Após despejo, 56 indígenas venezuelanos buscam nova moradia em Goiânia
Indígenas venezuelanos deixam imóvel após oito anos e buscam novo lar em Goiânia
Vinte e uma famílias indígenas venezuelanas deixaram, nesta sexta-feira (28), o imóvel onde viviam havia cerca de oito anos, em Goiânia. A comunidade é formada por 56 indígenas da etnia Warao, povo originário da Venezuela. Entre os moradores estão 17 crianças, sete adolescentes, 24 adultos e cinco idosos.
Após a saída do imóvel, as famílias seguiram para a Praça do Trabalhador, na região da 44. No local, equipes da Prefeitura passaram a acompanhar a situação. Os profissionais ofereceram alimentação, água, acesso a banheiro e atendimento social enquanto buscavam uma alternativa de moradia.
A principal dificuldade, porém, é encontrar um espaço que consiga receber toda a comunidade. As famílias querem permanecer juntas. Por isso, o município avalia alternativas diferentes dos abrigos convencionais.
Famílias deixaram imóvel após oito anos
Segundo informações repassadas à reportagem, o proprietário decidiu retomar o imóvel porque pretende demolir a construção e erguer uma nova residência para familiares. Com isso, as famílias precisaram deixar o endereço onde estavam estabelecidas desde 2019.
A comunidade Warao vive em Goiânia há alguns anos e recebe acompanhamento do poder público desde 2022. Nesse período, as famílias passaram a utilizar serviços públicos e também receberam atendimento nas áreas de assistência social, saúde, educação e direitos humanos.
Diante do despejo, a Prefeitura mobilizou equipes de diferentes setores para evitar que o grupo ficasse sem um local para permanecer. O município também acionou instituições que atuam na proteção social e na defesa dos direitos dos indígenas.
Prefeitura procura espaço para manter comunidade unida
De acordo com Eduardo Oliveira, superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, a Prefeitura foi informada sobre a saída das famílias por volta das 10h.
A partir disso, equipes começaram a procurar um espaço que pudesse receber os 56 integrantes da comunidade.

Uma das dificuldades está na estrutura dos equipamentos públicos de acolhimento. As unidades municipais possuem atendimentos destinados a públicos específicos. Assim, encaminhar crianças, mulheres, homens e idosos para locais diferentes poderia separar famílias e alterar a organização da comunidade.
Durante as buscas, a Prefeitura avaliou espaços ligados ao CRAS Novo Mundo e o antigo local onde funcionava o Crenas Oeste. As alternativas ainda precisavam ser apresentadas às famílias antes de uma decisão.
Além do poder público municipal, representantes da Funai, Defensoria Pública, entidades religiosas, sindicatos e organizações do terceiro setor também participaram das articulações.
Aluguel Social é uma das alternativas
Enquanto procura uma solução emergencial, a Prefeitura também tenta encontrar uma alternativa de moradia com maior estabilidade para as famílias.
Uma das possibilidades é a inclusão da comunidade no Programa Aluguel Social do Estado. Segundo o município, as tratativas começaram há algumas semanas e contam com o apoio da Defensoria Pública.
O pedido, entretanto, ainda depende de decisões judiciais. Por isso, a medida não representa uma solução imediata para as famílias que deixaram o imóvel nesta sexta-feira.
Enquanto isso, o município mantém o acompanhamento social da comunidade e busca um local onde todos possam permanecer juntos.
A comunidade é composta por 21 famílias e 56 pessoas. Do total, 17 são crianças de até 11 anos, sete são adolescentes entre 12 e 17 anos, 24 são adultos e cinco são idosos. Outras três pessoas não tiveram a idade informada.
A prioridade neste momento é garantir um local para o grupo permanecer enquanto as alternativas de moradia são analisadas. Paralelamente, as instituições envolvidas buscam uma solução que permita às famílias continuar reunidas em Goiânia.
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