Eleições 2026

Caiado oficializa candidatura com ataques a Lula e Flávio na busca pela 3ª via

Convenção do PSD confirma chapa com Gilberto Kassab, reúne governadores e transforma discurso contra a polarização no principal eixo da campanha presidencial do ex-governador de Goiás

Thiago Borgespor Thiago Borges em 26 de julho de 2026 às 16:33
Caiado oficializa candidatura com ataques a Lula e Flávio na busca pela 3ª via
Ao longo do discurso, Caiado voltou a colocar a segurança pública como a principal marca de sua candidatura | Foto: Divulgação/PSD

Na convenção que oficializou sua candidatura à Presidência da República neste domingo (26), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) dedicou-se a se apresentar como a terceira via, alternativa à polarização, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

A estratégia apareceu desde os primeiros minutos do discurso. Diante de militantes e lideranças do PSD reunidos em São Paulo, Caiado afirmou que o país está “sequestrado” pela disputa entre os dois grupos políticos que polarizam as disputas presidenciais desde 2018 e disse que pretende representar os brasileiros que não se identificam nem com o PT nem com o bolsonarismo. 

“Quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita, é ladrão”, afirmou Caiado, ao citar, na mesma sequência, escândalos como Mensalão, Petrolão, rachadinhas, o caso do Banco Master e as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ex-governador se descreveu como um candidato “que tem uma vida pregressa” e não se envolveu em “tantos escândalos que aconteceram durante todos esses anos”.

Caiado não economizou nas críticas direcionadas a Flávio. O pessedista ironizou o senador ao chamá-lo de “candidato Kinder Ovo, com uma surpresinha a cada dia”, numa referência às sucessivas crises enfrentadas pela campanha do liberal. Também criticou a postura de aliados do adversário diante das investigações conduzidas pelo Judiciário e disse que pretende fazer uma campanha baseada em propostas, e não em confrontos institucionais.

Na direção oposta, o presidenciável também responsabilizou Lula pelo agravamento da polarização. Acusou o petista de provocar conflitos diplomáticos “desnecessários”, especialmente na relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o governo federal deixa de discutir temas considerados prioritários para a população ao concentrar esforços em disputas ideológicas. 

Além disso, o pessedista afirmou que o país “não pode optar pelos maiores rejeitados da política nacional”. “Essa não é eleição de rejeitados. Não vamos garantir palanques para os rejeitados”, declarou. 

Ao longo do discurso, Caiado voltou a colocar a segurança pública como a principal marca de sua candidatura. Prometeu endurecer a legislação contra agressores de mulheres, estupradores e pedófilos, defender maior rigor no combate às facções criminosas e repetir nacionalmente o modelo adotado durante sua gestão em Goiás.

“Lá em Goiás, meu amigo, não tem MC Poze que fica dando tiro de fuzil, não. Não tem aqueles Oruam da vida que acham que estimulam a violência, não. O aluno lá é bem tratado nas salas de aula. Ali, sim, nós demos condições para eles terem uma educação de qualidade, profissionalizando os jovens e quase acabando com a evasão escolar”, disse o ex-governador.

A convenção também confirmou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente. Em seu discurso, o ex-prefeito de São Paulo afirmou que o partido apresenta “a melhor proposta para o momento”, e classificou Caiado como um político “inatacável” após quatro décadas de vida pública. 

O ex-governador retribuiu os elogios e afirmou que somente decidiu disputar o Planalto porque Kassab teve “coragem” de enfrentar “todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”. Além disso, Caiado afirmou que a decisão do União Brasil de não apoiar seu projeto nacional foi “uma frustração enorme”.

Lideranças

O ato político reuniu algumas das principais lideranças nacionais da legenda e aliados da base governista. Os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), subiram ao palco para defender a candidatura do ex-governador goiano. O ex-pré-candidato a presidente, Aldo Rebelo, também participou do evento. Ministro no governo Dilma Rousseff, Rebelo teve sua pré-candidatura barrada no Democracia Cristã. 

Leite afirmou que o Brasil precisa abandonar a política baseada em “destruir adversários” para voltar a discutir saúde, segurança pública e desenvolvimento econômico. Ratinho classificou Caiado como um líder de “estatura moral” capaz de recolocar o país “no rumo certo”. Entre os goianos, o governador Daniel Vilela (MDB) utilizou Goiás como vitrine da gestão do ex-governador, e destacou os resultados na segurança pública, na proteção social e na defesa do agronegócio.

Apesar disso, houve ausências de quadros de peso do partido na convenção, como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; o senador Otto Alencar (BA); e o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Lyra, Alencar e Paes irão apoiar a reeleição de Lula ao Planalto. Vale ressaltar que o PSD mantém uma estratégia de liberdade para seus diretórios estaduais, que permite os palanques regionais apoiarem candidatos diferentes à presidência.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Veja também