quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Alimentos e energia devem ficar mais caros em Goiás com pico do El Niño

Agropecuária pode ter aumento nos custos e queda na produção e estiagem deve pressionar hidrelétricas

João Césarpor João César em 30 de julho de 2026 às 18:34
El Niño
Orçamento de famílias será impactado com mudanças climáticas, segundo economista - Foto: Tânia Rêgo/ABr

Com o início do segundo semestre, os efeitos do El Ninõ começam a chegar em seu pico. Em Goiás, o fenômeno deve ser sentido entre os meses de setembro e novembro. O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) explica que no Centro-Oeste, existe a possibilidade de ondas de calor e atraso no início do período chuvoso.

Essas mudanças climáticas podem pressionar diversos setores, desde os alimentos até a energia elétrica. No caso dos alimentos, o governo federal identificou riscos para a safra de arroz e milho nos próximos meses. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o presidente Lula falou sobre essa questão em reunião na última quarta-feira (29).

No caso da energia, a União deve recorrer a termelétricas devido a possibilidade de secas e escassez de água em reservatórios, com queda de geração de usinas hidrelétricas. As medidas de contenção do governo federal aos impactos do El Niño devem custar algo próximo a R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos.

Segundo a economista Greice Guerra, o impacto climático deve chegar em pressões inflacionárias, afetando desde o setor produtivo até o orçamento das famílias. “Qualquer mudança no clima afeta diretamente a economia”, explica ao O HOJE.

Essa instabilidade climática atinge a agropecuária. A estiagem prolongada ameaça a oferta de grãos como soja, milho e feijão, além de prejudicar as pastagens e a pecuária. Com safras menores e aumento no custo da pecuária, o aumento no preço dos alimentos se torna uma possibilidade. “Uma vez diminuindo a oferta desses grãos, nós vamos ter elevação de preços e o produtor será obrigado a repassar esses custos aos consumidores finais”, analisa a economista.

Para o assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Lucas Lopes, a irregularidade das chuvas e a persistência de temperaturas acima da média são os principais fatores de risco para o início da safra de verão em Goiás, afetando diretamente o estabelecimento da soja e milho segunda safra.

“O sucesso da semeadura da soja depende da ocorrência de chuvas regulares e bem distribuídas, capazes de assegurar umidade adequada no perfil do solo para uma germinação uniforme e o pleno estabelecimento das lavouras”, aponta o especialista.

No caso do milho segunda safra, os impactos são sentidos de forma indireta. O atraso no plantio da soja tende a atrasar sua colheita e reduzir a janela ideal de semeadura do milho, sendo plantado em períodos de maior risco climático.

O assessor técnico da Faeg também explica que o impacto do El Niño não se limita às grandes culturas. “O segmento hortifrutigranjeiro apresenta elevada sensibilidade às variações de temperatura e disponibilidade hídrica. Mesmo antes da intensificação prevista do El Niño, a redução das chuvas observada ao longo do primeiro semestre já vem impactando a oferta de diversos produtos”, destaca.

A pecuária também sofre impactos indiretos das mudanças climáticas. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Goiás (Sindcarne), Leandro Luiz Stival, disse ao O HOJE que o principal impacto para o setor é sobre os custos de produção.

“Se as condições climáticas forem severas e persistentes, pode haver aumento nos custos de alimentação e manejo dos animais, o que pode influenciar os preços ao longo da cadeia. Ainda assim, o abastecimento do mercado interno tende a permanecer normal”, comenta.

Impacto consumidor

Nesse cenário de elevação de custos, a economista Greice Guerra destaca que o planejamento das famílias é impactado. “O orçamento das famílias fica comprometido, e elas se veem obrigadas a reduzir o consumo ou optar por produtos similares, como substituir a proteína animal por proteína vegetal”.

Além da alimentação, as contas de luz também ficam mais caras no clima seco. Em outubro de 2025, a Equatorial Goiás registrou alta  de 14% no consumo,atingindo média de 240 kWh por unidade consumidora. Na época, Goiás passava por ondas de calor e várias cidades marcaram 40°C. 


“A energia mais cara aumenta os custos de produção, o que no final acaba impactando também os bens de consumo finais e os serviços”, acrescenta a economista.

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