Daniel, Bueno, Marconi e Wilder têm muito a agir se querem crescer em Goiás
Candidatos a governador de Goiás precisam acreditar que a eleição ainda não está ganha para os líderes nas pesquisas nem perdida para quem pontua mal, mas falta fazer campanha com ritmo, planejamento, estratégia e muuuuuuita disposição
Os institutos de pesquisa têm tanta credibilidade que o Tribunal Superior Eleitoral, também carente de popularidade, quer diferenciar os corretos dos picaretas. Mesmo assim, até os mais críticos não conseguem fazer campanha sem um olho num levantamento e outro em sua repercussão. Dado o que já ocorreu em Goiás, considerando-se os índices atuais, é possível dizer com segurança que tem exatamente nada resolvido para governador. Depende das ações de Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT) e Marconi Perillo (PSDB), para respeitar a ordem alfabética, não a de supostas publicações de resultados.
O jogo está longe de se definir. Há oportunidade para os líderes ficarem fora do 2° turno e os da rabeira beliscarem uma vaguinha. Daniel tem chance de reeleição, que se deve ao tamanho da máquina administrativa, pois em Goiás o governo é o maior empregador, o maior comprador, o maior influenciador. Vem de uma família de políticos. Ocupou os mesmos cargos do pai, Maguito Vilela: vereador, deputado estadual e federal e está governador desde 31 de março, quando o titular Ronaldo Caiado (PSD) renunciou para ser candidato a presidente da República. Assim como o pai em 1994, enfrentou Caiado para governador, em 2018, mas perdeu. Depois de gravar vídeos batendo fortemente em Caiado, Daniel aderiu a ele. Opositores dizem que o filho de Maguito nunca havia trabalhado, que seu primeiro emprego está sendo o de governador, mas ele integrou a equipe do prefeito Rogério Cruz, de quem foi conselheiro.
Apesar de o grupo a que pertence, o de Caiado, estar com 12 partidos e a maioria absoluta dos 775 candidatos, Daniel não desfrutou de paz para montar a chapa. Foi traumática a eliminação de pretendentes a vice, que ocorreu no sistema BBB, toda semana um era defenestrado e o último foi o ex-deputado federal José Mário Schreiner (PSD), um dos grandes líderes da agropecuária nacional. Daniel vetou Schreiner e escolheu o ex-senador Luiz do Carmo (PSD).
Outra fonte de encrencas para o governador é sua chapa ao Senado
Outra fonte de encrencas para o governador é sua chapa ao Senado. Em teoria, ele tem cinco candidatos, Gracinha Caiado (União Brasil), Gustavo Gayer (PL), Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB). Na prática, apenas Gracinha faz campanha para Daniel. O risco que Gracinha corre é o de fixar seu eleitorado apenas para Daniel e os concorrentes internos abrirem o leque para o PL, no caso dos dois Gustavos; os evangélicos, para Mendanha e Vanderlan; Região Metropolitana de Goiânia, com Vanderlan e Gayer. O que é péssimo para Gracinha, será excelente para Daniel, caso Ronaldo reconheça que a estratégia está errada e precisa voltar-se para Goiás para ajudar a esposa e, em consequência, o presidente estadual do MDB goiano, que não conseguiu um diretório regional sequer para o presidenciável do PSD.
Luis Cesar está aposentado como professor de História na rede pública. Foi vereador em Goiânia e deputado estadual. Pela 2ª vez, se sacrifica para representar a esquerda em eleição majoritária, pois em 2018 teria mais uma reeleição fácil à Assembleia e saiu ao Senado. Sua chance de ir ao 2° turno é grudar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que em 2022 obteve 42% dos votos dos goianos, mesmo tendo acabado de sair da cadeia. As boas novidades das urnas para os petistas saíram até do Sudoeste, região rica pelo agronegócio, onde se esperava hegemonia do antilulismo.
Ao contrário do PT nacional, o de Goiás não tem tradição de escândalos
Ao contrário do PT nacional, o de Goiás não tem tradição de escândalos. O próprio Bueno exerceu meia dúzia de mandatos e era respeitado pelas diversas correntes ideológicas. Seu vice é o advogado Carlos Mundim, que saiu do PT e se filiou ao PDT depois de o casal Morais aderir ao Governo de Goiás. Mundim presidiu o centro acadêmico de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e, assim como Daniel Vilela, também teve cargo na Prefeitura de Goiânia, no caso, de procurador do Município, na gestão de Pedro Wilson.
Uma boa alternativa para Bueno e as duas senatoriáveis de sua chapa, Isaura Lemos (PSB) e Cíntia Dias (PSol), seria casar os programas sociais pagos pelo Governo Lula com seus companheiros em Goiás. Porém, os parlamentares federais trazem os benefícios e levam diretamente às prefeituras, nenhuma sílaba sobre quem liberou. Seria agradável a Bueno, ainda, a participação incisiva dos candidatos a deputado, notadamente os federais Adriana Accorsi, Delúbio Soares, Edward Madureira e Rubens Otoni, e os estaduais Antônio Gomide, Bia de Lima e Mauro Rubem.
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Se Daniel não for reeleito, vão aderir a quem ganhar

O que falta à oposição de modo geral é fazer campanha com ritmo, planejamento, estratégia e muuuuuuita disposição. Nisso, o vencedor está definido. Igual a Marconi para fazer campanha, só existiu Iris Rezende, morto pela Covid-19 em 2021. É entusiasmado e agregador, reserva as forças para a finalidade. Seu problema é ter sobrado quase ninguém para entusiasmar e agregar. Quando estava no poder, e só no Executivo estadual foram quatro mandatos, agiu igual aos tempos de MDB e Caiado, aceitou todo inseto que quisesse aderir. Esses crápulas vão do mesmo jeito que vêm. Quem era irista roxo de 1983 a 1998, virou marconista roxo de 1999 a 2018 e está caiadista roxo desde então. Se Daniel não for reeleito, vão aderir a quem ganhar. Pode ser Marconi.
Marconi ficou com estrutura macérrima. As chapas de deputado aplicaram Ozempic. O tempo de rádio e TV é picado pelo Mounjaro. Sua militância saiu do e-gov para Wegovy. Não desiste, está esperneando pelo Estado inteiro, mesmo com a maré infindável de notícias ruins, inclusive a saída de um dos raros prefeitos do PSDB, Zé Gordo, que Itamar Leão tanto batalhou para eleger. A chance de Marconi é esquecer os traíras, até porque já os incentivou e usou, e continuar a bater perna pelo interior. Suas redes sociais têm de melhorar demais, sobretudo para fazer oposição acirrada a Daniel.
Wilder Morais desmentiu as pesquisas em 2022. A esta altura da campanha, estava em 5° e 6°, terminou em 1°. Tinha na faixa dos 5%, enquanto Marconi era líder, seguido por Delegado Waldir. Portanto, não se exija que o pessoal do PL creia em algum número divulgado pelos institutos. A chance de Wilder está em três fontes, o bolsonarismo, a inspiração que despertou com sua história de vencedor e as verbas que enviou para os municípios, muito mais que os outros três principais candidatos ao governo.
A dificuldade de Wilder é a mesma de Caiado e Gracinha
A dificuldade de Wilder é a mesma de Caiado e Gracinha, com o excesso de traidores. Aliás, os candidatos majoritários de todos os grupos estão sofrendo com as facadas nas costas. O caso de Wilder é especial, pois sobreviveu graças a milagres. Primeiro, o vereador em Goiânia Vitor Hugo e o deputado federal Gustavo Gayer queriam se aliar à chapa de Daniel. Não clandestinamente, como está, mas de modo oficial. Quando achavam que Wilder estava descartado, ele ressurgiu. O outro candidato ao Senado é outro vereador goianiense, Oséias Varão. A maior alegria aos liberais ocorreu com a chegada de Ana Paula Rezende para vice de Wilder. Tem chance de ganhar, o que só se efetiva com a conjunção dos três fatores.
O que trava os principais candidatos é a falta de brio dos judas. Caso eles tivessem comprometimento, a campanha digital seria mais barata e mais abrangente. Novamente, o governo concentra os prefeitos (cerca de 230 dos 246) e as demais lideranças municipais, porém, as três grandes mudanças de grupo em Goiás ocorreram sem esses adesistas, para Iris em 1982, Marconi em 1998 e Caiado em 2018. (Especial para O HOJE)
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