quarta-feira, 26 de agosto de 2026
NEGÓCIOS

Feiras de Goiás vão além da tradição e se transformam em negócio

Goiânia tem 122 feiras cadastradas e Feira Hippie reúne 6.884 feirantes

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Feiras de Goiás vão além da tradição e se transformam em negócio

Quem passa por uma feira em Goiânia pode enxergar apenas o movimento de consumidores em busca de frutas, verduras, pastel, roupas ou produtos artesanais. Por trás das bancas, porém, existe uma atividade econômica que reúne produtores rurais, comerciantes, cozinheiros, artesãos e pequenos empreendedores e transforma ruas e praças em pontos de venda durante praticamente toda a semana.

Goiânia tem atualmente 122 feiras livres cadastradas pela Prefeitura, sendo seis ainda em processo de regularização. A lista inclui espaços que comercializam verduras, carnes, frutas, leite, comidas, utensílios domésticos, artesanato, roupas e acessórios. A estrutura faz da feira um dos canais mais tradicionais de comercialização direta da capital.

A dimensão desse mercado aparece também na Feira Hippie. Com 6.884 feirantes cadastrados, ela é apontada pela Prefeitura como a maior feira livre do Brasil e da América Latina. O espaço atrai consumidores de diferentes estados, inclusive compradores que chegam a Goiânia para adquirir mercadorias no atacado e revendê-las em suas cidades.

 

 

Um negócio que começa na própria banca

Para muitos empreendedores, a feira representa uma alternativa de entrada no mercado. O modelo permite trabalhar diretamente com o consumidor, testar produtos, construir uma clientela e ajustar preços e quantidade de mercadorias conforme a procura.

A legislação municipal de Goiânia prevê que as feiras livres comercializem uma variedade ampla de produtos, incluindo alimentos, hortifrutigranjeiros, laticínios, carnes, quitandas, lanches, artigos domésticos e pessoais, roupas, calçados e produtos manufaturados.

Feira
Divulgação/ Prefeitura de Goiânia

Essa diversidade ajuda a explicar por que o negócio vai muito além da tradicional banca de frutas e verduras. Em diferentes pontos da cidade, o consumidor encontra alimentação preparada, moda, acessórios, artesanato e produtos para casa.

A própria Agência Municipal de Turismo e Eventos de Goiânia classifica as feiras como um dos atrativos turísticos da capital. Segundo o órgão, as feiras especiais são procuradas por turistas e reúnem produtos como roupas, comidas, artesanato, decoração, calçados e obras de arte.

Da produção rural direto para o consumidor

O impacto econômico das feiras também chega ao campo. Um levantamento científico realizado em 201 dos 246 municípios de Goiás identificou 369 feiras semanais em funcionamento, com 21.342 bancas. O estudo apontou ainda que 41,92% das bancas das feiras nos municípios com até 500 mil habitantes eram ocupadas por agricultores familiares.

A feira funciona, nesse caso, como um canal curto de comercialização: o produtor leva sua mercadoria para perto do consumidor e reduz a dependência de intermediários.

A Emater Goiás destaca justamente esse papel das feiras para a agricultura familiar. Segundo a agência, a comercialização é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores, e a venda direta ao consumidor pode reduzir a interferência de atravessadores e melhorar o resultado da produção.

Um exemplo é o mercado de queijos. Pesquisa realizada em 105 feiras ativas de Goiânia, com entrevistas com 160 feirantes, identificou que 26,88% eram produtores e 73,12% atravessadores. Entre os produtores de queijo entrevistados, 78,95% se declararam agricultores familiares.

Interior de Goiás mantém mercado ativo

O fenômeno não está concentrado na capital. O levantamento sobre feiras municipais em Goiás mostra que elas estão presentes na grande maioria dos municípios analisados. Das 201 cidades pesquisadas, apenas 24 não tinham feira; nos demais 177 municípios foram identificadas as 369 feiras semanais.

A agricultura familiar tem participação relevante nesse cenário. O estudo identificou 38 feiras exclusivamente formadas por agricultores familiares, enquanto 10,3% das feiras analisadas eram compostas integralmente por esse segmento.

 

 

 

Mais do que um ponto tradicional de venda, portanto, a feira funciona como uma engrenagem da economia local. Ela conecta quem produz a quem compra, cria espaço para pequenos negócios e mantém dinheiro circulando nos próprios municípios.

Em Goiânia, onde mais de uma centena de feiras estão espalhadas pelas regiões da cidade, o fenômeno ganhou ainda uma dimensão turística e comercial. No interior, continua sendo um dos caminhos para o agricultor colocar a produção no mercado.

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