Políticas de Trump podem reduzir investimentos em energia limpa em US$ 700 bilhões
Estudo aponta aumento das emissões, dos custos de eletricidade e dos impactos à saúde até 2035
As políticas energéticas adotadas pelo governo de Donald Trump podem provocar perdas de até US$ 700 bilhões em investimentos em energia limpa nos Estados Unidos ao longo da próxima década. A estimativa consta de um estudo divulgado nesta terça-feira (25) pelo Natural Resources Defense Council (NRDC). A análise também prevê redução expressiva na expansão de fontes como solar, eólica e sistemas de armazenamento.
De acordo com o relatório, entre 390 e 540 gigawatts de capacidade planejada de geração renovável e armazenamento podem deixar de ser instalados até 2035. Para efeito de comparação, toda a capacidade elétrica instalada atualmente na Índia é estimada em cerca de 520 gigawatts. O estudo atribui o cenário ao conjunto de medidas adotadas pela administração Trump em favor dos combustíveis fósseis e à retirada de incentivos para projetos de energia limpa.
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Uma das principais mudanças ocorreu em julho de 2025, com a aprovação da lei conhecida como “One Big Beautiful Bill Act”, que eliminou créditos fiscais destinados ao setor de energia limpa. O governo também passou a pressionar empresas elétricas a prolongarem o funcionamento de usinas antigas movidas a combustíveis fósseis. Segundo o levantamento, os efeitos dessas medidas podem elevar em até US$ 30 bilhões por ano os gastos dos consumidores com eletricidade até 2035, enquanto algumas famílias poderão enfrentar aumentos de até 25% nas contas.
O impacto projetado não se limita aos preços da energia. O modelo utilizado pelo NRDC indica que as emissões de dióxido de carbono do setor elétrico podem chegar a mais de 1 bilhão de toneladas métricas anuais até 2035, praticamente o dobro do cenário anterior. A maior poluição provocada por usinas antigas de carvão e gás também poderia resultar em até 69 mil mortes prematuras adicionais, além de 85 mil atendimentos de emergência e internações ao longo de dez anos. Para Amanda Levin, diretora de análise de políticas da organização, o governo Trump priorizou combustíveis fósseis em detrimento da expansão da energia limpa.
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