quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Eleições 2026

Presidenciáveis patinam para formar coligações rumo ao Palácio do Planalto 

Entre os 23 partidos com representação na Câmara dos Deputados, dez caminham para a neutralidade na disputa

Thiago Borgespor em
Presidenciáveis patinam para formar coligações rumo ao Palácio do Planalto 
Com exceção de Lula, que manteve a coalizão de esquerda, candidatos enfrentam dificuldades para atrair partidos para os projetos eleitorais | Fotos: Gil Leonardi/Imprensa MG, Divulgação, Divulgação/Missão, Tânia Rêgo/ABr e Gabriel Pinheiro/CNI

A corrida pelo Palácio do Planalto já tem quatro candidatos oficialmente confirmados. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) foram aprovados nas convenções de suas respectivas legendas. No dia 2 de agosto, a convenção do PT oficializará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição. Apesar do avanço das candidaturas, um obstáculo é comum à maioria dos presidenciáveis: a dificuldade para construir coligações nacionais.

Dos 23 partidos com representação na Câmara dos Deputados, seis terão candidatos próprios à presidência. Apenas o Avante ainda não definiu quando será a convenção para oficializar Augusto Cury.

Entre os partidos, somente o PT de Lula possui uma aliança nacional consolidada. O petista repetirá a chapa de 2022 com Geraldo Alckmin (PSB) na vice e reunirá PSB, PDT, Federação PSOL-Rede e os aliados automáticos PCdoB e PV, que integram a federação partidária com os petistas. Flávio, Caiado, Zema, Renan e Cury seguem sem apoio formal de outra sigla.

Enquanto isso, a maior parte das legendas do Centrão caminha para a neutralidade. União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania, Podemos, PRD, Solidariedade e Democracia Cristã não devem apoiar oficialmente nenhum presidenciável. A tendência é liberar os diretórios estaduais para definir os apoios conforme as realidades políticas locais.

MDB neutro

O primeiro movimento concreto partiu do MDB. Em convenção realizada na última segunda-feira (27), o partido decidiu não lançar candidato ao Planalto, não integrar nenhuma chapa presidencial e liberar seus diretórios estaduais para firmar alianças de acordo com os interesses regionais.

No Republicanos, as conversas com o PL continuam. O PL tenta atrair a legenda para sua chapa e trabalha para ter como vice de Flávio a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques. Já a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, se distancia da candidatura bolsonarista após o agravamento das divergências entre o candidato e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Caiado também busca o apoio da federação, mas enfrenta resistências internas. Diretórios do União Brasil e do PP no Nordeste defendem apoio à reeleição de Lula, o que contribui para que a federação libere os diretórios estaduais e mantenha uma posição de neutralidade na disputa nacional.

Cálculo estratégico

Para o professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, o cenário reflete menos uma rejeição aos candidatos e mais um cálculo estratégico dos partidos, especialmente do Centrão. Segundo o professor, como a disputa presidencial segue aberta e sem um favorito incontestável entre os adversários de Lula, as legendas preferem preservar a margem de negociação para o período pós-eleitoral.

“O Centrão não visualiza, neste momento, uma alternância de poder claramente definida. Por isso, evita assumir compromisso em uma chapa majoritária e prefere manter liberdade para construir alianças nos Estados e negociar depois das eleições”, afirma.

Na avaliação do cientista, além da incerteza sobre quem vencerá a disputa, pesa o interesse das legendas em fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional. O objetivo é ampliar o acesso aos recursos do fundo partidário, do fundo eleitoral e às emendas parlamentares.

“Esses partidos estão focados em eleger o maior número possível de deputados federais, senadores e governadores. Isso garante capacidade de negociação independentemente de quem vencer a presidência. Depois das eleições, eles poderão decidir se vale a pena participar do governo e em quais condições”, explica.

Mais vantajoso

Para Pietrafesa, o cálculo ajuda a explicar tanto a dificuldade dos presidenciáveis para atrair aliados quanto a demora na definição de candidatos a vice. “As legendas entendem que manter independência neste momento pode ser mais vantajoso do que assumir um compromisso antecipado. Hoje, o poder dos partidos não depende apenas de ocupar ministérios, mas também do controle de recursos orçamentários e da força das bancadas no Congresso”, conclui.

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