Imóveis para lazer ganham espaço entre brasileiros que buscam segunda moradia
Pesquisa aponta que interesse por imóveis de lazer mais que dobrou em um trimestre; proximidade com o Distrito Federal impulsiona empreendimentos em Goiás
O desejo de ter um imóvel para descansar, ficar perto da natureza e, ao mesmo tempo, contar com uma possibilidade de renda está ganhando espaço entre os brasileiros. A primeira edição de 2026 do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostra que o interesse por imóveis residenciais para lazer mais que dobrou em apenas um trimestre, passando de 6% para 13%.
A pesquisa também aponta que 12% dos entrevistados consideram a locação como motivo para comprar um imóvel. Os números indicam uma mudança no perfil da segunda moradia, que deixa de ser vista apenas como um espaço para férias e finais de semana e passa também a ser considerada uma possibilidade de investimento.
Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento estão a busca por qualidade de vida, contato com a natureza e distância dos grandes centros urbanos sem abrir mão da infraestrutura.
Um exemplo desse modelo está em Alexânia, no Entorno do Distrito Federal, onde empreendimentos imobiliários apostam na combinação entre lazer, áreas verdes e proximidade com Brasília.
Para o empresário Rômulo Mendonça, que atua no setor de incorporação imobiliária, a procura está relacionada também à mudança no estilo de vida.
“Cada vez mais pessoas buscam um estilo de vida que possibilita trocar a rotina de uma capital como Brasília por um ambiente seguro, silencioso e cercado por áreas verdes em menos de uma hora”, destaca.
Contato com a natureza
Além da localização e da infraestrutura, a presença de áreas verdes aparece como um dos principais atrativos para quem procura uma segunda moradia.
No empreendimento citado, mais de 480 mil metros quadrados são destinados a áreas de mata, com trilhas, quedas d’água e acesso a rios e lagos. A proposta acompanha uma busca crescente por atividades ao ar livre e momentos de desconexão da rotina urbana.
“A natureza é algo que não dá para replicar num curto espaço de tempo, então é um privilégio ter uma área tão grande de mata nativa preservada”, afirma Thiago Boaventura, especialista em gerenciamento de projetos e gestão de negócios.
Segundo as empresas responsáveis pelo empreendimento, quase 60% da área total foi destinada à preservação ambiental. O espaço também conta com áreas de lazer, incluindo lagoa, quadras esportivas e estruturas para atividades recreativas.
Segunda moradia também pode gerar renda
Outro fator que contribui para a procura por esse tipo de imóvel é a possibilidade de utilização para aluguel por temporada.
A modalidade permite que o proprietário utilize o imóvel durante períodos de descanso e disponibilize a unidade para locação em outros momentos. Em empreendimentos voltados especificamente para segunda moradia, essa possibilidade pode estar prevista nas regras do condomínio.
Para Rômulo Mendonça, a flexibilidade amplia as possibilidades de uso do imóvel.
“A ampliação do potencial de uso do imóvel gera renda ao proprietário e valoriza o investimento. Essa flexibilidade torna-o mais atrativo para mais perfis de compradores e contribui para o desenvolvimento do turismo e da economia local”, explica.
O movimento acompanha uma transformação no mercado imobiliário, em que o imóvel de lazer passa a reunir diferentes funções: moradia temporária, espaço de descanso e possibilidade de geração de renda.
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