terça-feira, 15 de setembro de 2026
Câmara Municipal

Morar no Centro segue fora da pauta após sinal de insatisfação de vereadores de Goiânia

Tramitação do projeto prioritário da Prefeitura de Goiânia ainda não avançou no colegiado, enquanto parlamentares reivindicam pagamento de emendas e dão tom com derrubada de veto

Thiago Borgespor em
Morar no Centro segue fora da pauta após sinal de insatisfação de vereadores de Goiânia
Vereadores da base recomendam derrubada de vetos de Mabel em outros três projetos que estão na pauta desta quarta (25) | Foto: Mariana Capeletti/Câmara Municipal de Goiânia

O projeto do programa Morar no Centro, considerado uma das prioridades da Prefeitura de Goiânia para este segundo semestre, continua sem previsão de avançar na Câmara Municipal. A proposta não está prevista na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta quarta-feira (26) e ainda aguarda nova análise do colegiado após receber emendas durante a tramitação em plenário.

A indefinição ocorre no momento em que a base do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) tenta acelerar a votação de matérias do Executivo antes do primeiro turno das eleições. A estratégia, porém, esbarra na insatisfação dos vereadores com o Paço, sobretudo pela demora no pagamento das emendas impositivas.

O Morar no Centro já havia recebido aval da CCJ em maio, mas retornou ao colegiado em junho depois que o plenário aprovou as 12 emendas apresentadas pelos vereadores. Agora, o texto precisa passar novamente pela comissão, que deverá analisar as alterações antes de liberar a proposta para a segunda votação definitiva.

A demora preocupa o Paço porque a revitalização da região central é uma das principais promessas de Mabel desde a campanha de 2024. O programa prevê incentivos fiscais e medidas para estimular a ocupação residencial do Centro, com a expectativa da prefeitura de atrair cerca de 10 mil novos moradores para a região.

Apesar da intenção da base governista de concluir a votação das principais propostas do Executivo antes do primeiro turno, a tarefa ocorre em um momento em que parte dos vereadores aliados de Mabel já está envolvida diretamente na disputa eleitoral. Seis integrantes da base trabalham em candidaturas para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e a Câmara dos Deputados, entre eles o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), e o líder do governo, Wellington Bessa (Mobiliza).

Desentendimento

Além da agenda eleitoral, há o atrito entre Câmara e prefeitura relacionado ao pagamento das emendas impositivas. Na última semana, Mabel transferiu para a Secretaria Municipal de Governo (Segov), comandada por Sabrina Garcez, a coordenação da operação que envolve os repasses. A ex-vereadora é uma das principais interlocutoras do Paço com o Legislativo desde o início da gestão.

A mudança, no entanto, ocorre em meio a sinais de insatisfação que já apareceram nas votações. Na sessão de terça-feira (25), os vereadores derrubaram um veto de Mabel ao projeto do vereador Major Vitor Hugo (PL) que cria o programa Escudo Feminino e prevê auxílio para a aquisição de arma de fogo por mulheres vítimas de violência doméstica. A derrubada contou com apoio da Mesa Diretora e participação direta de Policarpo. O presidente da Casa afirmou que “fez questão” de participar da sessão em razão do projeto e pediu apoio dos vereadores para derrubar o veto de Mabel.

O episódio aumenta a atenção sobre a sessão desta quarta, que terá outros três vetos de Mabel em análise. Todos contam com relatórios aprovados na CCJ pela rejeição dos vetos. Dois deles são relatados por Geverson Abel (Republicanos) e um por Bruno Diniz (MDB), ambos integrantes da base do prefeito.

Enquanto o Morar no Centro aguarda o relatório do vereador Lucas Kitão (Mobiliza) e a análise das emendas na CCJ, outra matéria do Executivo será analisada pela comissão nesta quarta. Trata-se do Projeto de Lei nº 227/2026, que endurece as punições para pichações e grafites irregulares. A proposta prevê multa de até um salário mínimo e recompensa de até 20% do valor da penalidade para pessoas que denunciarem os responsáveis.

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