Espanha envia militares após invasão em massa de migrantes na fronteira com Marrocos
Centenas de pessoas entraram em Ceuta após romperem barreiras na divisa; governo mobiliza Exército e amplia efetivo policial na região
A cidade espanhola de Ceuta, território localizado no norte da África e separado do restante da Espanha pelo Mar Mediterrâneo, voltou a enfrentar uma intensa pressão migratória nesta quinta-feira (30). A entrada de centenas de pessoas vindas do Marrocos levou o governo espanhol a adotar medidas emergenciais para reforçar a segurança da fronteira.
De acordo com autoridades espanholas, militares e novos agentes das forças de segurança foram enviados para auxiliar a Guarda Civil, que enfrentou dificuldades para conter o avanço dos migrantes.
Imagens registradas no local mostram pessoas atravessando o mar com boias e outros equipamentos de flutuação, enquanto outro grupo conseguiu acessar a cidade depois de romper um dos portões da cerca que separa os dois territórios.
Embora ainda não exista um balanço oficial, a emissora pública TVE informou que entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram cruzar a fronteira. A Reuters informou que não conseguiu confirmar esse número de forma independente.
Governo amplia operação na fronteira
O Ministério do Interior anunciou o envio de três pelotões, cada um com 20 militares, além de uma equipe especializada em mergulho e uma embarcação militar. Paralelamente, o contingente das unidades especiais de intervenção da polícia será ampliado para alcançar 200 agentes.
Antes mesmo da decisão do governo central, a administração regional de Ceuta já havia solicitado a participação do Exército para reforçar o controle da fronteira e conter novas entradas.
Comércio fecha as portas por medo de novos confrontos
A movimentação provocou preocupação entre moradores e comerciantes da cidade. Diversos estabelecimentos permaneceram fechados ao longo do dia diante do receio de distúrbios.
Um empresário ouvido pela Reuters afirmou que decidiu não abrir a loja para priorizar a segurança da família e do patrimônio. Segundo ele, poucas horas após a cerca ser rompida, centenas de migrantes já circulavam pela região central.
Ceuta, ao lado de Melilla, forma as duas únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano. As cidades registram, periodicamente, aumento nas tentativas de entrada irregular de migrantes que buscam chegar ao território europeu.
A situação também reacendeu o debate político no país. Partidos de oposição responsabilizaram o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pela crise e criticaram a política migratória adotada pelo Executivo, incluindo um programa recente voltado à regularização de imigrantes sem documentação.
Em resposta às críticas, Sánchez afirmou que seu governo está concentrado em restabelecer a normalidade em Ceuta e adotar medidas para controlar a situação o mais rapidamente possível.
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