quinta-feira, 13 de agosto de 2026
CRIME DESARTICULADO

Operação Mão Fantasma: PCGO mira grupo que aplicava golpe do falso SMS bancário no Rio de Janeiro

Operação cumpriu 23 medidas cautelares em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí; investigação começou após idosa de Goiânia perder R$ 32 mil

Luma Silveirapor Luma Silveira em
Operação Mão Fantasma: PCGO mira grupo que aplicava golpe do falso SMS bancário no Rio de Janeiro
Operação Mão Fantasma, que desarticulou grupo suspeito de aplicar golpes com falso SMS bancário e movimentar dinheiro de vítimas no Rio de Janeiro.L | Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Mão Fantasma para desarticular uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. A investigação, conduzida pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF/DEIC), identificou um esquema que utilizava uma técnica conhecida como spoofing para mascarar mensagens de texto e fazer com que os golpes aparecessem para as vítimas dentro do próprio histórico de comunicação do banco. A ação contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB/DIOPI/SENASP), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), responsável pelo suporte operacional para o cumprimento das medidas na Região Metropolitana do Rio.

Ao todo, foram cumpridas 23 medidas cautelares, sendo 11 mandados de prisão temporária, 11 mandados de busca e apreensão domiciliar e ordens judiciais para bloqueio e sequestro de bens e valores. As ações ocorreram em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e mobilizaram mais de 50 policiais civis de Goiás e do estado fluminense. A investigação começou depois que uma idosa de 68 anos, moradora de Goiânia, foi vítima do golpe e teve um prejuízo inicial de aproximadamente R$ 32 mil. A partir da análise do caso, os investigadores conseguiram identificar a estrutura utilizada pelos criminosos e avançar sobre outras pessoas envolvidas na movimentação dos valores.

Criminosos mascaravam número do banco

Segundo a investigação, o primeiro passo do golpe era o envio de uma mensagem SMS fraudulenta que utilizava o número institucional da própria instituição financeira. A técnica de spoofing permitia que a mensagem aparecesse mascarada e fosse visualizada no mesmo histórico em que a vítima já havia recebido comunicações legítimas do banco, aumentando a aparência de autenticidade e reduzindo a desconfiança. O conteúdo levava a vítima a acessar um link e fornecer informações ou códigos de autenticação que, posteriormente, eram utilizados pelos criminosos para assumir o controle da conta bancária.

A partir da obtenção desses dados, os integrantes do grupo conseguiam acessar as contas e movimentar os recursos sem que as vítimas necessariamente percebessem imediatamente o que estava acontecendo. O dinheiro era retirado e distribuído rapidamente para dezenas de contas utilizadas por terceiros, os chamados “laranjas”, numa estratégia destinada a dificultar a identificação da origem e do destino dos valores. De acordo com a apuração, a pulverização ocorria em poucos minutos, criando uma cadeia de movimentações que dificultava o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.

Dinheiro era pulverizado para dificultar rastreamento

Além da retirada dos valores das contas das vítimas, a organização utilizava uma segunda etapa para ocultar o dinheiro obtido com as fraudes. Parte dos recursos era devolvida de maneira fracionada ao líder do esquema e, posteriormente, encaminhada para uma nova camada de contas. A estratégia, descrita na investigação como uma espécie de “smurfing invertido”, tinha como objetivo criar uma sequência de transferências capaz de dificultar a reconstrução do caminho percorrido pelo dinheiro.

Um dos principais investigados chegou a movimentar aproximadamente R$ 100 mil em poucos dias, segundo a Polícia Civil. A análise financeira foi fundamental para que os investigadores conseguissem estabelecer vínculos entre os participantes e identificar a circulação dos recursos obtidos por meio das fraudes. Com o avanço da investigação, a Polícia Civil de Goiás chegou a integrantes que atuavam principalmente na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, embora o grupo apresentasse uma dinâmica de atuação com alcance em diferentes partes do país.

O delegado Thiago César de Oliveira Silva, responsável pela operação, afirmou que o grupo havia aperfeiçoado técnicas de engenharia social para conferir aparência de legitimidade às mensagens fraudulentas e explorar a confiança das vítimas nas instituições financeiras. “A Operação Mão Fantasma é uma resposta firme e estratégica contra a evolução das fraudes cibernéticas. Os criminosos aperfeiçoaram a engenharia social usando o mascaramento de SMS para dar uma falsa aparência de legitimidade e enganar vítimas vulneráveis, como idosos”, afirmou.

Segundo o delegado, a integração entre as forças de segurança foi fundamental para alcançar tanto os operadores do esquema quanto o patrimônio relacionado às atividades criminosas. “O trabalho minucioso da Polícia Civil de Goiás, somado ao suporte técnico fundamental do CIBERLAB e à parceria com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, permitiu não apenas prender os operadores do esquema, mas também bloquear o patrimônio ilícito para buscar o ressarcimento das vítimas”, completou.

Operação também busca recuperar dinheiro das vítimas

Além das prisões e das buscas, a ofensiva policial teve como objetivo atingir financeiramente a estrutura da organização. As ordens de bloqueio e sequestro de bens e valores fazem parte da estratégia para impedir que os recursos obtidos com os golpes continuem circulando e, posteriormente, possibilitar a recuperação dos valores desviados, conforme o avanço das medidas judiciais. A operação demonstra uma atuação voltada não apenas à identificação dos responsáveis pela execução dos golpes, mas também da rede financeira utilizada para ocultar e movimentar o dinheiro.

Os investigados são apontados como responsáveis por crimes que incluem furto qualificado mediante fraude eletrônica contra pessoa idosa, associação criminosa e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Conforme as tipificações apresentadas pela Polícia Civil, as penas máximas abstratas dos crimes atribuídos ao grupo podem, somadas, ultrapassar 21 anos de reclusão, além de multas no caso do crime de lavagem de dinheiro.

Investigação começou após golpe em Goiânia

A investigação teve início após o registro do caso de uma idosa de 68 anos, em Goiânia, que perdeu inicialmente R$ 32 mil. A partir da ocorrência, os policiais passaram a analisar a forma como os criminosos haviam conseguido acesso à conta e seguiram o caminho percorrido pelos recursos após a retirada do dinheiro.

O trabalho permitiu identificar não apenas o método utilizado para enganar a vítima, mas também a estrutura montada para receber e pulverizar os valores. A apuração apontou que os integrantes atuavam de maneira organizada, utilizando diferentes contas bancárias para fragmentar as quantias e dificultar a identificação dos responsáveis. A partir do rastreamento financeiro e das informações obtidas durante a investigação, os policiais chegaram aos alvos que estavam na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

PCGO alerta para golpes com SMS

A Polícia Civil de Goiás e o Ministério da Justiça e Segurança Pública reforçam que os consumidores devem desconfiar de mensagens recebidas por SMS que solicitem acesso a links, atualização de dados ou fornecimento de códigos de segurança. Um dos principais alertas da Operação Mão Fantasma é justamente o fato de que o SMS fraudulento pode aparecer dentro do histórico legítimo de mensagens de uma instituição financeira, o que não significa que o conteúdo seja verdadeiro.

A orientação é não clicar em links recebidos por SMS, mesmo quando a mensagem aparentar ter sido enviada pelo banco. Também é importante não fornecer códigos de autenticação, senhas ou outras informações bancárias a partir de links encaminhados por mensagens. Em caso de suspeita de golpe, a recomendação é registrar imediatamente a ocorrência, procurar a instituição financeira para comunicar a fraude e adotar as medidas necessárias para tentar bloquear ou recuperar os valores.

A investigação continua para identificar outros integrantes da associação criminosa, localizar eventuais outras vítimas e aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo. A expectativa é que a análise das contas utilizadas no esquema possa ajudar a esclarecer a extensão da atuação da organização e contribuir para a recuperação do patrimônio obtido por meio das fraudes.

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