Polícia desarticula esquema de desmanche de caminhonetes em Goiás
Grupo suspeito buscava veículos furtados em Minas Gerais e distribuía peças para estabelecimentos de autopeças
Mais de 50 caminhonetes podem ter passado por um esquema de furto, desmanche e comercialização clandestina de peças entre Minas Gerais e Goiás, segundo a Polícia Civil. A investigação aponta que veículos furtados no estado mineiro eram levados para Goiânia, desmontados em galpões e tinham os componentes distribuídos para estabelecimentos de autopeças. A estrutura é alvo da Operação Código Frio, deflagrada pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), com 20 mandados judiciais.
Operação mira suspeitos
Ao todo, a Polícia Civil cumpre sete mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em residências, lojas e galpões. A operação tem como objetivo desarticular uma associação criminosa suspeita de atuar em diferentes etapas do esquema, desde a obtenção das caminhonetes até a inserção das peças no comércio de usados.
A investigação começou depois que dois homens foram presos em flagrante, em Goiânia, enquanto conduziam caminhonetes furtadas em Minas Gerais. Os veículos, conforme a apuração, seriam levados diretamente para locais onde seriam desmontados. A partir desse flagrante, os investigadores passaram a identificar os demais envolvidos e reconstruir a dinâmica do grupo.
Veículos eram buscados em Minas
Segundo a Polícia Civil, integrantes da associação viajavam de ônibus até Minas Gerais para receber as caminhonetes furtadas. Depois, retornavam para Goiás dirigindo os veículos. A investigação aponta que os deslocamentos eram planejados levando em consideração rotas e horários que poderiam reduzir as chances de fiscalização durante o trajeto.
Para conseguir movimentar os veículos, o grupo utilizaria módulos de ignição codificados e chaves falsas. Dessa maneira, as caminhonetes poderiam ser ligadas e conduzidas até Goiás sem que fossem necessárias as chaves originais.
Desmanche ocorria em galpões
Depois de chegarem a Goiás, as caminhonetes não eram levadas diretamente para as lojas que comercializavam as peças. De acordo com os investigadores, os veículos eram encaminhados para galpões diferentes dos estabelecimentos comerciais, onde eram desmontados.
A Polícia Civil localizou dois desses galpões durante a investigação. Após o desmanche, os componentes eram retirados dos locais por outros integrantes do grupo e transportados para armazenamento e posterior comercialização. A separação das etapas dificultaria a identificação da origem das peças e a ligação entre os veículos furtados e os estabelecimentos que as vendiam.
A apuração indica a existência de uma divisão de tarefas entre os suspeitos. Haveria pessoas responsáveis por negociar os veículos, financiar as viagens, buscar as caminhonetes em Minas Gerais, conduzi-las até Goiás, desmontá-las e transportar as peças.
Os investigadores também identificaram possíveis compradores dentro do comércio de autopeças. Segundo a Polícia Civil, alguns lojistas aparecem na apuração por supostamente adquirir os veículos ou receber os componentes provenientes dos desmanches clandestinos.
Investigação aponta mais de 50 veículos
O material reunido durante a investigação aponta para a possível participação de mais de 50 caminhonetes no esquema. Os veículos seriam destinados à receptação, adulteração e desmanche, enquanto as peças abasteceriam principalmente estabelecimentos especializados em componentes para caminhonetes e picapes.
Com os mandados desta terça-feira, a Polícia Civil busca apreender documentos, equipamentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a atuação individual dos investigados e identificar novas pessoas envolvidas. Os alvos são investigados e a participação de cada um ainda será apurada no decorrer do inquérito.
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