segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Eleições 2026

Presidenciáveis patinam para formar coligações rumo ao Palácio do Planalto 

Entre os 23 partidos com representação na Câmara dos Deputados, dez caminham para a neutralidade na disputa

Thiago Borgespor Thiago Borges em
Presidenciáveis patinam para formar coligações rumo ao Palácio do Planalto 
Com exceção de Lula, que manteve a coalizão de esquerda, candidatos enfrentam dificuldades para atrair partidos para os projetos eleitorais | Fotos: Gil Leonardi/Imprensa MG, Divulgação, Divulgação/Missão, Tânia Rêgo/ABr e Gabriel Pinheiro/CNI

A corrida pelo Palácio do Planalto já tem quatro candidatos oficialmente confirmados. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) foram aprovados nas convenções de suas respectivas legendas. No dia 2 de agosto, a convenção do PT oficializará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição. Apesar do avanço das candidaturas, um obstáculo é comum à maioria dos presidenciáveis: a dificuldade para construir coligações nacionais.

Dos 23 partidos com representação na Câmara dos Deputados, seis terão candidatos próprios à presidência. Apenas o Avante ainda não definiu quando será a convenção para oficializar Augusto Cury.

Entre os partidos, somente o PT de Lula possui uma aliança nacional consolidada. O petista repetirá a chapa de 2022 com Geraldo Alckmin (PSB) na vice e reunirá PSB, PDT, Federação PSOL-Rede e os aliados automáticos PCdoB e PV, que integram a federação partidária com os petistas. Flávio, Caiado, Zema, Renan e Cury seguem sem apoio formal de outra sigla.

Enquanto isso, a maior parte das legendas do Centrão caminha para a neutralidade. União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania, Podemos, PRD, Solidariedade e Democracia Cristã não devem apoiar oficialmente nenhum presidenciável. A tendência é liberar os diretórios estaduais para definir os apoios conforme as realidades políticas locais.

MDB neutro

O primeiro movimento concreto partiu do MDB. Em convenção realizada na última segunda-feira (27), o partido decidiu não lançar candidato ao Planalto, não integrar nenhuma chapa presidencial e liberar seus diretórios estaduais para firmar alianças de acordo com os interesses regionais.

No Republicanos, as conversas com o PL continuam. O PL tenta atrair a legenda para sua chapa e trabalha para ter como vice de Flávio a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. Já a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, se distancia da candidatura bolsonarista após o agravamento das divergências entre o candidato e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Caiado também busca o apoio da federação, mas enfrenta resistências internas. Diretórios do União Brasil e do PP no Nordeste defendem apoio à reeleição de Lula, o que contribui para que a federação libere os diretórios estaduais e mantenha uma posição de neutralidade na disputa nacional.

Cálculo estratégico

Para o professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, o cenário reflete menos uma rejeição aos candidatos e mais um cálculo estratégico dos partidos, especialmente do Centrão. Segundo o professor, como a disputa presidencial segue aberta e sem um favorito incontestável entre os adversários de Lula, as legendas preferem preservar a margem de negociação para o período pós-eleitoral.

“O Centrão não visualiza, neste momento, uma alternância de poder claramente definida. Por isso, evita assumir compromisso em uma chapa majoritária e prefere manter liberdade para construir alianças nos Estados e negociar depois das eleições”, afirma.

Na avaliação do cientista, além da incerteza sobre quem vencerá a disputa, pesa o interesse das legendas em fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional. O objetivo é ampliar o acesso aos recursos do fundo partidário, do fundo eleitoral e às emendas parlamentares.

“Esses partidos estão focados em eleger o maior número possível de deputados federais, senadores e governadores. Isso garante capacidade de negociação independentemente de quem vencer a presidência. Depois das eleições, eles poderão decidir se vale a pena participar do governo e em quais condições”, explica.

Mais vantajoso

Para Pietrafesa, o cálculo ajuda a explicar tanto a dificuldade dos presidenciáveis para atrair aliados quanto a demora na definição de candidatos a vice. “As legendas entendem que manter independência neste momento pode ser mais vantajoso do que assumir um compromisso antecipado. Hoje, o poder dos partidos não depende apenas de ocupar ministérios, mas também do controle de recursos orçamentários e da força das bancadas no Congresso”, conclui.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País

Eleições 2026

Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País

Cientistas políticos avaliam que escolha de reduto eleitoral para iniciar campanha presidencial per...
“O Gama é verde, Arruda é verde”, diz candidato ao GDF em 1º dia de campanha

ELEIÇÕES 2026

“O Gama é verde, Arruda é verde”, diz candidato ao GDF em 1º dia de campanha

Ex-governador começou o dia com missa no SIA e terminou no estádio do Gama, onde relembrou obras d...
Marconi

CORRIDA PELO GOVERNO

“Vamos vencer estas eleições”, afirma Marconi ao lançar campanha em Goianésia (GO)

Ex-governador apresentou propostas e disse que pretende retomar investimentos em saúde, educação,...
daniel vilela

ELEIÇÕES 2026

“O Entorno será a região mais forte de Goiás”, diz Daniel Vilela ao defender continuidade no primeiro dia de campanha

Governador percorreu seis cidades do Entorno do DF ao lado de Ronaldo Caiado e apresentou segurança...
Marconi

CORRIDA PELO GOVERNO

“Haverá segundo turno, com toda certeza”, afirma Marconi em Rio Verde (GO)

Tucano iniciou campanha ao Governo de Goiás neste domingo (16) e apresentou propostas para saúde, ...
Campanha

Eleição

Campanha eleitoral de 2026 começa neste domingo (16)

Início oficial da campanha libera atos de rua e propaganda na internet, enquanto horário eleitoral...
Lula

Eleição

Lula inicia campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (SP)

Presidente abriu campanha à reeleição em São Bernardo do Campo com discurso sobre segurança pú...
celina leão

EM BRASÍLIA

Celina Leão inicia campanha ao GDF em Ceilândia ao lado de Michelle Bolsonaro

Governadora escolheu a maior região administrativa do DF para abrir oficialmente a disputa pela ree...