes

Mudanças incluem alterações em trajetos, horários e protocolos de proteção após monitoramento apontar crescimento das hostilidades contra a ex-primeira-dama

Thais Munizpor Thais Muniz em 18 de julho de 2026 às 21:30
Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro / Crédito: Flickr PL Mulher

A equipe responsável pela segurança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou os protocolos de proteção após identificar um aumento significativo de ataques contra ela nas redes sociais. As mudanças incluem alterações em itinerários, horários de deslocamento, posicionamento dos agentes e até na escolha do armamento utilizado pela equipe. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

O monitoramento das redes sociais já fazia parte da rotina da equipe de inteligência, mas o nível de atenção foi ampliado a partir de novembro de 2025. Naquele período, Michelle passou a receber críticas mais intensas, inclusive de integrantes do próprio campo bolsonarista.

Entre os episódios apontados está a série de publicações do blogueiro Allan dos Santos. Em uma delas, ele afirmou que Michelle viajava “como se Bolsonaro estivesse morto”. Em outra, disse que a ex-primeira-dama estava “cagando” para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, foi a partir desse momento que os responsáveis pelo planejamento da segurança identificaram um crescimento expressivo das manifestações hostis nas plataformas digitais.

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Vídeo sobre Flávio Bolsonaro ampliou o volume de ataques

De acordo com o levantamento da equipe de segurança, o cenário voltou a se intensificar em 2026 após Michelle Bolsonaro divulgar dois vídeos, com cerca de 26 minutos no total, nos quais tornou público o desgaste na relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Nas gravações, Michelle afirmou ter levado uma “punhalada” e decidiu expor o conflito que, segundo ela, já ocorria havia meses. Parte do conteúdo tratou das articulações do PL no Ceará e das divergências envolvendo o enteado.

Após a publicação dos vídeos, o monitoramento registrou que o número de mensagens ofensivas mais que dobrou. O episódio também ampliou o racha entre grupos ligados ao bolsonarismo e provocou reações de aliados de Flávio Bolsonaro.

Além da ex-primeira-dama, pessoas próximas passaram a ser alvo de críticas. Entre elas está a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que, segundo o levantamento, começou a receber ataques semelhantes após o agravamento da crise interna.

Inteligência identificou padrão nas publicações

O levantamento da equipe de inteligência apontou padrões de recorrência, autoria e disseminação das mensagens ofensivas. Conforme a apuração da CNN Brasil, os termos mais frequentes utilizados contra Michelle incluem “traidora” e ofensas de cunho sexual.

Os profissionais também observaram que muitos usuários passaram a chamá-la de Michelle Firmo, deixando de utilizar o sobrenome Bolsonaro. Segundo o monitoramento, boa parte das publicações partiria de perfis localizados nos Estados Unidos e na Austrália.

Outro comportamento identificado foi o chamado efeito copycat, quando usuários passam a repetir expressões e insultos originalmente publicados por outras contas, ampliando o alcance das ofensas nas redes sociais.

Ainda de acordo com a reportagem, uma figurinha que mostra Michelle vestindo uma camisa do PT também passou a circular em aplicativos de mensagens. O material teria sido compartilhado por deputados, senadores e outras figuras ligadas ao PL.

A equipe de segurança também registrou novas ondas de ataques durante a passagem de Flávio Bolsonaro pelo Ceará para o lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado. Segundo a apuração, parte das manifestações teria partido de apoiadores do pré-candidato ao governo cearense Ciro Gomes (PSDB).

Outro episódio citado ocorreu após Michelle elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ao classificar a iniciativa como um “sonho realizado”, ela voltou a ser alvo de críticas de integrantes da base bolsonarista, que intensificaram o uso do termo “traidora”.

Segundo a CNN Brasil, a principal preocupação da equipe de segurança é evitar que a hostilidade registrada nas redes sociais evolua para ameaças concretas. Por esse motivo, detalhes operacionais das mudanças adotadas não foram divulgados. A reportagem informa, no entanto, que houve alterações em trajetos, horários e outros protocolos internos utilizados pelos agentes responsáveis pela proteção da ex-primeira-dama.

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