sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Economia

Durigan diz que crise das Casas Bahia não indica problema geral na economia

Ministro da Fazenda nega crise geral na economia e defende aperto fiscal

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Durigan diz que crise das Casas Bahia não indica problema geral na economia

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (21) que os problemas enfrentados pelas Casas Bahia não representam uma crise generalizada na economia brasileira. Em entrevista à GloboNews, o ministro reconheceu que os juros elevados pressionam o varejo, mas disse que o setor enfrenta dificuldades específicas por depender de crédito para financiar suas operações e as compras dos consumidores.

Segundo Durigan, uma análise de uma série histórica mais ampla mostra redução no número de falências e recuperações judiciais. Além disso, o ministro afirmou que outros setores, como a indústria, apresentam números diferentes dos observados no varejo.

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024.

Para Durigan, o caso está relacionado principalmente às características financeiras da companhia e ao custo do crédito.

“Não posso fugir do tema dos juros, porque o setor varejista tem margens apertadas e depende de crédito”, afirmou.

O ministro também rejeitou a interpretação de que os problemas da empresa indiquem uma crise econômica ampla. Segundo ele, diferentes setores da economia apresentam desempenho positivo.

“Não justificam um argumento político mais escandaloso sobre crise geral, porque não há”, disse.

Por que os juros pesam tanto sobre o varejo?

Durigan explicou que o comércio depende do crédito em diferentes etapas da operação. De um lado, as empresas utilizam financiamento para manter relações com fornecedores. De outro, os consumidores recorrem ao crédito para realizar compras.

Assim, juros elevados aumentam o custo dessas operações e podem reduzir o consumo. Por consequência, empresas com maior dependência de financiamento ficam mais expostas ao cenário monetário.

O ministro afirmou, porém, que o governo não pode atuar diretamente para beneficiar setores específicos. Segundo ele, a política econômica precisa considerar o funcionamento da economia como um todo.

Além disso, Durigan relacionou a redução dos juros à melhora das contas públicas. Para ele, o governo precisa continuar controlando as despesas e ampliando a eficiência dos gastos.

 

 

Governo promete apertar o arcabouço fiscal

Durante a entrevista, o ministro afirmou que o governo continuará adotando medidas para melhorar o resultado fiscal. Durigan disse que o Executivo já aprovou medidas no Congresso para limitar o crescimento de despesas.

Segundo ele, bloqueios no Orçamento e mecanismos de contenção de gastos obrigatórios devem abrir espaço fiscal para o próximo ano.

“A gente vai seguir apertando o arcabouço fiscal para que a gente tenha um resultado cada vez melhor do ponto de vista fiscal”, afirmou.

Além disso, Durigan citou outras frentes de atuação. Entre elas estão a revisão de despesas obrigatórias, a redução de benefícios tributários e mudanças para aumentar a eficiência da administração pública.

O ministro também mencionou a necessidade de reduzir gastos considerados privilégios. Segundo ele, a revisão pode atingir diferentes áreas da administração pública.

A intenção, conforme Durigan, é liberar espaço no Orçamento para investimentos e aumentar a capacidade de crescimento do setor privado.

Ajuste fiscal deve chegar a 2% do PIB

Durigan também afirmou que o conjunto de medidas fiscais representa um ajuste de aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o ministro, a estimativa considera diferentes ações adotadas ou previstas pelo governo.

Ele afirmou ainda que o próximo ano deverá apresentar uma acomodação no crescimento das despesas obrigatórias.

Apesar disso, Durigan não confirmou a possibilidade de reduzir de 2,5% para 1,5% o limite de crescimento das despesas previsto no arcabouço fiscal.

“Eu não vou cravar número. Nós vamos cravar uma trajetória de sustentabilidade, com redução da dívida a longo prazo”, afirmou.

economia

A definição deverá aparecer na proposta de orçamento que o governo encaminhará ao Congresso.

Benefícios vinculados ao salário mínimo ficam fora da discussão

Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de desvincular benefícios previdenciários e sociais do salário mínimo.

Durigan afirmou que o governo não discute essa medida. Portanto, segundo o ministro, os benefícios que possuem vinculação com o salário mínimo continuarão seguindo as regras atuais.

“Não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais”, disse.

O ministro defendeu, por outro lado, uma trajetória fiscal na qual as despesas públicas cresçam menos que as receitas. Segundo ele, essa dinâmica permitiria reduzir gradualmente a dívida pública.

Governo diz que Congresso limita velocidade do ajuste

Durigan também falou sobre as dificuldades para acelerar o ajuste das contas públicas. Segundo ele, parte das propostas apresentadas pela equipe econômica não avançou no Congresso Nacional.

O ministro citou como exemplo uma medida relacionada ao crédito presumido de PIS e Cofins. De acordo com Durigan, a iniciativa poderia representar cerca de R$ 40 bilhões.

“Se dependesse só da gente, a gente faria mais rápido”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o ministro defendeu a negociação com o Congresso e afirmou que o governo continuará buscando acordos para avançar nas medidas fiscais.

Além disso, Durigan disse que o Executivo pretende retirar subsídios e evitar a criação de novas despesas sem compensação.

Segundo ele, o governo deverá apresentar também uma medida capaz de aliviar em cerca de R$ 10 bilhões ou mais a pressão sobre as despesas obrigatórias.

Juros continuam no centro da estratégia econômica

Ao tratar da política econômica, Durigan afirmou que o governo pretende criar condições para reduzir os juros. Para isso, segundo ele, a Fazenda precisa atuar na área fiscal enquanto o Banco Central conduz a política monetária.

O ministro afirmou que o governo fará o necessário para melhorar as contas públicas e, consequentemente, contribuir para uma redução do custo dos juros na economia.

Por fim, Durigan disse que sua atuação não está voltada a atender setores específicos, como o financeiro, o agronegócio ou o varejo. Segundo ele, a política econômica deve considerar o desempenho geral da economia e seus efeitos sobre a população.

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