Deputados federais goianos ampliam patrimônio em até R$ 30,8 milhões
Levantamento do O HOJE, com base nos dados declarados à Justiça Eleitoral, compara os bens dos parlamentares nas eleições de 2022 e 2026
Os deputados federais goianos chegam à disputa de 2026 com mudanças no patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. Levantamento do O HOJE, que comparou os bens registrados pelos 17 parlamentares nas eleições de 2022 e 2026, mostra que 11 tiveram aumento no valor dos patrimônios, enquanto cinco registraram redução e uma deputada manteve o mesmo valor declarado.
Em valores nominais, Magda Mofatto (PL) foi quem registrou o maior crescimento patrimonial no período. A deputada declarou R$ 32,1 milhões em bens em 2022 e R$ 62,9 milhões neste ano, uma alta de R$ 30,8 milhões. A principal fatia dos bens da parlamentar é composta por ativos de liquidez e investimentos, que totalizam R$ 35,75 milhões. A grande maioria desse valor está aplicada em renda fixa, depósitos bancários e créditos (R$ 33,05 milhões), acompanhada por um montante de R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo.
Já o patrimônio do deputado Daniel Agrobom (PSD) passou de R$ 9 milhões para R$ 24 milhões, uma alta nominal de R$ 15 milhões, a segunda maior entre os parlamentares goianos. Do valor total, R$ 12,8 milhões referem-se a investimentos, aplicações em bancos e ativos de liquidez.
Ao O HOJE, Agrobom justificou que houve pouca alteração em seu patrimônio e que os investimentos e ativos de liquidez, que correspondem à maior parte da alta na declaração, foram utilizados para quitação de dívidas e demais compromissos financeiros ao longo deste ano.
Segundo o deputado, ocorreu pouca variação real de seu patrimônio. Vale ressaltar que na declaração de Agrobom há repetição de bens declarados que somam mais de R$ 1,5 milhão. O parlamentar confirmou que houve um erro no cálculo e que irá solicitar a correção junto à Justiça Eleitoral.
Crescimento proporcional
O maior crescimento proporcional, porém, foi registrado pelo deputado Jeferson Rodrigues (PSDB). O parlamentar havia declarado R$ 18,4 mil em bens em 2022. Quatro anos depois, o valor informado à Justiça Eleitoral chegou a R$ 707 mil. A alta representou um crescimento de 3.742,63%.
Em nota enviada à reportagem do O HOJE, Rodrigues informou que a maior parte do valor declarado corresponde a um imóvel e um carro, ambos adquiridos via financiamento. A declaração no TSE consta que o imóvel e o automóvel representam R$ 623 mil e R$ 42 mil, respectivamente, no total de bens do tucano. O deputado ainda argumenta que a “receita líquida acumulada apenas neste mandato federal passa de R$ 1,4 milhão” e que “trata-se de uma evolução patrimonial perfeitamente proporcional, legal e transparente”.
O deputado Gustavo Gayer (PL) também apresentou crescimento proporcional robusto. O patrimônio declarado pelo deputado saiu de R$ 43 mil em 2022 para R$ 908,5 mil em 2026, uma alta de R$ 865,5 mil. Em termos percentuais, o aumento foi de 2.012,93%. A alta no patrimônio do parlamentar, que disputará o Senado neste ano, é encabeçada por um lote, no valor de R$ 550 mil, um veículo e uma moto, que somam mais de R$ 150 mil, além de R$ 197 mil em “disponibilidade financeira”.
Outros aumentos
Outros deputados tiveram crescimento nos bens declarados. Adriano do Baldy (PP) passou de R$ 1 milhão para R$ 3,6 milhões. Candidato ao Senado, Zacharias Calil (MDB) também registrou aumento. O parlamentar foi de R$ 4,4 milhões para R$ 9,5 milhões.
Ismael Alexandrino (PSD) teve alta de R$ 1,8 milhão, passando de R$ 2 milhões para R$ 3,8 milhões. Marussa Boldrin (Republicanos) declarou R$ 1,3 milhão em 2022 e R$ 1,9 milhão em 2026, um aumento de R$ 643,6 mil. Já Adriana Accorsi (PT) passou de R$ 450 mil para R$ 800 mil.
A deputada Lêda Borges (Republicanos) teve uma variação menor. O patrimônio passou de R$ 421 mil para R$ 451,3 mil, aumento de R$ 30,3 mil. Rubens Otoni (PT), que declarou R$ 650,5 mil em 2022 e passou a registrar R$ 4,08 milhões em 2026, obteve elevação de R$ 3,43 milhões.
Queda
Cinco deputados registraram redução no patrimônio declarado. A maior queda nominal foi a de Professor Alcides (PSDB), que saiu de R$ 10 milhões para R$ 6,7 milhões, uma diminuição de R$ 3,3 milhões. Glaustin da Fokus (Podemos) teve queda semelhante. O patrimônio declarado passou de R$ 9,7 milhões para R$ 6,4 milhões, redução de R$ 3,3 milhões.
José Nelto (União Brasil) também declarou menos bens em 2026. O patrimônio caiu de R$ 48,4 milhões para R$ 46,3 milhões, diferença de R$ 2,1 milhões. Célio Silveira (MDB) teve uma queda de R$ 969,5 mil. O emedebista saiu de R$ 3,5 milhões em 2022 para R$ 2,6 milhões neste ano.
Patrimônio mantido
Flávia Morais (MDB) foi a única entre os parlamentares com bens declarados nos dois anos a manter exatamente o mesmo valor. A deputada informou R$ 1,4 milhão em 2022 e repetiu o montante em 2026. Silvye Alves (União Brasil) não declarou bens na eleição de 2022 e aparece neste ano com patrimônio de R$ 771,4 mil.
Questionados pela reportagem, Gustavo Gayer e Magda Mofatto não se manifestaram sobre o aumento patrimonial até o fechamento desta edição.
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