O que parece desatenção na escola pode ser problema de visão; especialista explica os sinais
Estrabismo, hipermetropia e ambliopia podem imitar sintomas de autismo e dislexia; oftalmologista orienta professores de Goiânia a identificar os sinais em sala de aula
Um aluno que foge da leitura, franze os olhos diante do quadro ou troca de carteira sem motivo aparente pode estar sinalizando um problema de visão ainda não identificado. Foi para preparar professores a reconhecer esses sinais que o oftalmologista Leiser Franco, presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, ministrou palestra para docentes da Rede de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia.
O encontro, realizado no auditório do Colégio Claretiano, abordou doenças oculares que podem interferir no aprendizado e ser confundidas com outros diagnósticos, como autismo e dislexia. Estrabismo, hipermetropia e ambliopia, o chamado “olho preguiçoso”, estiveram entre os temas apresentados com base em casos concretos.
Para Leiser, o professor ocupa um papel estratégico nesse processo. “Esse profissional percebe aquela criança que tem dificuldade no aprendizado. A partir dessa identificação ele pode direcionar ao coordenador de ensino ou falar com a própria família. Um despertar para que esse paciente seja avaliado não só nas questões visuais, mas também nas auditivas e neurológicas, se houver”, afirma.
A palestra também teve um elemento pessoal. Leiser contou que superou a dislexia e que, por muito tempo na infância, não sabia do diagnóstico. “Isso acontece muito na escola”, observou a professora Maria Aparecida de Oliveira, que acompanhou o evento. “Eu saio daqui hoje com uma nova bagagem, renovada, porque a palestra trouxe informações técnicas valiosas de saúde ocular para podermos compreender nuances dentro de sala”, completou.
Para a gerente de inclusão da SME, Lliana Gusmão, a iniciativa reforça a conexão entre saúde e educação. “Quando o professor compreende como a nossa visão é formada, como ela consolida o conhecimento do ponto de vista cerebral de aprendizagem, de fala, ele fica melhor preparado para estar mais atento aos sinais de que há um problema a ser acompanhado ali”, disse.
O protocolo de saúde ocular
Leiser recomendou que pais e responsáveis sigam um protocolo de prevenção desde o nascimento. O primeiro “teste do olhinho” deve ser feito até 72 horas de vida e repetido até um ano em todos os exames de rotina. Entre 6 e 12 meses, deve ser feita a primeira avaliação oftalmológica completa. Dos 3 aos 5 anos, pelo menos um exame focando em acuidade visual, estrabismo e ambliopia.
Para a professora Marta França, a palestra esclareceu o quanto o olhar é uma forma de comunicação da aprendizagem. “A maneira como o aluno franze os olhos ou coça-os quando está diante de um conteúdo de leitura pode mostrar uma deficiência visual que os pais não perceberam”, afirmou.
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