Aproximação entre Brasil e Índia abre novas oportunidades para Goiás
Estado já exporta produtos para o mercado indiano e pode ampliar participação com avanço das negociações, mas custos logísticos e barreiras comerciais ainda são desafios
A aproximação comercial entre Brasil e Índia pode abrir novas oportunidades para empresas de Goiás ampliarem a presença no mercado internacional. Em um momento de incertezas provocadas pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, a diversificação dos parceiros comerciais passou a ganhar importância para Estados que possuem forte participação nas exportações, como Goiás. O desafio agora é transformar a aproximação entre os dois países em negócios efetivos para empresas goianas.
Na última quinta-feira (27), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) assinou um memorando de entendimento com a Confederação das Indústrias Indianas. O documento busca aproximar empresas, estimular investimentos, promover feiras e facilitar a internacionalização de pequenos e médios negócios. Apesar de não criar obrigações comerciais, a iniciativa estabelece uma estrutura para ampliar as relações entre os dois mercados.
A Índia já possui espaço na pauta de exportações goianas. Em 2024, o Estado vendeu cerca de US$ 283 milhões ao país asiático. Entre os principais produtos estão gorduras e óleos de origem animal ou vegetal, açúcares e produtos de confeitaria. Também aparecem na pauta itens como óleo de soja, ferro e aço, ouro e couro. Com a nova estratégia nacional de diversificação, a expectativa é identificar outros segmentos capazes de ampliar essa participação.
Biocombustíveis e indústria podem ganhar espaço
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, o Estado possui um conjunto diversificado de setores que pode ser aproveitado na aproximação com a Índia. Entre eles está o segmento de biocombustíveis, no qual Goiás ocupa posição de destaque nacional.
Rocha também aponta potencial na produção de biometano, setor que começa a receber novos investimentos no Estado, além da área de minerais críticos. Segundo ele, Goiás possui reservas que podem despertar interesse internacional em um momento em que países buscam garantir acesso a matérias-primas estratégicas.
Outro segmento citado é o de tecnologia. A Índia possui forte atuação na área de inovação e inteligência artificial, enquanto Goiás vem ampliando sua estrutura nesse setor. Para o presidente da Fieg, a aproximação pode permitir não apenas a venda de produtos, mas também a formação de parcerias tecnológicas.
O setor farmacêutico também aparece entre as possibilidades. Goiás possui um dos principais polos farmacêuticos do País, enquanto a Índia é reconhecida internacionalmente pela produção de medicamentos, vacinas e insumos. A aproximação entre os dois mercados poderia abrir espaço para investimentos, pesquisa e desenvolvimento conjunto.
“Goiás tem um potencial muito grande”, afirma Rocha. O presidente destaca que a Fieg pretende levar empresários goianos à Índia em uma missão comercial prevista para novembro. A intenção é aproximar empresas dos dois países e buscar oportunidades de negócios e investimentos.
Agronegócio continua como principal aposta
Apesar da variedade de setores, o agronegócio deve permanecer como uma das principais portas de entrada de Goiás no mercado indiano. O Estado possui uma economia fortemente ligada à produção agrícola e já exporta produtos relacionados ao setor.
Para o economista Leonardo Ferraz, soja, alimentos e outros produtos agroindustriais apresentam potencial para ampliar a presença no país asiático. Ele destaca, porém, que a oportunidade não significa que a Índia possa simplesmente substituir os Estados Unidos como destino das exportações.
“São mercados diferentes em renda, hábitos de consumo, exigências e perfil das importações”, explica. Na avaliação dele, a estratégia mais adequada para Goiás é ampliar o número de parceiros, evitando uma concentração excessiva das vendas externas em poucos países.
Leonardo Ferraz explica que não basta haver demanda por determinado produto. As empresas goianas precisam conseguir chegar ao mercado indiano com preços competitivos e atender às exigências locais. Por isso, o memorando representa apenas uma etapa inicial.
“O memorando pode facilitar novos negócios e investimentos, mas isso dependerá da capacidade das empresas de transformar essa aproximação institucional em contratos efetivos”, afirma.
Nesse cenário, a aproximação ganha importância não apenas como resposta às dificuldades provocadas pelo tarifaço norte-americano, mas como uma estratégia de longo prazo para a economia goiana.
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