quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Convenção Nacional do PL

Convenção divide avaliações sobre força de Flávio Bolsonaro

Wilder Morais afirma que senador do Rio saiu fortalecido e com condições de vencer, enquanto especialista avalia que evento confirmou candidatura, mas não produziu crescimento político

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em
Flávio Bolsonaro
Saldo político da convenção ainda divide opiniões. Foto: Vittor Sales

Bruno Goulart

A convenção nacional do PL oficializou, no sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento foi planejado para dar novo fôlego à campanha, mobilizar a militância e demonstrar unidade depois das crises enfrentadas pelo partido e pela família Bolsonaro. No entanto, o saldo político da convenção ainda divide avaliações.

Para o presidente estadual do PL em Goiás, senador Wilder Morais, Flávio saiu fortalecido do encontro e com condições reais de disputar e vencer a eleição presidencial. Segundo o pré-candidato ao governo goiano, a oficialização da candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) demonstrou a união do partido, a mobilização dos apoiadores e a força da estrutura construída pela legenda nos Estados.

“A convenção mostrou que Flávio tem o apoio do partido, da nossa militância e de lideranças de diferentes regiões do País. A reaproximação com Michelle também foi muito importante, porque demonstra maturidade, união e compromisso com um projeto maior para o Brasil”, afirma Wilder ao O HOJE.

O senador goiano, que é pré-candidato ao Governo de Goiás, considera que o apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pode ampliar a capacidade de mobilização de Flávio, principalmente entre os eleitores conservadores, cristãos e o público feminino.

Michelle não participou presencialmente da convenção. Em um vídeo exibido durante o evento, afirmou que não pôde comparecer porque estava em casa para cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama pediu proteção para a candidatura de Flávio e desejou força à família do senador para cumprir a missão eleitoral.

A manifestação ocorreu depois de um conflito público entre Michelle e Flávio. Para aliados da ex-primeira-dama, a trégua foi motivada pela necessidade de preservar a família e evitar que o racha interno prejudicasse ainda mais a campanha. Apesar da ausência física, Wilder avalia que o gesto representa unidade.

Apoio do pai

Além disso, o presidente estadual do PL destaca que Flávio entra oficialmente na disputa com o apoio do pai, considerado a principal referência política da direita brasileira e o maior avalista da candidatura.

“Flávio sai da convenção maior, mais fortalecido e preparado para apresentar ao País uma alternativa ao atual governo. Ele tem o apoio do presidente Bolsonaro, conhece o Brasil e reúne condições reais de construir uma campanha competitiva e vencer as eleições”, declara Wilder.

Durante a convenção, a campanha apostou fortemente na imagem de Jair Bolsonaro. No telão, uma reprodução do ex-presidente feita com inteligência artificial apresentou Flávio como o escolhido para substituí-lo. Em seu discurso, o senador também fez diversas referências ao pai e se definiu como “o filho mais velho do capitão”.

O evento reuniu lideranças nacionais e internacionais. Entre os presentes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). Parlamentares, candidatos do partido e milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo também participaram.

Andou de lado

Por outro lado, o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé apresenta uma avaliação diferente. Para Zancopé, a convenção não fez Flávio crescer politicamente, mas também não reduziu sua força.

“Não saiu nem maior nem menor. Andou de lado”, resume Zancopé. Segundo o especialista, o senador poderia ter deixado o encontro fortalecido caso tivesse apresentado sinais de recuperação nas pesquisas e recebido uma demonstração mais expressiva de apoio de Michelle Bolsonaro.

Na avaliação de Zancopé, a participação da ex-primeira-dama somente por vídeo enfraqueceu a tentativa de demonstrar uma reconciliação completa. “É o famoso ‘apoio Wi-Fi’: a pessoa fica roteando o apoio, dizendo que está falando com conhecidos, mas não participa de fato. Isso pega mal”, avalia.

Outro ponto destacado pelo especialista é a ausência de novas alianças partidárias. Embora Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, tenham comparecido, as duas siglas não formalizaram apoio à candidatura presidencial do PL. “Flávio não conseguiu levar para a convenção nem o Republicanos nem o MDB. Esse é mais um fator que impede afirmar que ele saiu maior do evento”, analisa Zancopé.

Apesar das limitações, o especialista também não considera que Flávio tenha saído enfraquecido. Isso porque o senador conseguiu confirmar o próprio nome, superar resistências internas e avançar mais uma etapa do calendário eleitoral. “Bem ou mal, com maior ou menor força, conseguiu lançar o próprio nome. Minimamente, conseguiu sobreviver à convenção”, pontua. (Especial para O HOJE)

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