Entenda o caso Master e a ligação com Moraes antes da prisão de Vorcaro pela PF
Caso Master ganha novo capítulo após mensagens entre Vorcaro e Moraes
Trocas de mensagens entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltaram a colocar o caso da instituição financeira no centro das atenções. Os diálogos aparecem em um relatório da Polícia Federal (PF) e foram obtidos após a apreensão do celular de Vorcaro.
Segundo o material, as conversas indicam que Vorcaro buscou informações com Moraes sobre uma possível operação da PF que poderia ter o empresário como alvo. O conteúdo chegou ao STF e teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. Em seguida, o documento foi encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O caso envolve uma investigação sobre as operações do Banco Master, instituição que o Banco Central liquidou em novembro de 2025. Além disso, a PF apura suspeitas que incluem fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção, vazamento de informações, ameaças e ataques cibernéticos.
O que a investigação aponta sobre o Banco Master
De acordo com a investigação da PF, o esquema teria como um dos principais objetivos aumentar artificialmente o patrimônio do Banco Master. A suspeita é que documentos e operações financeiras tenham criado a aparência de que a instituição possuía ativos em valores superiores aos reais.
Os investigadores identificaram contratos, extratos, planilhas e procurações que teriam sido utilizados para registrar operações que não existiam. Em alguns casos, pessoas apontadas como clientes afirmaram não reconhecer empréstimos registrados em seus nomes.
A PF também cita operações envolvendo ativos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Segundo a investigação, títulos adquiridos por aproximadamente R$ 850 mil chegaram a ser registrados com valor superior a R$ 10 bilhões.
Além disso, o Banco Central encontrou inconsistências em certificados de depósito bancário (CDBs) e em carteiras de crédito. O Banco Master chegou a emitir R$ 50 bilhões em CDBs, com promessa de remuneração acima das taxas praticadas pelo mercado. A investigação questiona, porém, a capacidade da instituição de honrar os títulos.
Prisão de Vorcaro ocorreu após crise financeira
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Banco Master em 18 de novembro de 2025. A autoridade apontou deterioração financeira, risco de insolvência e descumprimento de normas e determinações.
A decisão ocorreu horas depois de o Banco Central impedir a venda do banco para a Fictor Holding. A operação previa uma injeção de R$ 3 bilhões. Segundo o BC, entretanto, a situação financeira do grupo já indicava insolvência.
Antes disso, em 17 de novembro, a PF havia prendido Daniel Vorcaro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O empresário tentava embarcar em um jato particular com destino final a Dubai.

Inicialmente, a investigação envolveu suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Depois, Vorcaro deixou a prisão por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Em março de 2026, porém, o empresário voltou a ser preso preventivamente. A decisão partiu do ministro André Mendonça, do STF. Segundo as decisões judiciais, a análise dos aparelhos apreendidos na primeira prisão trouxe novos elementos para a investigação.
As autoridades também apontaram risco de destruição de provas, continuidade de operações de lavagem de dinheiro e possível interferência nas apurações.
Novas suspeitas ampliaram o alcance do caso
Além das suspeitas relacionadas às operações financeiras, a PF passou a investigar outros possíveis crimes ligados ao grupo.
Entre eles está a suspeita de lavagem de dinheiro por meio de transações simuladas. Os investigadores também apuram movimentações que teriam envolvido recursos de investidores e fundos de pensão.
Outro ponto envolve suspeitas de corrupção. A PF investiga possíveis pagamentos de propina a ex-dirigentes e supervisores do Banco Central. A hipótese é que os pagamentos buscassem informações sobre fiscalizações e processos administrativos.
A investigação também analisa possíveis vazamentos de informações. Agentes públicos são suspeitos de consultar sistemas sigilosos e repassar dados relacionados a operações policiais.
Além disso, a PF identificou uma estrutura que teria monitorado e intimidado jornalistas, autoridades e concorrentes comerciais. Os investigadores ainda apuram ataques cibernéticos contra sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais.
Tentativas de delação não avançaram
Em março de 2026, a defesa de Daniel Vorcaro procurou a Polícia Federal para discutir um possível acordo de delação premiada. O primeiro material chegou às autoridades em maio.
A PF rejeitou a proposta no fim daquele mês. Segundo os investigadores, a primeira versão apresentava informações já conhecidas e não avançava sobre pessoas consideradas relevantes dentro da estrutura investigada.

As negociações continuaram. Vorcaro indicou disposição para aumentar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que pretendia devolver aos cofres públicos.
Uma segunda proposta chegou à PF no início de junho. A corporação também rejeitou o documento. Entre os motivos apontados estavam a falta de informações inéditas, contradições com elementos obtidos nas perícias e a ausência de um compromisso considerado suficiente para a devolução dos R$ 60 bilhões.
Relatórios produzidos em agosto também registraram dúvidas dos investigadores sobre a capacidade de Vorcaro apresentar documentos que comprovassem suas declarações. Após a liquidação do Banco Master, ele perdeu acesso aos arquivos internos da instituição.
Mensagens chamaram atenção da investigação
As mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes integram o material apreendido pela PF durante a investigação. Em uma conversa de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o país.
No dia seguinte, 16 de novembro, o empresário voltou a questionar Moraes sobre a possibilidade de uma ação ocorrer na manhã seguinte. Na mesma data, ele também sugeriu um encontro presencial e afirmou estar perplexo com a situação.
Segundo o relatório da PF, Vorcaro ainda enviou a Moraes uma mensagem de agradecimento em 14 de novembro. No texto, o empresário afirmou ter uma dívida de gratidão com o ministro e mencionou familiares, funcionários, parceiros e amigos.
As mensagens fazem parte do conjunto de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero. O relatório foi encaminhado ao STF e integra os elementos analisados no caso.
A apuração continua. Até o momento, o material apresentado pela PF reúne diferentes frentes de investigação relacionadas ao Banco Master e à atuação de pessoas ligadas ao grupo.
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