Vanderlan diz acreditar em 3ª via e aposta em entregas na disputa pelo Senado
Em entrevista ao O HOJE, senador afirma que vê espaço para crescimento do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e aposta que eleição nacional irá refletir nas disputas estaduais
O senador Vanderlan Cardoso (PSD) visitou o Grupo O HOJE na última sexta-feira (17) e participou do programa “Momento Político”. Em entrevista conduzida pelos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa, o parlamentar avalia que a disputa pela Presidência da República ainda reserva espaço para mudanças no cenário eleitoral, analisa as disputas majoritárias em Goiás e trata sobre as pautas que tramitam no Senado Federal.
Durante a conversa, o parlamentar afirma que o eleitorado ainda busca uma alternativa aos dois principais nomes colocados na corrida ao Palácio do Planalto e defende que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) reúne as condições para ocupar esse espaço. Segundo Vanderlan, o ambiente eleitoral deste ano é diferente em razão da maior influência das redes sociais e pelo comportamento do eleitor, que, na avaliação do senador, demonstra resistência aos polos já consolidados.
“Vejo que ainda há espaço para uma terceira via. É nisso que estamos trabalhando e torcendo para que aconteça, porque a maioria do eleitorado não quer nem um nem outro dos nomes apresentados. Está esperando alguém que agrade no discurso, nas ações e que consiga provar que já fez aquilo que está prometendo”, afirma.
O senador também comenta os efeitos da queda de desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas. “Quando você pega a queda do Flávio, o voto não vai automaticamente para o Ronaldo, para o Renan [Santos] ou para o [Romeu] Zema. Geralmente esse eleitor vai para um campo neutro e fica observando. O que pode acontecer é uma migração em massa mais adiante, já vimos isso em outras eleições. Espero que isso aconteça e o ex-governador Ronaldo Caiado é quem melhor está se apresentando.”
Reflexos em Goiás
Na avaliação de Vanderlan, a eleição presidencial irá influenciar as disputas estaduais, mas pregou cautela na avaliação. O senador considera que o histórico dos pré-candidatos continuará tendo peso maior do que o simples alinhamento ideológico.
“[A eleição nacional] Tem reflexo, principalmente para o governo e para o Senado. Mas não basta depender de apoio político ou ideológico. Não é mais como antes, quando bastava alguém colocar a mão na cabeça de um candidato para elegê-lo. O eleitor observa quem tem serviço prestado”, destaca o pessedista.
Questionado sobre o levantamento mais recente da Paraná Pesquisas, que o coloca na segunda colocação na disputa pelo Senado, atrás apenas da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), Vanderlan atribui o desempenho ao trabalho desenvolvido durante o mandato.
“Isso é fruto do trabalho. O eleitor começou a observar o que foi feito. Temos atuação nos 246 municípios de Goiás. Qualquer cidade que você visitar encontrará alguma ação nossa. Além disso, apresentei e relatei projetos importantes para Goiás e para o Brasil”, frisa o senador.
Sobre a corrida ao Governo do Estado, Vanderlan reafirma apoio ao governador Daniel Vilela (MDB) e evita comparações com os demais pré-candidatos. “Não sou de ficar falando de candidato, eu defendo o meu candidato pelas qualidades que ele tem. Não fico procurando defeito. Daniel Vilela tem nos surpreendido positivamente e acredito na vitória dele já no primeiro turno. Acompanho os números e vejo um crescimento consistente nele”, diz.
O senador também rebate críticas de que teria se aproximado de pautas à esquerda por dialogar com o governo federal. “Confundem o apoio ao País. É preciso negociar para atender o Estado, atender os municípios e atender o País. Não adianta radicalizar, chegar gritando e colocando o pé na porta, é com diálogo e conversa que se consegue avançar. É preciso ter gente com equilíbrio”, destaca.
Autonomia do BC
Durante a entrevista, Vanderlan também trata sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia administrativa e financeira do Banco Central (BC), de sua autoria. O parlamentar explica que a proposta busca resolver problemas administrativos enfrentados pelo órgão, principalmente relacionados ao quadro de servidores.
“O Banco Central continuará prestando contas ao Senado. Não se trata de independência total. A proposta busca dar condições para que a instituição funcione melhor. Hoje há déficit de pessoal, dificuldades para remunerar adequadamente os servidores e uma estrutura insuficiente para fiscalizar mais de duas mil fintechs”, afirma.
Vanderlan lembra ainda da rejeição da chamada “emenda Master”, apresentada durante a tramitação da proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A emenda iria beneficiar o Banco Master e a Polícia Federal (PF) investiga se o texto foi elaborado por assessores diretos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Aquela emenda que foi divulgada para aumentar o valor do Fundo Garantidor, que os lobistas tentaram colocar, não era um jabuti, era um elefante. Eu disse para o relator: ‘Tira isso fora, Plínio [Azevedo, senador do PSDB]’. Tentaram colocar no projeto, mas não passou”, lembra o parlamentar.
“Nós temos que proteger o que é nosso. O PIX é nosso, foi invenção nossa, é do Banco Central, que fez todo projeto do PIX. E nós conseguimos colocar no mesmo projeto, também com a competência do relator, a proteção ao Banco Central e ao Pix”, diz Vanderlan.
Escala 6×1
Outro tema tratado durante a entrevista foi o fim da escala de trabalho 6×1, proposta que tramita no Senado. Vanderlan afirma ser favorável ao debate, mas defende que qualquer mudança venha acompanhada de medidas que reduzam os custos para empregadores.
“Sou favorável à discussão e à busca por alternativas. Defendo um modelo mais flexível, como o trabalho por hora. Vivi essa experiência quando tive empresa nos Estados Unidos. Mas o governo também precisa apresentar compensações, como redução dos encargos trabalhistas. Até agora isso não aconteceu”, destaca Vanderlan. O senador observa que já discute propostas com outros parlamentares para apresentar alternativas ao regime CLT.
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