Charles Rosa estreia solo “A emergência climática e a urgência de amar” em Goiânia
Montagem estreia nesta sexta (28), em Goiânia, e convida o público a refletir sobre afeto, presença e hiperconectividade
Antes mesmo da primeira cena começar, o público será convidado a desligar o celular e deixá-lo lacrado até o fim da sessão. O gesto, simples e pouco comum em uma rotina atravessada por notificações, faz parte da própria dramaturgia de “A emergência climática e a urgência de amar”, novo solo de Charles Rosa, que estreia nesta sexta-feira (28), em Goiânia.
As apresentações seguem até domingo (30), sempre às 20h, no Centro Audiovisual da Funai, no Setor Pedro Ludovico, com entrada gratuita. Em cena, Rosa aproxima questões ambientais, hiperconectividade, espiritualidade e solidão a partir de uma narrativa construída com elementos de teatro, autobiografia, performance, memória, depoimento, poesia e teatro.
A ausência dos aparelhos não aparece apenas como regra de convivência. Ela integra o ponto de partida do espetáculo, que tenta criar um intervalo na mediação constante das telas. “A proposta integra a própria dramaturgia do espetáculo e busca proporcionar uma experiência de presença integral, na qual artistas e espectadores compartilham o mesmo tempo e o mesmo espaço sem a mediação das telas”, explica a direção.
O solo acompanha um homem que revisita dores, vulnerabilidades e a necessidade de ser visto e amado. A experiência pessoal se cruza com temas mais amplos, entre eles a crise ambiental, a virtualização das relações e a dificuldade de sustentar vínculos em um cotidiano marcado pela aceleração.
A montagem também passa pela transformação da solidão em solitude e pela tentativa de recuperar presença, pertencimento e sentido. Em vez de construir uma tese sobre o colapso ambiental ou oferecer respostas prontas para a vida mediada pela tecnologia, o trabalho aproxima questões coletivas daquilo que acontece na intimidade. “Mais do que apresentar respostas, a montagem propõe perguntas e cria um espaço de partilha sobre amor, comunidade, cuidado e transformação”, compartilha o ator.
A consultoria cênica é assinada por Everson Basili e Silvana Castro. A produção é da Treição Design de Ecologias, em parceria com o Ateliê da Presença, Cultura e Desenvolvimento.
Para além do palco
O projeto não ficou restrito às três apresentações. Durante o processo, foi realizada a oficina gratuita “Expressão do Ser”, voltada a jovens, e um caderno de reflexões e práticas foi disponibilizado gratuitamente para estudantes, professores e demais interessados. A proposta é levar as questões abordadas na montagem também para fora da sala de teatro.
Charles Rosa Rodrigues atua há quase 30 anos como ator e terapeuta, com trabalho voltado à comunicação e à expressão aplicadas ao desenvolvimento pessoal. Formado em Artes Cênicas e Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integrou o NPAC do Espaço Quasar e estudou na Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. Também participou de cursos com Fernanda Montenegro, Zé Celso e Amir Haddad.
“A emergência climática e a urgência de amar” é a segunda montagem da Treição Design de Ecologias. A primeira foi “Treição: Os Beija-flores Vêm Beijar Seus Corações”, contemplada pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás. Outro trabalho de Rosa, “Valsa nº 6”, recebeu o 1º Prêmio de Teatro do Estado de Goiás, em 2005, e integrou o Circuito Agepel de Artes Cênicas no ano anterior.
O novo solo foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc em Goiás. As apresentações acontecem de sexta a domingo, às 20h, no Centro Audiovisual da Funai, na Alameda Leopoldo de Bulhões, quadra 3, lotes 1 a 4, no Setor Pedro Ludovico. A entrada é gratuita.
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