BC acende alerta sobre petróleo e gastos públicos mesmo com inflação em queda
Inflação desacelera, mas BC aponta dois riscos que podem manter juros altos
O Banco Central identificou uma desaceleração da inflação nos últimos meses, mas manteve a avaliação de que os preços ainda exigem atenção. A autoridade monetária também apontou riscos relacionados aos gastos públicos e à alta do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
As avaliações aparecem na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. Na ocasião, o Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. Esse foi o quarto corte consecutivo dos juros básicos.
Apesar da redução, o juro brasileiro continua entre os mais altos do mundo em termos reais, segundo levantamento citado no documento.
Além disso, o Copom não indicou qual será o próximo movimento da Selic. A próxima reunião está marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Dessa forma, o Banco Central deixou a decisão em aberto e deverá considerar os dados disponíveis até o encontro.

Inflação melhora, mas ainda preocupa
Segundo o Banco Central, os preços ao consumidor apresentaram desaceleração nos últimos meses. No entanto, a inflação continua acima do limite superior da meta.
O sistema de metas estabelece um objetivo central de 3%. A inflação será considerada dentro da faixa quando ficar entre 1,5% e 4,5%.
As projeções do mercado financeiro também permanecem acima da meta central. Para 2026, a estimativa é de inflação de 5,02%. Para 2027, a previsão está em 4,22%. Já para 2028, o mercado projeta 3,80%.
Nesse cenário, o Copom afirmou que continuará acompanhando os indicadores antes de definir os próximos passos da política monetária.
O Banco Central também destacou que os efeitos das mudanças na Selic sobre a economia aparecem com defasagem. Segundo a instituição, a política monetária pode levar de seis a 18 meses para produzir seus efeitos completos sobre a atividade e os preços.

Gastos públicos entram no radar do Banco Central
Outro ponto destacado na ata foi o impacto da política fiscal sobre a inflação.
O Banco Central avaliou que os gastos públicos podem estimular a demanda e, consequentemente, pressionar os preços. Além disso, a autoridade monetária afirmou que o aumento das despesas pode afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e influenciar as taxas de juros futuras.
Nesse contexto, o Copom afirmou que uma política fiscal capaz de reduzir riscos e contribuir para a sustentabilidade das contas públicas favorece a convergência da inflação para a meta.
O Banco Central também citou o risco de aumento da taxa de juros considerada neutra para a economia caso haja perda de ritmo nas reformas estruturais, menor disciplina fiscal, expansão do crédito direcionado ou incertezas sobre a estabilização da dívida.
A avaliação ocorre enquanto o governo federal mantém a promessa de realizar ajustes nas contas públicas nos próximos anos para cumprir as metas fiscais.
Petróleo adiciona pressão ao cenário
Além das contas públicas, o Banco Central chamou atenção para os chamados choques de oferta.
A alta do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio aparece entre os fatores capazes de pressionar a inflação. O aumento do preço da commodity pode afetar diretamente os custos de combustíveis e, posteriormente, atingir outros setores da economia.
O Copom afirmou que não pretende reagir automaticamente aos efeitos iniciais de choques desse tipo. Entretanto, a autoridade monetária pretende acompanhar possíveis efeitos secundários sobre os preços.
Caso esses efeitos se consolidem, o Banco Central poderá considerar medidas para evitar que a pressão se espalhe pela economia.
Assim, o cenário externo continua sendo um dos fatores observados pelo Copom. A instituição citou ainda as incertezas sobre os conflitos no Oriente Médio e sobre a política monetária das economias desenvolvidas.
Próxima decisão sobre a Selic segue em aberto
Ao reduzir a Selic para 14% ao ano, o Copom manteve o ciclo de cortes iniciado anteriormente. Entretanto, a ata não antecipou qual será a decisão de setembro.
O Banco Central afirmou que o ritmo dos próximos ajustes dependerá da evolução do cenário econômico. A instituição também destacou que os riscos atuais permanecem elevados e exigem cautela na condução da política monetária.
No cenário doméstico, o Copom identificou uma moderação da atividade econômica. Indicadores recentes apontaram desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, com movimentos tanto pelo lado da oferta quanto da demanda.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho continua no radar da autoridade monetária. O Banco Central afirmou que acompanha a relação entre os níveis de ocupação, os rendimentos dos trabalhadores e a formação dos preços.
Dessa forma, a próxima decisão sobre os juros dependerá da evolução da inflação, das expectativas para os preços, da atividade econômica, do mercado de trabalho, das contas públicas e do cenário internacional.
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