sábado, 26 de setembro de 2026
NA MIRA

PF mira ex-governador em nova fase de operação no Rio

Investigação avança sobre suspeitas envolvendo a Refit e pessoas ligadas ao poder público e ao setor empresarial

Luma Silveirapor em
PF mira ex-governador em nova fase de operação no Rio
Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro | Foto: Governo do Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (14), uma nova fase da Operação Sem Refino, investigação que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Entre os alvos das medidas está o ex-governador do estado Cláudio Castro (PL), que é alvo de mandado de busca e apreensão. A ação também alcança outros nomes ligados à administração pública, ao setor empresarial e à área jurídica.

As apurações conduzidas pela PF investigam possíveis crimes relacionados à obtenção de licenças ambientais, além de suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e práticas contra a ordem econômica no setor de combustíveis. Também são alvos da operação Bernardo Rossi, ex-secretário estadual de Meio Ambiente, José Mauro Junior, ex-secretário de Transformação Digital, além de Ana Carolina Miranda, Antonio Carlos Santos, Luiz Fernando Gomes e Mauricio Leite.

A investigação tem como pano de fundo as relações entre agentes públicos e integrantes do Grupo Refit. Na primeira etapa da operação, realizada em maio, a PF apreendeu armas e aproximadamente R$ 1,1 milhão em moedas estrangeiras. Na ocasião, também foram adotadas medidas contra o desembargador Guaraci de Campos Vianna e Cláudio Castro. O nome do magistrado já havia aparecido em apurações sobre decisões judiciais consideradas favoráveis ao grupo empresarial.

Segundo as investigações, decisões judiciais teriam beneficiado a Refit em disputas envolvendo a empresa e cobranças tributárias de valores bilionários. O Grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do país, com débitos superiores a R$ 26 bilhões. Na primeira fase, a Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.

Cláudio Castro deixou o governo do Rio de Janeiro em março deste ano para disputar uma vaga ao Senado. No dia seguinte à renúncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível por abuso de poder político e econômico. A nova operação, porém, trata de uma investigação criminal distinta, que agora avança sobre suspeitas relacionadas à Refit e às pessoas que teriam mantido relações com o grupo.

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