quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Execuções

Irã ultrapassa 500 execuções em 2026, diz ONG

ONG afirma que ao menos 511 pessoas foram executadas neste ano, incluindo manifestantes, mulheres e presos políticos

Eduardo Silvapor em
ira
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghae (Foto: Reprodução/ @IRIMFA_SPOX)

O Irã executou pelo menos 511 pessoas desde o início de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (27) pela ONG Iran Human Rights (IHR). O número inclui ao menos 29 pessoas relacionadas aos protestos antigovernamentais registrados em janeiro. A organização, sediada na Noruega, aponta uma intensificação das execuções nos últimos dias.

Entre os mortos estão pelo menos 16 mulheres e 13 pessoas classificadas pela entidade como presos políticos, ligados a grupos de oposição proibidos pelo governo iraniano. A IHR afirma ainda que duas pessoas foram executadas desde 19 de março por acusações relacionadas às manifestações de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, jovem curdo-iraniana que morreu sob custódia após ser detida em Teerã por supostamente descumprir as regras de vestimenta.

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A organização de direitos humanos avalia que a aplicação da pena capital tem sido utilizada pelas autoridades como instrumento de intimidação após os protestos e durante o conflito iniciado em 28 de fevereiro com ataques de Estados Unidos e Israel. Para Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHR, as execuções teriam como objetivo criar medo e dificultar o surgimento de novas manifestações. Ele também alertou para a possibilidade de aumento dos enforcamentos nos próximos meses.

A escalada ocorre apesar das críticas internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que o Irã deveria interromper as execuções e classificou a situação como uma grave crise humanitária. Mais de 30 países, incluindo França, Reino Unido e Canadá, também condenaram o uso da pena de morte pelo governo iraniano. Segundo a Anistia Internacional, pelo menos 2.159 pessoas foram executadas no país em 2025, enquanto a IHR afirma que centenas de outros manifestantes continuam condenados à morte ou respondendo a acusações que podem levar à pena capital.

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