terça-feira, 25 de agosto de 2026
Consumo

Canetas emagrecedoras movimentam R$2,3 bilhões no primeiro semestre de 2026

Levantamento mostra que pedidos online tiveram um aumento de 149,3% em comparação ao mesmo período de 2025

João Césarpor João César em
Canetas Emagrecedoras
Mulheres e Millenials são os grupos que mais compram canetas emagrecedoras Foto: Divulgação/ Receita Federal

Os pedidos online de canetas emagrecedoras no Brasil contabilizaram mais de R$2,3 bilhões no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho foram 1.364.354 solicitações, em comparação aos  547.249 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de 149,3%. Os dados são de um levantamento da Serasa Experian.

A região com maior procura pelas canetas foi a Sudeste, com 901.191 pedidos no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 66,1% do volume nacional. Em seguida apareceram Sul (188.997 pedidos), Nordeste (139.841) e Centro-Oeste (105.615). Na comparação anual, o Nordeste foi a região com maior crescimento percentual no número de pedidos (alta de 195,2%).

As mulheres lideraram o consumo online da categoria no primeiro semestre de 2026. Foram 602.815 pedidos associados ao público feminino (44,2% do total), que movimentaram R$ 1 bilhão em solicitações. Na comparação com o público masculino, as mulheres registraram 75,2% pedidos a mais.

No caso das faixas etárias, os Millennials lideraram o número de pedidos no primeiro semestre de 2026, com 436.589 solicitações. Logo atrás aparece a Geração X, com 424.673 pedidos. Juntas, as duas faixas concentram 63,1% de todas as solicitações registradas no período.

Segundo o levantamento da Serasa Experian, a maior procura entre esses grupos pode ter relação com o perfil de excesso de peso no País. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a prevalência passa de 33,7% entre pessoas de 18 a 24 anos para 70,3% na faixa de 40 a 59 anos.


Mudanças e diminuição de consumo


Esse aumento mostra que o uso desses medicamentos se espalhou pela população brasileira, com impactos além da saúde. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Pluxee, mais de 84% das pessoas que utilizam esses medicamentos afirmaram ter reduzido o consumo de alimentos industrializados, enquanto 83% diminuíram a ingestão de ultraprocessados.

O estudo ouviu mais de 1.200 usuários da plataforma da empresa em todo o Brasil para avaliar o uso desses medicamentos e os possíveis impactos sobre a alimentação. Entre os participantes, 7% disseram utilizar atualmente as canetas emagrecedoras.

A pesquisa também aponta redução no consumo de outros produtos. Aproximadamente 76% dos usuários disseram ter passado a consumir menos fast food, enquanto 74,5% diminuíram a ingestão de refrigerantes. Em contrapartida, 62% afirmaram ter aumentado o consumo de frutas, legumes e verduras, e cerca de 57% passaram a priorizar fontes de proteína na alimentação.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, os primeiros reflexos do uso de medicamentos como Ozempic e Monjauro já começaram a aparecer na segunda metade de 2024, com maior impacto entre pessoas de maior renda. Por conta disso, os estabelecimentos já começam a se adaptar às mudanças impostas.

Mesmo após ajustes, como porções menores, opções para compartilhar, inclusão de bebidas sem álcool no menu e experiências mais ajustadas ao consumidor, os estabelecimentos não observaram redução no gasto dos clientes.

De acordo com Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a adaptação não precisa significar perda de rentabilidade. “O empresário deve compreender a sensibilidade do mercado a essas mudanças no consumo para equilibrar sua oferta e manter o valor do tíquete médio. O desafio dos bares e restaurantes não é resistir à onda das canetas emagrecedoras, mas se adequar a um cliente que continua saindo para consumir, embora faça escolhas diferentes à mesa”, comenta.

Além dos bares e restaurantes, um estudo realizado pela Cornell SC Johnson College of Business, dos Estados Unidos, em parceria com a empresa de dados Numerator, indicam que famílias com ao menos um usuário de medicamentos à base de GLP-1 reduziram em cerca de 6% os gastos em supermercados nos seis primeiros meses de uso. Entre os lares de maior renda, a retração pode chegar a 9%.

Leia mais:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Goiânia

MERCADO IMOBILIÁRIO

Goiânia entra no radar de investidores de imóveis

Capital goiana aparece entre os mercados regionais apontados como estratégicos para um modelo que g...
Feijão

Agricultura

Goiás se consolida como segundo maior produtor de feijão do Brasil

Estado colheu 299 mil toneladas na safra 2025/26 e deve alcançar R$ 1,7 bilhão em Valor Bruto da P...
Casas Bahia faz leilão de celulares, notebooks e eletrodomésticos; veja como participar

Casas Bahia

TRT-10 mantém suspensão de demissões de 1,9 mil funcionários das Casas Bahia

Empresa terá cinco dias para reativar contratos, benefícios e salários; novas dispensas coletivas...
alckmin

Produção de fertilizantes

Governo prevê subsídios de R$ 10 bilhões para ampliar produção nacional de fertilizantes

Profert estabelece cota para produtos fabricados no Brasil e prevê incentivos para novas fábricas ...
Salário mínimo terá aumento de 7,4% e pode chegar a R$ 1.741

PREVISÃO

Salário mínimo terá aumento de 7,4% e pode chegar a R$ 1.741

Nova estimativa representa aumento de R$ 120 sobre o valor atual e supera em R$ 24 a projeção apre...
Terras raras colocam Goiás no mapa da nova economia da mineração

NEGÓCIOS

Terras raras colocam Goiás no mapa da nova economia da mineração

Mineração fatura R$ 150,7 bilhões no semestre, enquanto terras raras colocam Goiás no radar da i...
América Latina deve crescer 2,2% em 2026, mas enfrenta baixa produtividade e informalidade

Economia

América Latina deve crescer 2,2% em 2026, mas enfrenta baixa produtividade e informalidade

Cepal aponta informalidade como obstáculo ao crescimento da América Latina
EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções

Relações internacionais

EUA dão prazo para países romperem negócios com Irã sob ameaça de sanções

Trump aumenta pressão econômica e mira parceiros comerciais do Irã