Do Cerrado ao festival: três filmes do Centro-Oeste chegam ao MacacuCine no Rio de Janeiro
Filmes de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso integram festival que segue até 23 de agosto no Rio de Janeiro
Do suspense com atmosfera noir produzido em Mato Grosso do Sul à animação goiana sobre racismo e ancestralidade, o Centro-Oeste ocupa diferentes espaços na 18ª edição do MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar. Aberto na última sexta-feira (14), em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro, o evento segue até 23 de agosto com 184 filmes e programação gratuita presencial e online.
Mato Grosso do Sul está na disputa da Mostra Universitária Nacional com “Balanço, Balança”, de João Vinicius Gutierre das Neves. Com 25 minutos, a ficção nasceu como Trabalho de Conclusão de Curso em Audiovisual na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e aposta no suspense e em referências do cinema noir. Antes de chegar ao MacacuCine, passou pelo circuito acadêmico e por mostras em Campo Grande. O projeto também foi selecionado em edital para novos realizadores da Lei Paulo Gustavo.
Goiás aparece na Mostra Livre com “Jinga”, animação de 14 minutos dirigida por Felipe Pitombo. O filme acompanha uma menina que sofre racismo na escola e encontra na ancestralidade africana força para enfrentar o preconceito. A narrativa muda quando a personagem recebe da avó um colar ligado à rainha Nzinga Mbandi, referência da resistência em Angola no século XVII. Pitombo, formado pela Escola Goiana de Desenho Animado, já trabalhou em produções como “Irmão do Jorel” e “Acorda Carlo”.
Também na Mostra Livre, “Mansos”, da diretora mato-grossense Juliana Segóvia, leva à tela a luta de mulheres negras e quilombolas. Rodado em Cuiabá, Várzea Grande e na região de Água Fria, na Chapada dos Guimarães, o curta acompanha Benedita, que busca justiça e dá continuidade à luta da mãe, Tereza. O roteiro passou pelo laboratório Negras Narrativas, parceria da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) com o Prime Video.
A presença dos três estados coloca diferentes experiências do Centro-Oeste em circulação dentro de um festival dedicado à relação entre cinema e educação. Nesta edição, o MacacuCine recebeu 402 inscrições de 21 estados e dez países. As mostras Escolar e Universitária também estão disponíveis para votação do público pela internet.
Criado em 2007, o festival completa 20 anos de atuação e mantém iniciativas de formação audiovisual em escolas públicas. “Nossa missão é fortalecer o audiovisual como ferramenta de ensino e aprendizagem, promovendo a troca de experiências, o pensamento crítico e a formação de novos olhares”, afirma Filipe Gonçalves, coordenador de produção.
Neste sábado (15), a programação inclui o Conecta MacacuCine, voltado à formação e ao encontro de jovens realizadores. Entre as 184 obras desta edição, os filmes de Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso mostram um Centro-Oeste que chega ao festival não como bloco único, mas por linguagens e histórias distintas, ampliando a presença regional no circuito audiovisual brasileiro.
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