segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Chile

Projeto no Chile propõe obrigar mulheres a ouvir batimentos cardíacos do feto antes do aborto legal

Proposta apresentada por deputados de direita reacende debate sobre os limites da interrupção da gravidez e divide parlamentares e entidades de defesa dos direitos das mulheres

Eduardo Silvapor em
Presidente do Chile, José Antonio Kast (Foto: Reprodução/ oficinapresidentekast
Presidente do Chile, José Antonio Kast (Foto: Reprodução/ oficinapresidentekast)

Um projeto de lei apresentado por seis deputados chilenos pretende alterar o Código de Saúde do país para obrigar mulheres que buscam um aborto legal a ouvir os batimentos cardíacos do feto antes da realização do procedimento. A proposta, que começou a tramitar no Congresso, provocou forte repercussão em um país onde a interrupção da gravidez é permitida apenas em casos de risco de vida para a gestante, estupro ou inviabilidade fetal.

O texto foi protocolado por parlamentares dos partidos Nacional Libertário (PNL), Republicano (PR) e Renovação Nacional (RN), alinhados à direita e à extrema direita. Autor da iniciativa, o deputado Cristóbal Urruticoechea defende que a medida amplia o direito à informação e contribui para que a mulher tome uma decisão consciente. A proposta, denominada “Escute o seu Coração”, sustenta que a atividade cardíaca do feto é um dado clínico objetivo que deve integrar o processo de consentimento informado para a realização do aborto.

Leia também: 

A iniciativa tem como referência legislações adotadas em países como Hungria e em alguns estados norte-americanos, entre eles Texas, Kentucky, Arizona, Geórgia e Mississippi. No Brasil, uma proposta semelhante foi apresentada em 2023 pelo então vereador Carlos Bolsonaro (PL), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas não avançou. O presidente chileno, José Antonio Kast, declarou que o projeto é uma iniciativa do Congresso e não integra a agenda do governo.

A proposta enfrenta forte resistência de integrantes da oposição e de organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres. A ex-ministra da Mulher Antonia Orellana classificou o texto como uma “crueldade legislativa” e questionou a obrigatoriedade em situações de gravidez inviável ou de risco para a gestante. A ONG Miles Chile também criticou a medida, afirmando que a exigência representa uma forma de coerção e revitimização das mulheres, contrariando os princípios de autonomia e consentimento informado.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Aborto Chile projeto

Veja também

ucrânia

CONFLITO RÚSSIA-UCRÂNIA

Ataque de drones da Ucrânia atinge Moscou durante eleição russa

Ofensiva atingiu a região da capital, danificou uma refinaria de petróleo e provocou evacuações ...
Abin

ELEIÇÕES 2026

Abin classifica como “crítico” risco de interferência dos EUA nas eleições de 2026

Relatório reservado foi enviado ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça e aponta escalada d...
Alemanha

ELEIÇÕES | ALEMANHA

Eleições na Alemanha colocam governo de Merz sob pressão

Votação em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ocorre em meio ao crescimento da AfD e à qu...
Zelensky

GUERRA NA UCRÂNIA

Zelensky aprova novas operações de longo alcance contra a Rússia

Presidente ucraniano afirmou que medida é uma resposta aos ataques russos e disse que país pretend...
Terremoto de magnitude 4,8 atinge região próxima a Santiago, no Chile

ABALO SÍSMICO

Terremoto de magnitude 4,8 atinge região próxima a Santiago, no Chile

Tremor ocorreu a 33 quilômetros da capital chilena e não deixou mortos, feridos ou danos à infrae...
Conselho de Segurança da ONU realiza terceira rodada para escolher sucessor de Guterres

ONU

Conselho de Segurança da ONU realiza terceira rodada para escolher sucessor de Guterres

Oito nomes seguem na disputa pelo comando da organização; resultado da votação secreta desta sex...
eua

EUA x Brasil

EUA condicionaram negociação com Brasil a exigências sobre eleições, Boeing e minerais

Documento entregue em outubro de 2025 reunia 21 pontos e foi rejeitado pelo governo brasileiro antes...
WhatsApp

Proibição

UE propõe proibir redes sociais para menores de 13 anos

Lei KIDS também prevê contas supervisionadas para adolescentes de 13 e 14 anos e novas exigências...