quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Água

Rio Meia Ponte entra em Nível Crítico 1 e acende alerta para abastecimento em Goiânia

Semad mantém o rio em Nível Crítico 1, enquanto Saneago afirma que o abastecimento de Goiânia segue normal

João César Almeidapor em
Rio Meia Ponte entra em Nível Crítico 1 e acende alerta para abastecimento em Goiânia
Foto: Gabriel Louza/O HOJE

A redução da vazão do Rio Meia Ponte levou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) a declarar o manancial em Nível Crítico 1 no ponto de captação de Goiânia. A Portaria nº 186, publicada na quarta-feira (12), considerou uma média móvel de sete dias de 5.488 litros por segundo, registrada em 10 de agosto. O limite estabelecido para entrada neste estágio é de 5.500 l/s.

A situação, no entanto, envolve uma diferença entre os sistemas de medição. Segundo a Semad, o sensor instalado no local apresentou problema após uma manutenção e passou a registrar vazões inferiores às reais. A comparação com a medição feita por régua fixa mostrou que o rio ainda permanecia em nível de alerta. Mesmo assim, a secretaria decidiu manter a portaria diante da tendência contínua de queda da vazão. Na quarta-feira, o volume registrado era de 5.929 l/s, enquanto a média móvel dos sete dias estava em 6.322,2 l/s.

O cenário ocorre depois de quase dois meses sem chuva no ponto de captação. O Meia Ponte entrou em nível de alerta no dia 8 de julho, quando a vazão chegou a 8.724,01 l/s. Desde então, os registros da Semad mostram redução progressiva do volume de água. Em 2025, a entrada no Nível Crítico 1 ocorreu em 18 de agosto, alguns dias depois do período registrado neste ano.

A classificação não significa que Goiânia já esteja enfrentando racionamento. Pelas regras do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, ao atingir o Nível Crítico 1, a Saneago deve elaborar um Plano de Racionamento do uso da água e encaminhá-lo aos órgãos reguladores. Depois de aprovado, o documento deve ser apresentado ao comitê e poderá ser colocado em prática conforme a necessidade operacional do sistema. Nesse estágio, a captação destinada ao abastecimento público da Região Metropolitana de Goiânia pode ser mantida em 2.000 l/s.

A deliberação que regulamenta a situação de escassez estabelece quatro níveis críticos. Além das medidas relacionadas ao abastecimento, o documento prevê campanhas de conscientização sobre o uso racional da água, reuniões com usuários da bacia e intensificação das ações de fiscalização e orientação conforme a situação hídrica se agrava.

A Saneago afirma que, atualmente, o abastecimento permanece normal nos 223 municípios atendidos pela companhia e que a vazão disponível no Meia Ponte é suficiente para atender a demanda de Goiânia. A capital utiliza dois mananciais: 64% do abastecimento vem do sistema Mauro Borges/João Leite e 36% do Rio Meia Ponte.

A companhia também conta com uma adutora que integra os sistemas e permite transferir até 800 litros por segundo do João Leite para reforçar as regiões atendidas pelo Meia Ponte caso o manancial registre nova queda. A barragem do Ribeirão João Leite estava com 90,2% do volume acumulado, segundo a empresa.

Caso a vazão continue diminuindo, as restrições previstas se tornam gradualmente mais rigorosas. O Nível Crítico 2 é atingido quando a média chega a 4.000 l/s e prevê redução de 25% nas captações de determinados usuários de águas superficiais e subterrâneas, com exceção do abastecimento público e da dessedentação animal.

No Nível Crítico 3, definido por vazão igual ou inferior a 3.000 l/s, o corte sobe para 50% para esses usuários. Nesse estágio, a captação para abastecimento público da Região Metropolitana pode ser reduzida gradualmente até 1.000 l/s. Já no Nível Crítico 4, quando o rio chega a 2.000 l/s ou menos, a captação para abastecimento público fica limitada a 1.000 l/s.

Enquanto acompanha a evolução do manancial, a Saneago reforça a orientação para consumo consciente durante a estiagem. A companhia afirma que os sistemas seguem operando normalmente, mas reconhece que o período seco exige cautela.

 

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