quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Consumo

Canetas emagrecedoras movimentam R$2,3 bilhões no primeiro semestre de 2026

Levantamento mostra que pedidos online tiveram um aumento de 149,3% em comparação ao mesmo período de 2025

João César Almeidapor em
Canetas Emagrecedoras
Mulheres e Millenials são os grupos que mais compram canetas emagrecedoras Foto: Divulgação/ Receita Federal

Os pedidos online de canetas emagrecedoras no Brasil contabilizaram mais de R$2,3 bilhões no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho foram 1.364.354 solicitações, em comparação aos  547.249 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de 149,3%. Os dados são de um levantamento da Serasa Experian.

A região com maior procura pelas canetas foi a Sudeste, com 901.191 pedidos no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 66,1% do volume nacional. Em seguida apareceram Sul (188.997 pedidos), Nordeste (139.841) e Centro-Oeste (105.615). Na comparação anual, o Nordeste foi a região com maior crescimento percentual no número de pedidos (alta de 195,2%).

As mulheres lideraram o consumo online da categoria no primeiro semestre de 2026. Foram 602.815 pedidos associados ao público feminino (44,2% do total), que movimentaram R$ 1 bilhão em solicitações. Na comparação com o público masculino, as mulheres registraram 75,2% pedidos a mais.

No caso das faixas etárias, os Millennials lideraram o número de pedidos no primeiro semestre de 2026, com 436.589 solicitações. Logo atrás aparece a Geração X, com 424.673 pedidos. Juntas, as duas faixas concentram 63,1% de todas as solicitações registradas no período.

Segundo o levantamento da Serasa Experian, a maior procura entre esses grupos pode ter relação com o perfil de excesso de peso no País. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a prevalência passa de 33,7% entre pessoas de 18 a 24 anos para 70,3% na faixa de 40 a 59 anos.


Mudanças e diminuição de consumo


Esse aumento mostra que o uso desses medicamentos se espalhou pela população brasileira, com impactos além da saúde. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Pluxee, mais de 84% das pessoas que utilizam esses medicamentos afirmaram ter reduzido o consumo de alimentos industrializados, enquanto 83% diminuíram a ingestão de ultraprocessados.

O estudo ouviu mais de 1.200 usuários da plataforma da empresa em todo o Brasil para avaliar o uso desses medicamentos e os possíveis impactos sobre a alimentação. Entre os participantes, 7% disseram utilizar atualmente as canetas emagrecedoras.

A pesquisa também aponta redução no consumo de outros produtos. Aproximadamente 76% dos usuários disseram ter passado a consumir menos fast food, enquanto 74,5% diminuíram a ingestão de refrigerantes. Em contrapartida, 62% afirmaram ter aumentado o consumo de frutas, legumes e verduras, e cerca de 57% passaram a priorizar fontes de proteína na alimentação.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, os primeiros reflexos do uso de medicamentos como Ozempic e Monjauro já começaram a aparecer na segunda metade de 2024, com maior impacto entre pessoas de maior renda. Por conta disso, os estabelecimentos já começam a se adaptar às mudanças impostas.

Mesmo após ajustes, como porções menores, opções para compartilhar, inclusão de bebidas sem álcool no menu e experiências mais ajustadas ao consumidor, os estabelecimentos não observaram redução no gasto dos clientes.

De acordo com Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a adaptação não precisa significar perda de rentabilidade. “O empresário deve compreender a sensibilidade do mercado a essas mudanças no consumo para equilibrar sua oferta e manter o valor do tíquete médio. O desafio dos bares e restaurantes não é resistir à onda das canetas emagrecedoras, mas se adequar a um cliente que continua saindo para consumir, embora faça escolhas diferentes à mesa”, comenta.

Além dos bares e restaurantes, um estudo realizado pela Cornell SC Johnson College of Business, dos Estados Unidos, em parceria com a empresa de dados Numerator, indicam que famílias com ao menos um usuário de medicamentos à base de GLP-1 reduziram em cerca de 6% os gastos em supermercados nos seis primeiros meses de uso. Entre os lares de maior renda, a retração pode chegar a 9%.

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