PF aponta R$ 12,2 bilhões em títulos falsos em operações do BRB com Master
Investigações indicam que o banco público transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master na compra de carteiras de crédito, parte delas sem lastro adequado
Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o Banco de Brasília (BRB) transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master em operações de compra de carteiras de crédito. Segundo documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aproximadamente R$ 12,2 bilhões desse total estavam relacionados a títulos considerados falsos e sem valor.
De acordo com a PF, o esquema envolvia Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) falsas, originadas de créditos consignados inexistentes gerados pela Tirreno, empresa criada em dezembro de 2024 e controlada pela Cartos.
A análise do Banco Central sobre os títulos emitidos pelo Master teria identificado inconsistências relevantes. Conversas obtidas pela PF a partir dos celulares do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de finanças, Dário Oswaldo Garcia Junior, também indicam dúvidas internas sobre a qualidade das carteiras negociadas.
Uma carteira Credcesta chegou ao banco com valor contábil de R$ 179,6 milhões, mas apenas R$ 110 milhões foram considerados aptos para compra.
Segundo os investigadores, documentos enviados pelo Master já apresentavam indícios de manipulação, falta de lastro adequado e movimentações atípicas entre fundos. A PF também afirma que a diretoria do BRB insistiu na aquisição de ativos mesmo diante de pareceres jurídicos contrários.
Três dias após uma troca de mensagens entre Costa e Garcia, o Master enviou para assinatura imediata um contrato de cessão de R$ 400 milhões. Para a PF, a operação foi concluída em ritmo incompatível com os procedimentos bancários habituais, com aceleração do processo.
A investigação aponta ainda que contratos foram enviados, assinados e depois substituídos no mesmo dia. Próximo ao fechamento do sistema bancário, três contratos teriam sido assinados em poucos minutos, sem análise técnica adequada.
Na avaliação da Polícia Federal, a prioridade dada à conclusão dos pagamentos, mesmo diante da falta de documentação consistente, indica que as operações teriam atendido a uma finalidade contábil imediata, sem fundamento econômico legítimo.
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