sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Operação PCGO

PCGO investiga fraude milionária com supostos investimentos em criptoativos

Operação cumpriu mandados em Goiás, São Paulo e Minas Gerais; investigação aponta ao menos nove vítimas e prejuízo superior a R$ 3 milhões.

Renata Ferrazpor em
PCGO investiga fraude milionária com supostos investimentos em criptoativos
Divulgação

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta terça-feira (11), uma operação para desarticular um grupo investigado por fraudes financeiras e possível lavagem de dinheiro por meio de uma falsa plataforma de investimentos em criptoativos. A ação foi conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF).

As diligências ocorreram simultaneamente em São Paulo e Minas Gerais, com apoio das polícias civis dos dois estados. Foram cumpridas ordens judiciais nas cidades de São Paulo, Santo André e Belo Horizonte.

Ao todo, os investigadores cumpriram três mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores relacionados a 87 pessoas físicas e jurídicas. A medida tem como objetivo evitar que os recursos sejam ocultados ou transferidos e preservar valores que possam ser utilizados no ressarcimento das vítimas.

Vítimas eram atraídas pelas redes sociais

Segundo a investigação, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para encontrar possíveis investidores. As vítimas eram direcionadas para grupos nos quais os integrantes se apresentavam como especialistas, professores ou assessores de investimentos.

Nesses espaços, os suspeitos ofereciam supostas oportunidades de investimento em criptoativos e prometiam rendimentos elevados. Convencidas pela abordagem, as vítimas realizavam sucessivas transferências bancárias para contas indicadas pelos investigados.

O problema começava quando os investidores tentavam retirar o dinheiro. De acordo com a Polícia Civil, os valores ficavam bloqueados e as vítimas eram informadas de que precisariam realizar novos pagamentos para liberar os recursos.

Entre as justificativas apresentadas estavam a cobrança de cauções, taxas, auditorias e outras supostas exigências. Em alguns casos, as vítimas realizavam novos depósitos acreditando que conseguiriam recuperar o dinheiro inicialmente investido.

Até o momento, pelo menos nove vítimas foram identificadas. O prejuízo estimado já ultrapassa R$ 3 milhões.

Investigação acompanha caminho do dinheiro

Além de identificar a forma utilizada para atrair as vítimas, os investigadores passaram a analisar o caminho percorrido pelos valores depois que eram transferidos.

A apuração busca identificar pessoas físicas e empresas que teriam sido utilizadas para receber e movimentar o dinheiro, além de possíveis intermediadores financeiros e estruturas relacionadas ao mercado de criptoativos.

Segundo a Polícia Civil, o esquema apresenta uma estrutura financeira considerada complexa, com participação de empresas do setor de pagamentos, negócios com características de fintechs e companhias que atuam na negociação ou intermediação de criptoativos.

As diligências incluíram endereços empresariais localizados em regiões como Morumbi, Avenida Paulista e Higienópolis, em São Paulo, além de outros imóveis relacionados aos investigados.

Arma é apreendida durante operação

Durante o cumprimento de uma das medidas judiciais, os policiais encontraram uma arma de fogo em poder de um dos alvos. A situação levou à prisão em flagrante do investigado por posse ou porte irregular, conforme a circunstância constatada no local.

Também foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais que poderão auxiliar na investigação. O conteúdo será submetido à análise dos investigadores para identificar novas informações sobre a movimentação financeira e a atuação dos suspeitos.

A Polícia Civil continua a apuração para reconstruir o fluxo dos valores, definir a participação individual de cada investigado e verificar a existência de outros integrantes e possíveis vítimas do esquema.

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