segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Convenção Nacional do PL

Convenção divide avaliações sobre força de Flávio Bolsonaro

Wilder Morais afirma que senador do Rio saiu fortalecido e com condições de vencer, enquanto especialista avalia que evento confirmou candidatura, mas não produziu crescimento político

Bruno Goulartpor em
Flávio Bolsonaro
Saldo político da convenção ainda divide opiniões. Foto: Vittor Sales

Bruno Goulart

A convenção nacional do PL oficializou, no sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento foi planejado para dar novo fôlego à campanha, mobilizar a militância e demonstrar unidade depois das crises enfrentadas pelo partido e pela família Bolsonaro. No entanto, o saldo político da convenção ainda divide avaliações.

Para o presidente estadual do PL em Goiás, senador Wilder Morais, Flávio saiu fortalecido do encontro e com condições reais de disputar e vencer a eleição presidencial. Segundo o pré-candidato ao governo goiano, a oficialização da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou a união do partido, a mobilização dos apoiadores e a força da estrutura construída pela legenda nos Estados.

“A convenção mostrou que Flávio tem o apoio do partido, da nossa militância e de lideranças de diferentes regiões do País. A reaproximação com Michelle também foi muito importante, porque demonstra maturidade, união e compromisso com um projeto maior para o Brasil”, afirma Wilder ao O HOJE.

O senador goiano, que é pré-candidato ao Governo de Goiás, considera que o apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pode ampliar a capacidade de mobilização de Flávio, principalmente entre os eleitores conservadores, cristãos e o público feminino.

Michelle não participou presencialmente da convenção. Em um vídeo exibido durante o evento, afirmou que não pôde comparecer porque estava em casa para cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama pediu proteção para a candidatura de Flávio e desejou força à família do senador para cumprir a missão eleitoral.

A manifestação ocorreu depois de um conflito público entre Michelle e Flávio. Para aliados da ex-primeira-dama, a trégua foi motivada pela necessidade de preservar a família e evitar que o racha interno prejudicasse ainda mais a campanha. Apesar da ausência física, Wilder avalia que o gesto representa unidade.

Apoio do pai

Além disso, o presidente estadual do PL destaca que Flávio entra oficialmente na disputa com o apoio do pai, considerado a principal referência política da direita brasileira e o maior avalista da candidatura.

“Flávio sai da convenção maior, mais fortalecido e preparado para apresentar ao País uma alternativa ao atual governo. Ele tem o apoio do presidente Bolsonaro, conhece o Brasil e reúne condições reais de construir uma campanha competitiva e vencer as eleições”, declara Wilder.

Durante a convenção, a campanha apostou fortemente na imagem de Jair Bolsonaro. No telão, uma reprodução do ex-presidente feita com inteligência artificial apresentou Flávio como o escolhido para substituí-lo. Em seu discurso, o senador também fez diversas referências ao pai e se definiu como “o filho mais velho do capitão”.

O evento reuniu lideranças nacionais e internacionais. Entre os presentes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). Parlamentares, candidatos do partido e milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo também participaram.

Andou de lado

Por outro lado, o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé apresenta uma avaliação diferente. Para Zancopé, a convenção não fez Flávio crescer politicamente, mas também não reduziu sua força.

“Não saiu nem maior nem menor. Andou de lado”, resume Zancopé. Segundo o especialista, o senador poderia ter deixado o encontro fortalecido caso tivesse apresentado sinais de recuperação nas pesquisas e recebido uma demonstração mais expressiva de apoio de Michelle Bolsonaro.

Na avaliação de Zancopé, a participação da ex-primeira-dama somente por vídeo enfraqueceu a tentativa de demonstrar uma reconciliação completa. “É o famoso ‘apoio Wi-Fi’: a pessoa fica roteando o apoio, dizendo que está falando com conhecidos, mas não participa de fato. Isso pega mal”, avalia.

Outro ponto destacado pelo especialista é a ausência de novas alianças partidárias. Embora Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, tenham comparecido, as duas siglas não formalizaram apoio à candidatura presidencial do PL. “Flávio não conseguiu levar para a convenção nem o Republicanos nem o MDB. Esse é mais um fator que impede afirmar que ele saiu maior do evento”, analisa Zancopé.

Apesar das limitações, o especialista também não considera que Flávio tenha saído enfraquecido. Isso porque o senador conseguiu confirmar o próprio nome, superar resistências internas e avançar mais uma etapa do calendário eleitoral. “Bem ou mal, com maior ou menor força, conseguiu lançar o próprio nome. Minimamente, conseguiu sobreviver à convenção”, pontua. (Especial para O HOJE)

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