quarta-feira, 29 de julho de 2026
Relações internacionais

Lula e Xi Jinping defendem avanço do acordo entre Mercosul e China

Durante conversa telefônica, os presidentes também discutiram cooperação tecnológica, comércio bilateral, conflitos internacionais e atuação conjunta em fóruns globais

Thais Munizpor Thais Muniz em 27 de julho de 2026 às 09:36
mercosul
Xi Jiping e Lula conversaram por telefone na noite deste domingo (26/7) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone por mais de uma hora na noite deste domingo (26). Durante a ligação, os dois líderes defenderam a aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China, além de tratarem de cooperação tecnológica, comércio bilateral, conflitos internacionais e da atuação conjunta em organismos multilaterais.

Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto nesta segunda-feira (27), os presidentes concordaram sobre a necessidade de avançar nas negociações comerciais. “Ambos coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, que contemple as necessárias flexibilidades”, informou o governo federal.

Lula também reafirmou, durante a conversa, que o Brasil pretende ampliar a diversificação de mercados e de parceiros comerciais.

Leia também:

 

 

Cooperação em tecnologia e comércio

Além das negociações entre Mercosul e China, os presidentes discutiram o fortalecimento da cooperação em setores considerados estratégicos. Conforme o Planalto, os dois países pretendem ampliar iniciativas em inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.

O comunicado também destaca o desempenho do comércio bilateral e outras medidas voltadas ao relacionamento entre os países. “Destacamos também os bons resultados do comércio bilateral, bem como o impacto positivo das jornadas culturais em curso este ano nos dois países e do acordo para isenção de vistos de curta duração. Essas iniciativas vão ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio”, informou o governo brasileiro.

De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping declarou que a China apoia o Brasil “na rejeição da interferência externa” e afirmou que pretende fortalecer a coordenação estratégica entre os dois países nos âmbitos bilateral e multilateral.

A conversa ocorreu poucos dias após a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Apesar do contexto, o comunicado divulgado pelo Planalto não menciona diretamente os Estados Unidos, o presidente Donald Trump ou as tarifas como temas da ligação.

Guerra na Ucrânia, Gaza e atuação da ONU

Durante o telefonema, Lula e Xi também discutiram os principais conflitos internacionais. Segundo o Planalto, ambos lamentaram a continuidade das guerras e os impactos provocados sobre a segurança alimentar, a segurança energética e a economia mundial.

Ao abordar o Oriente Médio, os dois presidentes afirmaram que “as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos nefastos sobre a economia mundial”. O comunicado também registra que os líderes demonstraram “profunda preocupação com a continuidade da situação humanitária em Gaza”.

Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, Brasil e China avaliaram que o Grupo de Amigos da Paz pode contribuir para a retomada das negociações diplomáticas.

Os presidentes ainda criticaram a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das crises internacionais. Segundo a nota, ambos observaram que o próximo secretário-geral da ONU encontrará um cenário internacional desafiador.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também