sexta-feira, 24 de julho de 2026
SAÚDE DA MULHER

Olho seco na menopausa pode ter causa hormonal que quase ninguém investiga; entenda

Pesquisadora explica que é a testosterona, e não o estrogênio, que sustenta o filme lacrimal; uma em cada duas mulheres na transição menopausal tem algum grau de desconforto ocular

Luana Avelarpor Luana Avelar em 24 de julho de 2026 às 18:01
Olho

Ardência, sensação de areia nos olhos e visão que embaça ao anoitecer costumam ser atribuídas ao cansaço ou às telas. Segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a causa raramente investigada é hormonal.

“O olho é um órgão-alvo hormonal e quem sustenta a lágrima na superfície ocular é a testosterona e não o estrogênio, como o senso comum supõe. Uma em cada duas mulheres na transição menopausal tem algum grau de desconforto ocular, e a queixa quase nunca aparece na consulta de climatério”, explica.

A lágrima tem três camadas: água, que hidrata; muco, que fixa essa água ao olho; e uma fina camada de óleo, que evita a evaporação. “Quando esse equilíbrio hormonal oscila na menopausa, o óleo muda de qualidade, o canal da glândula entope e a lágrima evapora mais rápido. É por isso que muitas mulheres lacrimejam justamente quando estão com olho seco, já que o olho tenta compensar produzindo mais água, que evapora de novo”, afirma Fabiane.

O exame que quase ninguém pede

O diagnóstico completo depende de dois exames: o teste de Schirmer, que mede a quantidade de lágrima, e o TBUT, que mede quanto tempo essa lágrima resiste antes de se romper. Segundo a pesquisadora, é o segundo, menos solicitado em rotina, que costuma revelar o problema real.

“O estrogênio, usado na terapia hormonal, melhora o volume de lágrima produzido, mas não estabiliza esse tempo de forma consistente. Quem faz isso é a camada de óleo, e ela responde à testosterona. Tratar olho seco pensando só em estrogênio é tratar metade do problema”, resume Fabiane.

Nutrição e suporte ao tratamento

Três frentes nutricionais têm respaldo científico como suporte ao tratamento: ômega-3, especialmente EPA, que melhora a qualidade da secreção oleosa; vitamina D, associada a um filme lacrimal mais estável; e vitamina A, matéria-prima do muco que fixa a lágrima ao olho.

Quando procurar ajuda

Merecem atenção médica a ardência ou sensação de areia nos olhos, visão que embaça e melhora ao piscar, piora ao fim do dia ou diante de telas, lacrimejamento paradoxal e desconforto ao usar lentes de contato antes bem toleradas.

“A mulher que enxerga mal ao anoitecer não precisa de paciência, precisa que a superfície ocular seja investigada como parte do climatério. O erro raramente é não tratar, mas é não perguntar”, conclui a pesquisadora.

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