Correios entram em greve em todo o Brasil nesta sexta-feira (11)
Paralisação por tempo indeterminado foi aprovada após negociações entre trabalhadores e empresa terminarem sem acordo; Goiás está entre os estados com adesão
Trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), após sindicatos de diferentes regiões do país aprovarem a paralisação. Em Goiás, o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios e Telégrafos (Sintect-GO) está entre as entidades que aderiram ao movimento.
A decisão foi tomada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), conforme informou a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect). A entidade afirma que a paralisação ocorre depois de as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo.
Os Correios informaram que colocaram em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir possíveis impactos aos clientes durante a greve. Entre as medidas citadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e mudanças logísticas para manter a regularidade das entregas.
Goiás está entre as regiões que aderiram
O Sintect-GO aparece na lista de sindicatos que aprovaram a paralisação. A relação divulgada pela Findect inclui entidades de todos os estados brasileiros, além de sindicatos que representam regiões específicas, como Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Santa Maria, Uberaba e Vale do Paraíba.
Ao todo, a relação inclui 36 entidades sindicais. No Acre, a assembleia estava prevista para ocorrer nesta sexta-feira (11), enquanto as demais organizações listadas já haviam deliberado sobre a paralisação.
Ainda não há, no material divulgado, um detalhamento sobre o funcionamento de cada agência dos Correios em Goiás durante a greve. A informação disponível indica a adesão do sindicato goiano ao movimento.
Na Paraíba, por exemplo, o presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, informou que somente os serviços administrativos internos estavam funcionando durante a paralisação. O funcionamento em outras regiões, porém, não havia sido detalhado.
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Plano de saúde é um dos principais impasses
Entre os pontos que dificultaram o acordo está o plano de saúde dos empregados dos Correios. A Findect afirma que a direção da empresa pretende alterar o benefício, considerado pela categoria um dos principais temas das negociações.
A federação também afirma que ocorreram sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Mesmo assim, trabalhadores e empresa não chegaram a um consenso.
Os Correios apresentam uma versão diferente sobre o resultado das negociações. Em nota, a empresa afirmou que apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.
A estatal também declarou que a proposta previa reajuste equivalente a 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.
“A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada”, afirmaram os Correios na nota.
Greve ocorre durante crise financeira
A paralisação acontece enquanto os Correios enfrentam uma sequência de resultados financeiros negativos. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de prejuízo. No primeiro semestre de 2026, o resultado negativo chegou a R$ 5,6 bilhões.
O prejuízo do segundo trimestre, entretanto, foi inferior ao registrado no primeiro trimestre de 2026 e no quarto trimestre de 2025. O primeiro trimestre deste ano teve o maior prejuízo da história da empresa, conforme os dados apresentados no material.
Paralelamente, os Correios aguardam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A previsão é que os recursos sejam recebidos até 15 de setembro. O financiamento deve envolver um consórcio formado pelo Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul.
O novo crédito já havia sido confirmado pela estatal nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto.
Enquanto a greve segue por tempo indeterminado, os Correios afirmam que adotaram medidas para manter as operações e reduzir eventuais impactos aos clientes. A categoria, por outro lado, mantém a paralisação após o encerramento das negociações sem acordo.
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